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Librelato aposta nas exportações para crescer 6% no ano

Com lançamento da série Avant, empresa de implementos rodoviários vê, na Fenatran 2026, a oportunidade de vender o equivalente a três meses de produção e crescer no mercado interno

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Karen Sousa

28 out 2026

5 minutos de leitura

A Librelato, empresa de implementos rodoviários, projeta finalizar o ano com 10.500 unidades vendidas, um crescimento de 6,5% em relação ao ano passado. O que impulsiona essa expectativa são as exportações, que cresceram cerca de 40% na empresa, de acordo com o diretor comercial e de marketing da marca, João Librelato.

“O mercado nacional está agindo de uma maneira igual ao ano passado, não tem muito crescimento, mas o mercado de exportação está tendo um crescimento bastante expressivo”, disse. 

Segundo ele, um dos fatores que contribuíram para a ampliação da exportação dos produtos foi um novo destino, a Argentina. Somente neste ano, cerca de 300 produtos foram exportados para o país vizinho, marcando a entrada de um novo mercado na lista de países que compram os implementos da empresa. 

O Paraguai, no entanto, é o país que se destaca como maior comprador. “É o endereço principal dos nossos produtos, são mais de 500 equipamentos por ano que a gente exporta para o Paraguai, muito vinculado ao graneleiro. Hoje somos líderes de mercado no Paraguai e Uruguai e estamos perseguindo esse feito no Chile”, completou.

Mercado interno e o efeito Move Brasil

O crescimento no Brasil, no entanto, segue um ritmo mais devagar ao passo que o mercado interno de caminhões também desacelera. Dados divulgados em setembro pela Anfavea, entidade que representa parte das montadoras no país, mostram que, no segmento de pesados, a queda na produção foi de 6,4% entre janeiro e setembro em comparação com o ano passado, com 92,3 mil unidades fabricadas. Já os emplacamentos somaram 80,9 mil, em uma retração de 3,8% no período.

Apesar da desaceleração no mercado de pesados, o programa Move Brasil foi apontado como um dos fatores que atenuou a queda. João Librelato defende que, sem a existência da medida, a retração no mercado seria ainda maior. “Esses pacotes de incentivos ajudaram demais. Às vezes, o transportador que teria um custo efetivo de crédito maior não toma essa decisão de trocar o produto, mas como veio esse incentivo, ele acabou comprando”. Ele explica que, com o programa, houve uma necessidade de aumentar a produção dos implementos principalmente entre março e abril, subindo de 280 unidades produzidas por dia para 320. 

Librelato aposta em nova série Avant para crescer no Brasil

A empresa também anunciou o lançamento da série Avant, que chega como substituta da série Evolut na Librelato. Para o desenvolvimento da nova série e a modernização dos processos de produção, a empresa investiu R$ 65 milhões.

O foco principal da marca é o agronegócio e, entre as novidades, a nova série conta com mudanças em equipamentos destinados ao transporte de grãos e outras cargas agrícolas. Algumas das mudanças incluem redução das emendas no revestimento interno da caixa de carga da linha basculante, com o objetivo de reduzir o acúmulo de carga durante o basculamento. Além disso, a linha contará com alterações na estrutura, na escada frontal e nos suportes de iluminação traseiro.

Ainda neste segmento, os graneleiros da marca terão estruturas redimensionadas e utilização de aço de alta resistência, além de processos de soldagem feitos de forma robotizada. A linha também passa a contar com um novo sistema de vedação das tampas e dos componentes de fechamento, além do opcional da caixa de carga com tampa articulada em configurações específicas, como a necessidade de carregamento lateral.

Com o agro sendo o principal motor da Librelato, a projeção de um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) deveria ser uma das preocupações para a empresa, no entanto, o diretor comercial explica que as expectativas são de recomposição de compra no setor, com um agro que siga no mesmo patamar, sem crescimento. “O mercado no ano que vem tende a ficar igual a esse ano, com muita preocupação na parte do cenário de juros, isso é o que nos preocupa, porque hoje todos os implementos rodoviários são comercializados por meio de financiamento bancário, e a gente está vendo que as dívidas das empresas estão altas”, completou.

João Librelato também aposta na Fenatran para ter um retorno positivo do investimento na nova série e afirma que a companhia espera vender 3 mil unidades na feira. “Na Fenatran, nós estamos levando a série Avant justamente para poder sobressair entre todos os cenários adversos que o mercado pode ter aí no próximo ano. A gente tem uma expectativa de vender três meses de produção, que é o equivalente a 3 mil unidades. Na última Fenatran, a gente vendeu 2.450, então independente do cenário, vamos ter uma expectativa de crescimento para essa Fenatran, muito puxada pela nova série que a gente está lançando”.

Para ele, a série Avant impulsionará ainda mais o crescimento a partir de pesquisas e consultas com clientes fiéis da marca, mas também de resultados que já têm sido observados, como a venda de 1.500 unidades da linha na etapa de pré-venda. “Será um motor de crescimento total, inclusive a gente fez toda uma releitura dos nossos equipamentos, foram dois anos de pesquisa no campo, a gente já gostaria de ter lançado até antes, mas a gente queria trazer o melhor em implementos rodoviários”, disse.