logo

Nissan lança novo Sentra de olho em um mercado de sedãs diferente

Marca japonesa diz que perfil do cliente de modelos médios mudou e quer se valer da pouca demanda na categoria
Author image

Fernando Miragaya

16 mar 2023

5 minutos de leitura

Imagem de Destaque

Esqueça aquele consumidor tradicional com fama de “tiozão”. Para a Nissan, o segmento de sedãs médios agora é jovem e descolado. É a principal justificativa da marca japonesa para voltar a vender o Sentra no Brasil.

A oitava geração mundial do modelo chega em duas versões, por R$ 148.490 (Advance) e R$ 171.590 (Exclusive). Para disputar um segmento que já era dado como morto – ainda mais depois do fim do Honda Civic nacional – e onde o Toyota Corolla reina sozinho – vá lá, temos Chevrolet Cruze e Caoa Chery Arrizo 6 para fazer figuração.

Projeções de vendas do novo Nissan Sentra

Mesmo assim, a Nissan insiste neste mercado e faz questão de frisar que nunca o abandonou. A não vinda desta geração em 2020 – quando foi lançada – foi justificada pela pandemia e pela crise no fornecimento de semicondutores. 

De qualquer forma, no lançamento a marca japonesa trabalha com números mais conservadores do que o estigma que persegue o público-alvo de sedãs. A expectativa é vender, neste primeiro ano, de 500 a 600 unidades do Nissan Sentra por mês.

Uma projeção também realista. O número representa cerca de ⅓ do que o Corolla vende por mês. Só que a Nissan também sabe que a crise de insumos e chips automotivos ronda as montadoras nos quatro cantos do mundo. O carro importado do México não está imune a isso.

“Todos estão sofrendo problemas de produção. Não é só a demanda, mas também a oferta que vai definir o volume. Entre 500 e 600 por mês é um número razoável, pois tenho certeza que a demanda vai ser maior que a oferta”, reconhece Humberto  Gómez, diretor de marketing da Nissan.

Perfil do consumidor do Nissan Sentra mudou

Segundo as pesquisas de mercado encomendadas pela Nissan, o consumidor de sedãs médios mudou bastante nos últimos cinco anos. Mais da metade dos clientes desta categoria são pessoas de 25 a 42 anos de idade. 

Outro dado do estudo que derruba estereótipos: 42% são mulheres, pondo por terra a ideia de que sedã é um bicho majoritariamente masculino. 

“O cliente mudou e agora é muito mais jovem do que a gente achava. É composto por pessoas mais deslocadas, de personalidade cosmopolita e que valorizam os clássicos, mas que querem conforto e a conveniência das tecnologias”, acredita  Gómez.


SAIBA MAIS:
– Nissan inaugura lojas com novos conceitos no Brasil
– Mesmo sem chips, Nissan fica no azul e vai produzir 80 mil Kicks em 2022


A estratégia da fabricante ainda vai em outro ponto: a falta de oferta. Em 2018, o segmento tinha mais de 15 concorrentes. Hoje, são praticamente cinco, sendo que dois (Honda Civic Hybrid e VW Jetta GLi, bastante nichados). O que fez um mercado de quase 150 mil, em 2018, despencar para 50 mil unidades no ano passado.

“Você vai na rua, está cheio de SUVs, sem muita diferenciação. Porque falta oferta e agora esta oferta vem com modelos inovadores e arrojados”, defende Gómez, que acredita que o Sentra tem potencial para vender mil unidades mensais (se a produção não sofrer qualquer revés).

Como é o novo Nissan Sentra

Para tal, a Nissan aposta no design do Sentra. Após a remodelação, o três-volume reforçou a proposta de estilo que a marca batizou de Emotional Geometry Design. Estes traços geométricos são evidenciados pelos vincos no capô e na traseira.

Na frente, a grade em V tem molduras cromadas e o novo logo da Nissan em um nicho escurecido. As laterais mantêm um certo conservadorismo, com linha de cintura quase reta e uma saliência comportada na altura das portas.

Porém, só até a terceira coluna, com design que passa aquela sensação de “teto flutuante” – ainda mais nas versões com teto preto brilhante. Na traseira, as lanternas estilo bumerangue foram modificadas para melhorar o fluxo de ar.

Equipamentos do sedã médio mexicano

Como o novo cliente de sedã médio quer tecnologia, a NIssan diz que priorizou a importação só de versões mais completas do Sentra. Ou seja, a Sense de entrada ficou de fora e caberia ao Versa topo de linha cobrir essa eventual lacuna.

A linha do novo Nissan Versa já chega com os esperados seis airbags e os obrigatórios controles de estabilidade e tração. Entre os equipamentos de auxílio ao condutor, recebe desde a Advance alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência, detector de fadiga, monitoramento dos pneus e câmera de ré.

A Advance também é vendida com ar-condicionado automático bizona, banco do motorista com ajustes elétricos, chave presencial, quadro de  instrumentos com tela em TFT de 7” e portas USB dianteiras (tipos A e C) e traseira (tipo A). A central multimídia com display de 8” destacado do painel acompanha sistema de som com seis alto-falantes, dois tweeters frontais e amplificador.

O pacote mais completo de equipamentos de auxílio ao motorista está na Exclusive. Essa recebe controle de cruzeiro adaptativo, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente ativo de manutenção na faixa, faróis automáticos, sensor de ponto cego e câmera 360 graus.

Completam o pacote do novo Nissan Sentra topo de linha a partida remota do motor, sistema de som Bose, teto solar, retrovisor eletrocrômico e espelhos rebatíveis eletricamente. O revestimento em tom “caramelo” faz o preço da opção Exclusive chegar a R$ 173.290.

O motor é o conhecido 2.0 16V que equipava a geração anterior do sedã. Porém, nesta geração ganhou aperfeiçoamentos e injeção direta. Bebe só gasolina e gera 151 cv e 20 kgfm.

O propulsor trabalha com o câmbio automático do tipo CVT. A Nissan, enfim, colocou oito marchas simuladas na transmissão e aletas no volante para trocas sequenciais.

Daqui a pouco você vai saber como anda o novo Nissan Sentra