
A maior operação da Nissan na América Latina fica no México, onde a empresa desembarcou pela primeira vez há 65 anos. O complexo industrial de Aguascalientes, localizado a cerca de 500 quilômetros da capital do país, representa hoje a principal base produtiva na região e os números mostram isso: até hoje, 17 milhões de unidades saíram das suas linhas para abastecer Estados Unidos e demais mercados importantes no continente.
Ainda que o plano global de reestruturação da montadora tenha um certo foco em sua força industrial na China, onde estão sendo desenvolvidos modelos que vão chegar ao Brasil em breve, a produção mexicana segue sendo estratégica por sua proximidade ao mercado norte-americano e também por ter musculatura suficiente para abastecer 40 países com carros muito conhecidos pelos brasileiros, como o SUV Kicks, a picape Frontier, os sedãs Versa e Sentra e o saudoso March.
As unidades Aguascalientes 1 e 2 são responsáveis por 25% da produção global da Nissan. Não é pouca coisa. São 14 mil funcionários na manufatura, sendo 8 mil alocados na unidade número 1, mais 3 mil na planta 2 e outros 3 mil na fábrica de motores que também está instalada no complexo.
As duas fábricas passaram a ganhar ainda mais destaque na operação regional da Nissan depois que a montadora encerrou a produção da unidade chamada Civac, que funcionou no estado de Morelos até março deste ano. A unidade era mais antiga que a de Aguascalientes e a primeira da Nissan fora do Japão. O encerramento da sua produção teve a ver com o plano global de reestruturação da fabricante.
Aguascalientes 1 tem maior volume de produção

A fábrica número um, a maior do complexo, foi inaugurada em 1992. Apenas em 2025, foram 606 mil unidades fabricadas na unidade, sendo 67% desse todo destinado para exportação. A reportagem de Automotive Business visitou as instalações na sexta-feira, 21. De acordo com a montadora, o ritmo ali está, por ora, aquém da sua plena capacidade. 62 unidades dos modelos Kicks, Versa, Frontier e March são produzidas por hora em jornada de dois turnos.
No primeiro semestre foram produzidas 253.600 unidades, sendo 36% para exportação. Para agilizar os embarques, a montadora conta com caminhões cegonhas próprios e containers de carga que saem direto da fábrica para o porto, com capacidade para exportar 500 mil unidades por ano. Além da produção, a planta conta com uma fábrica de motores, além da área de controle de qualidade e pista para testes.

Robôs assumem quase 80% da produção de carrocerias
A fábrica tem diferentes níveis de automatização. O processo de carrocerias é o mais avançado, com quase 80% do trabalho feito por mais de 300 robôs que montam os cinco modelos na mesma linha.
O processo de pintura também é automatizado e tem capacidade para operar com 20 cores diferentes ao mesmo tempo. Cada veículo passa por cinco etapas de coloração até chegar à pintura final envernizada. Essas etapas incluem uma camada de blindagem de cor para evitar a descoloração do veículo mesmo debaixo de sol, chuva ou outros fatores que podem afetar a pintura.

Fábrica tem centros de treinamento Made in Japan
Além de todo o processo de fabricação de veículos e motores, Aguascalientes 1 é uma das três unidades que a Nissan mantém no mundo com um centro de treinamento avançado para o desenvolvimento contínuo de funcionários da manufatura para melhorar os níveis de qualidade do processo industrial. As outras duas unidades estão no Japão e na Inglaterra.
Com base em metodologias japonesas, 36 funcionários capacitados e certificados no Japão ensinam processos de pintura, soldagem e até operação de empilhadeira em simuladores virtuais para os demais trabalhadores antes mesmo de irem para a parte prática. Ao todo, já foram treinadas mais de 1.430 pessoas nos processos avançados.

Aguascalientes 2 é a fábrica do sedã Sentra
Já a unidade Aguascalientes 2 começou sua operação em 2013, com foco na produção do sedã médio Nissan Sentra, principalmente para exportação. A fábrica tem capacidade produtiva de até 244 mil veículos por ano, ou 42 veículos por hora.
Dos 14 mil funcionários da manufatura na Nissan México, 14% são mulheres. Além disso, a empresa incluiu no processo de pintura pessoas com deficiência auditiva, principalmente na checagem de qualidade. Há também no complexo industrial da montadora iniciativas no campo da sustentabilidade, como geração de energia por meio de placas fotovoltaicas e utilização de água de reuso.
Nissan aposta em formação de talentos
A Nissan México investe também em conhecimento e educação para diferentes públicos, com iniciativas próprias realizadas dentro do complexo industrial.
O projeto Escola Nissan, por exemplo, existe desde 2001 com o objetivo de atrair estudantes de 15 diferentes universidades para prepará-los para serem engenheiros ou técnicos de manutenção. Ao todo, mais de 4.000 alunos foram graduados e 84% foram contratados.
Além disso, a Universidade Nissan oferece desde 2016 formação para funcionários e familiares em manutenção, produção, qualidade de sistemas, além de graduação em engenharia industrial ou administração e finanças. Atualmente, participam 289 estudantes.