
O primeiro presidente brasileiro da Stellantis reconheceu que a possivel escassez de chips preocupa.
“Estamos na iminência de uma parada nas fábricas se não houver uma solução. O problema só deixa de existir a partir do momento em que as peças chegarem. Como elas ainda não chegaram, ele ainda existe”, disse.
O executivo, porém, se mostrou otimista em relação à uma saída. Zola disse que representantes da indústria e das montadoras estão buscando soluções, inclusive junto à embaixada da China.
O presidente da Stellantis frisou que a negociação com o governo chinês não contempla apenas o Brasil, e sim vários países. Inclusive, empresas de outros setores seriam beneficiadas com o acordo.
“Esse assunto ainda não está resolvido, mas, no momento atual, existe uma esperança de que isso aconteça antes de sermos afetados. A importação dos chips é um processo relativamente rápido, então este também é um dos motivos pelo meu otimismo de uma resolução rápida”.
Presidente da Stellantis descarta mudanças drásticas
O executivo sugeriu que vai fazer poucas mudanças nos pilares estratégicos da companhia.
Mesmo assim, Herlander Zola enfatizou que a empresa não pode ser dar ao luxo de relaxar.
“O fato de sermos líderes há alguns anos não pode jamais representar zona de conforto para nós”.
Zola ressaltou que a ideia é manter o foco no cliente.
“Precisamos identificar quais são as necessidades do consumidor e conseguir, de alguma forma, transformar isso em produto ou serviço de forma mais eficiente do que nossos concorrentes”
Stellantis espera vender 1 milhão de carros na América do Sul
A Stellantis tem 23% de participação de mercado na América do Sul e lidera o segmento de veículos comerciais no continente com 30,6%.
No Brasil, a Stellantis está no primeiro lugar com 29,5% de participação de mercado. A Fiat detém 21,2% do total.
Zola ressaltou que, apesar da ascensão das marcas chinesas, a Stellantis se mantém em alta.
“Se alguém ganhou isso significa que alguém perdeu (participação de mercado), mas nós não perdemos. Nossas estratégias estão dando certo”.
A empresa lidera o mercado no Brasil e ocupa posições de liderança em vários países da América do Sul.
O executivo disse que a empresa caminha a passos firmes para vender mais de 1 milhão de carros na região em 2025.
Projeção é de crescimento discreto em 2026
Zola projetou uma alta “de 3% a 4%” nas vendas da Stellantis em 2025. A expectativa também é comedida para 2026.
“Nossa estimativa é de crescer de 2% a 3%. O ano que vem (2026) terá diversos fatores, inclusive será um ano eleitoral, e precisamos estar preparados para diversas variantes, inclusive no cenário internacional”.
Leapmotor estreia com produção local no radar
Zola disse que a Stellantis não adotará uma estratégia comercial agressiva com a Leapmotor. A marca chinesa estreia no Brasil em novembro com uma rede de 36 lojas em 29 cidades.
“Precisamos dar passos gradativos com a Leapmotor. Não temos a ambição de outras marcas chinesas de vender volumes astronômicos em seis meses”.
Entretanto, o executivo ressaltou que a Leapmotor terá grande importância dentro do portfólio da Stellantis, inclusive com produção local no futuro.
Por ora, Zola ressaltou que a localização de um produto Leapmotor não está definida.
“Temos clareza de quão importante é a localização e a regionalização. Ainda não é uma divisão tomada, mas sabemos que é vital para nossa competitividade. Então é algo que, sem dúvida, está dentro do nosso radar”.
Eletrificação da linha em todas as marcas
Zola garantiu que a Stellantis trabalha para uma eletrificação “quase imediata” em todas as marcas do grupo.
Até agora, o conglomerado oferece a tecnologia híbrida leve em modelos de Fiat (Pulse e Fastback) e Peugeot (208 e 2008).
“Precisamos e vamos agir com urgência”, disse Zola, que sugeriu, inclusive, uma entrada na tecnologia de híbridos plenos e plug-in.
Jeep sofreu com marcas chinesas, mas há otimismo para 2026
O presidente da Stellantis admitiu o declínio nas vendas da Jeep.
“A Jeep, sem dúvida, foi uma das marcas que mais sofreu nesse processo de transformação da indústria porque quase todas as marcas chinesas chegaram mirando o segmento de SUVs”.
“A marca perdeu espaço, mas, ao longo dos últimos 12 anos, a gente vem observando uma nova evolução por meio de movimentos bastante acertados que resgataram a essência da Jeep. Essa essência é algo que as marcas chinesas não trazem”, complementou.
Porém, Zola disse que a expectativa é grande para 2026, especialmente por conta do lançamento do SUV compacto Avenger, que será fabricado em Porto Real (RJ).
Autonomia local é chave para sucesso da Stellantis
O novo presidente da Stellantis acredita que a autonomia local dada pela matriz é essencial para assegurar o bom desempenho na região.
“Tivemos a oportunidade de ter cada vez mais confiança da matriz para ter uma autonomia cada vez maior. Isso nos dá a possibilidade de agir mais rápido do que alguns concorrentes, e é algo que queremos manter”.
Novo presidente da Stellantis passou por VW e BMW
Zola tem grande experiência na indústria automotiva. Passou por Volkswagen, BMW e Audi antes de chegar à Fiat em 2017.
Nos últimos dois anos, Zola comandou a área comercial das marcas do grupo Stellantis no Brasil.
