
A economia brasileira deve continuar perdendo força em 2027. Essa foi a análise apresentada por Luiz Cherman, vice-presidente de política e economia do Itaú BBA, durante a programação do palco principal do Automotive Business Experience 2026.
“O mais provável é que ela continue desacelerando. Provavelmente, em 2027, vai ter um crescimento da economia menor do que em 2026, que, por sua vez, já foi menor do que em 2025”, disse.
Por que a economia brasileira deve perder força?
A projeção do Itaú para o próximo ano aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer apenas 1,2%, abaixo da projeção para este ano, de 1,7%. Os fatores para esse cenário são vários, como a economia mundial, o setor agrícola, aspectos fiscais e monetários.
Entre os fatores, a economia global aparece como um impacto neutro para o PIB. Cherman explica que enquanto o preço de commodities exportadas pelo Brasil, como soja e petróleo, tende a cair, o crescimento da economia global deve passar de 3,2% para 3,4%. Isso geraria um equilíbrio, um impacto neutro para a nossa economia.
Por outro lado, a projeção dentro do setor da agricultura é de uma contribuição negativa, de -0,1 ponto percentual. Segundo o Itaú, isso aconteceria por causa da queda do PIB agrícola, sendo puxada principalmente pela queda do milho, que deve ser de 17%, de acordo com o relatório.
Um outro fator que sustenta essa projeção é o componente fiscal, que considera gastos do governo com programas de transferência como o INSS e Bolsa Família. Segundo o Itaú, essa contribuição deve continuar sendo positiva, levando as famílias a consumir mais e adicionando 0,5 ponto percentual ao PIB de 2027.
Aspectos monetários, que consideram as condições de crédito e a taxa de juros, acabam contribuindo de forma negativa. Cherman afirma que, ainda que haja expectativa de redução da taxa Selic em 2027, esse alívio ainda é muito limitado e, com os juros ainda elevados, o PIB cresce menos no próximo ano.
Além disso, a inflação acima da meta também contribui para esse cenário. A projeção do Itaú é de que a inflação seja de 4,6% em 2027, acima da meta estabelecida em 3%.
Entre os componentes que mais pressionam os preços está o setor de serviços, que segue com inflação elevada devido ao mercado de trabalho aquecido. Com o desemprego baixo, as empresas enfrentam dificuldades para contratar e os salários crescem; a demanda por serviços segue em alta e dificulta a queda dos preços.
“A gente não consegue ver nenhum motor para o crescimento. Apenas o setor fiscal vai impulsionar a economia em 2027”, disse Cherman.
E como o setor automotivo é afetado?
Com o crescimento da economia em desaceleração, os consumidores tendem a controlar os gastos com mais cautela, ou seja, produtos de maior valor, como veículos, podem ter demanda reduzida.
Além disso, o cenário de juros elevados faz com que o financiamento fique mais caro e dificulte o acesso ao crédito. Como parte das vendas de veículos é financiada, os juros altos podem reduzir a demanda por compras a crédito.