
Os segmentos de máquinas agrícolas e rodoviárias devem ter um ano desafiador, projeta a Anfavea, diante do cenário de juros elevados, incertezas externas e menor ritmo de investimentos no campo e na construção.
No primeiro balanço trimestral, divulgado pela associação na quarta-feira, 15, os segmentos mostram fraco desempenho e preocupam, após 2025 negativo, com a quarta queda consecutiva nas vendas de máquinas agrícolas e a estabilidade das rodoviárias.
Vendas de máquinas agrícolas caem 13%
No primeiro trimestre de 2026, as vendas de máquinas agrícolas caíram 13,11%, com 9,8 mil unidades, contra as 11.300 unidades do mesmo período do ano anterior.
As exportações cresceram 5,7% em três meses, com 1.330 unidades embarcadas. A Argentina recebeu o maior volume (200 máquinas), mas os Estados Unidos continuam sendo o principal mercado e preocupam devido às incertezas tarifárias e ao risco de novas barreiras comerciais.
Já as importações cresceram 48,4%. No período, o Brasil comprou 3.350 unidades, sendo praticamente todas da Índia (1.700 unidades) e da China (1.500)
Setor de máquinas rodoviárias fica estável
As vendas de máquinas rodoviárias permaneceram estáveis entre o trimestre de 2025 e 2026, com leve crescimento de 1,6%, somando 8.900 unidades vendidas.
O mesmo aconteceu com as exportações, que tiveram variação de 1,4%, somando 4.100 máquinas embarcadas. Os Estados Unidos continuam sendo o maior destino, com 2.600 unidades.
Nas importações, a alta foi de 17,3% no trimestre, o que representa 5.800 unidades, quase todas chinesas.
Projeção para 2026 é de retração
A Anfavea projeta um cenário de retração e cautela para 2026, com queda de 5,6% no mercado interno de máquinas agrícolas e rodoviárias (82.000 unidades) e de 11,2% no mercado externo (20.800 máquinas).
Para o setor de máquinas agrícolas, a projeção é novo recuo de 6,2% nas vendas no varejo e queda de 12,8% nas exportações.
As vendas de máquinas rodoviárias devem cair 4,7%, em 2026. Para a exportação, a Anfavea espera queda de 10,7% nos embarques, em função da instabilidade tarifária dos Estados Unidos, principal destino dos envios.