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NADA Show 2026: híbridos e IA protagonistas no maior evento de concessionárias do mundo

Do tíquete médio mais alto à IA no pós-venda, evento realizado em Las Vegas antecipa movimentos do setor
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Bruno de Oliveira

10 fev 2026

4 minutos de leitura

O uso de Inteligência Artificial (IA) e a busca por novas fontes de receita com carros híbridos foram as tônicas do NADA Show, maior evento de distribuição de veículos do mundo, realizado na primeira semana de fevereiro em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Automotive Business esteve presente e pôde conferir de perto o que se discutiu em um dos maiores mercados automotivos do mundo e as tendências que estão balizando as concessionárias na América do Norte. A região tem muitas particularidades que a tornam distinta, mas há também similaridades com o mercado brasileiro.

O que se pôde observar durante o evento, por exemplo, é o fato de os Estados Unidos estarem se tornando um terreno fértil para os veículos híbridos. Dados apresentados por Patrick Manzi, economista-chefe da NADA, mostram que esses modelos já representam 27,5% das vendas totais realizadas no país.

Carros híbridos caem nas graças dos norte-americanos

Ao longo de 2025, foram vendidas cerca de 2 milhões de unidades equipadas com motorização híbrida. Em 2024, 1,6 milhão de veículos entraram nas garagens dos consumidores norte-americanos, que passaram a enxergar benefícios mais atrativos na comparação com outras vertentes de eletrificação.

Para Manzi, os híbridos têm forte aceitação porque combinam eficiência energética, desempenho semelhante ao dos veículos com motor a combustão e um custo adicional moderado. Para os concessionários, esses modelos apresentam alta rotatividade nas lojas.

A redução dos subsídios para a aquisição de veículos 100% elétricos também favoreceu o aumento da participação dos híbridos nas vendas totais dos Estados Unidos.

As vendas de elétricos puros, por exemplo, ficaram estagnadas entre 2024 e 2025, com 1,2 milhão de unidades comercializadas em ambos os períodos. Já as vendas de híbridos plug-in (PHEVs), que utilizam baterias recarregáveis externamente, recuaram 17% na comparação anual.

Guardadas as devidas proporções, algo semelhante vem ocorrendo no mercado brasileiro. A maior parte das vendas ainda está concentrada nos modelos térmicos flex fuel, mas a participação dos híbridos nos emplacamentos tem avançado.

Híbridos podem gerar mais receitas aos concessionários

E se os híbridos apresentam alta rotatividade nos Estados Unidos, proporcionando mais oportunidades de prestação de serviços aos concessionários, é natural imaginar que o mesmo possa ocorrer no Brasil. Tanto que, durante o evento, a reportagem encontrou o CEO da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, atento às tendências discutidas.

A montadora, ao lado da Toyota, é uma das que oferecem o maior número de opções de veículos híbridos em seu portfólio local. No caso da linha Bio-Hybrid da Stellantis, fazem parte versões eletrificadas dos Fiat Pulse e Fastback, além dos Peugeot 208 e 2008.

Outra tendência em alta nos Estados Unidos — e que encontra paralelo no Brasil — é o aumento da participação de veículos com tíquete médio mais elevado nas vendas totais.

Lá como cá, observa-se uma forte redução da oferta de modelos zero-quilômetro com preços abaixo de US$ 30 mil. Segundo o economista da NADA — associação que representa os concessionários nos EUA — consumidores de entrada migraram do mercado de novos para o de usados em função dos preços mais elevados.

Veículos de entrada também sumiram nos EUA

Dados da entidade mostram que, no ano passado, o preço médio de transação atingiu US$ 48 mil, com picos acima de US$ 50 mil. Nos financiamentos, o pagamento mensal médio ficou em torno de US$ 777, com prazo médio de 69 meses, havendo contratos de até sete ou oito anos, com juros de aproximadamente 5,8%.

Esse cenário também se reflete na composição dos modelos vendidos no país no último ano: 83% das vendas totais corresponderam a crossovers (CUVs), SUVs, picapes e vans.

No campo dos modelos de negócio e das novas ferramentas, o setor de distribuição de veículos nos Estados Unidos começa a amadurecer o uso da Inteligência Artificial nas concessionárias.

Segundo Ross Tinkham, vice-presidente e gerente-geral do setor automotivo da Podium, que palestrou no NADA Show, a indústria local já superou a fase de experimentação com IA e entrou em um momento em que uma estratégia bem definida é fundamental.

“Se você não está usando IA, deveria começar hoje mesmo”, afirmou Tinkham aos participantes.

Inteligência Artificial como “próxima onda”

De acordo com o executivo, o uso da IA pelas concessionárias está se expandindo rapidamente, especialmente em operações variáveis, como comunicação de vendas, resposta a leads e agendamento de serviços. Cerca de 48% das concessionárias já utilizavam IA em 2025, e a previsão é que a adoção ultrapasse 70% até o fim de 2026.

Tinkham também observou que a “próxima onda” da IA está na área de serviços. “Até o final de 2026, mais da metade das concessionárias estará usando IA nas operações de pós-venda, com outros 29% planejando implementá-la nos próximos dois a três anos”, disse.

E no Brasil? O futuro, como diz o ditado popular, a Deus pertence. Mas já há indícios — inclusive apontados em pesquisa conduzida por AB em parceria com a consultoria Mirow & Co — de que, por aqui, a tecnologia também poderá impactar positivamente os negócios das concessionárias, ampliando receitas e eficiência operacional.

* colaborou Paula Braga