Há quase 20 anos, Tati Ferri entrou na Audi como estagiária. Ao longo dos anos, desenvolveu sua trajetória focada em atendimento e pós-venda. Em 2014, se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de gerente regional de pós-venda da Audi Brasil.
Neste episódio do podcast Lideranças Diversas, a repórter de diversidade e inclusão da Automotive Business Natália Scarabotto recebe Tati Ferri, para falar sobre sua trajetória de quase 20 anos no setor automotivo, como se tornou a primeira mulher e a primeira pessoa com deficiência a assumir o cargo e como os erros e aprendizados moldaram sua trajetória como líder.
Do estágio à liderança: uma carreira de quase 20 anos de superação e aprendizados
Desde pequena, ela tem uma forte ligação com carros. Seja pelas histórias que ouvia do pai, seja pela mãe que trabalhou na fábrica da Ford. O que ela queria, desde criança, era aprender a dirigir.
Aos 13 anos, fez um curso sobre mecânica automobilística e foi o seu primeiro contato com o mundo automotivo. Ali, percebeu pela primeira vez as diferenças de gênero do setor. De 40 alunos, só ela e mais uma estudante eram mulheres.
“Eu não me abalei. Acho que até por conta da minha deficiência, minha mãe sempre me ensinou a ir e fazer o que eu quiser, sem ligar para o que os outros pensam”, contou Tati.
Formada em engenharia mecânica, sempre esteve ligada à área de pós-venda. Pela Audi, viajou de avião pela primeira vez. “Eu via aquelas mulheres vestidas de terno, de social, carregando uma pasta e queria ser uma dessas executivas”, contou. “Um dia estava esperando um voo para o Rio de Janeiro para um bate e volta em um compromisso e percebi que tinha chegado lá. Eu era uma executiva, no aeroporto esperando um voo a trabalho.”
A deficiência na mão esquerda nunca foi um limitador para Tati. “Meu chefe sabia que isso não seria um limitador, mas tem gente que fecha a porta mesmo”, disse ela. “Temos sim poucas pessoas com deficiência no setor, e quando temos, estão nos cargos da base. Então, precisamos pensar no desenvolvimento de carreira. Não pode ser um tabu para a empresa pensar em como melhorar isso, perguntar e ouvir da pessoa o que ela precisa para conseguir fazer as funções do dia a dia.”
Quando olha para trás, com quase 20 anos de carreira na Audi, Tati sente orgulho. Quando olha para frente pensa em deixar um legado que inspire as pessoas. “Então, se puder deixar um legado, é: acredite em você. As pessoas vão julgar, mas você sabe onde quer chegar, você sabe o que passou. Todo mundo tem problemas, mas não pode se deixar abalar nem se diminuir”, completou ela.
Como ouvir o podcast Lideranças Diversas
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