
O mercado de máquinas agrícolas sente o impacto dos juros altos e registra queda pelo quarto ano consecutivo. Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta pressão com a entrada recorde de máquinas importadas da China e da Índia, aponta o balanço da Anfavea, divulgado na quarta-feira, 15.
Já as vendas de máquinas rodoviárias permaneceram no mesmo patamar entre 2024 e 2025, mas as exportações tiveram alta puxada pelos Estados Unidos e mercados sul-americanos. A Anfavea também chama a atenção para a alta importação de produtos e o impacto no mercado local.
Para 2026, o cenário não é nada animador. A Anfavea projeta retração de 5,6% no mercado interno de máquinas agrícolas e rodoviárias e queda 11,2% nas exportações.
Vendas de máquinas agrícolas caem 3,6%
As vendas de máquinas agrícolas registraram queda pelo quarto ano consecutivo. Em 2025, as vendas no varejo somaram 49.800 unidades, 3,6% abaixo do ano anterior.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, culpa os juros altos e pede o fortalecimento de programas de financiamento, como o Plano Safra e linhas do BNDES.
“O crescimento da atividade agropecuária, mais volátil e incerto do que o de máquinas rodoviárias, ocorre em um contexto de juros elevados, o que afeta diretamente o setor de máquinas agrícolas”, disse ele.
Por outro lado, observa-se o crescimento na venda de tratores de baixa potência, associados à agricultura familiar e estimulados por programas como o PRONAF Mais Alimentos, cujos juros são mais atrativos, em torno de 5%.
Recorde de importação preocupa Anfavea
Segundo a Anfavea, o ponto de maior atenção são as importações que atingiram um patamar recorde de 11 mil unidades em 2025, 17% mais do que o ano anterior, com forte presença de produtos indianos e chineses.
Um estudo da Anfavea e do BCG indica que produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, reduzindo o custo de produção em até 27%. “Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional”, disse Calvet.
Máquinas rodoviárias têm vendas estáveis
As vendas do varejo de máquinas rodoviárias permaneceram estáveis entre 2024 e 2025, com 37 mil unidades vendidas. A categoria engloba tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, rolos compactadores, minicarregadeiras e manipuladores telescópicos.
As exportações tiveram alta de 17,8%, com mais de 17 mil máquinas embarcadas, tendo os Estados Unidos como principal destino. Os mercados sul-americanos também foram os principais responsáveis pela alta nos embarques.
Já as importações cresceram 10%, superando a marca de 20 mil unidades, sendo a maioria vinda da China.
“Mais de 16 mil dessas máquinas rodoviárias vieram da China, muitas delas em concorrências públicas que deveriam considerar não apenas a localização da produção e os empregos gerados no país, mas também a qualidade dos produtos e dos serviços de assistência técnica — aspecto que precisa ser revisto com urgência”, alertou o presidente da Anfavea.
Projeção para 2026
A Anfavea projeta um cenário de retração e cautela para 2026, com retração de 5,6% no mercado interno de máquinas agrícolas e rodoviárias (82.000 unidades) e de 11,2% no mercado externo (20.800 máquinas).
Para o setor de máquinas agrícolas, a projeção é novo recuo de 6,2% nas vendas no varejo e queda de 12,8% nas exportações.
As vendas de máquinas rodoviárias devem cair 4,7%, em 2026. Para a exportação, a Anfavea espera queda de 10,7% nos embarques, em função da instabilidade tarifária dos Estados Unidos, principal destino dos envios.