
O ano de 2021 se encerra dentro de poucos dias e chegou o momento de Automotive Business olhar em retrospectiva e apontar aos leitores aquilo que foi destaque no noticiário este ano.
Com o avanço da vacinação no País, o setor automotivo viveu dias menos obscuros do que em 2020, mas isso não significou, na prática, que foi um ano fácil. Pelo contrário, houve desafios e permaneceu no ar o clima imprevisível.
Se por um lado o coronavírus regrediu e possibilitou a retomada da produção de veículos, por outro avançou a crise dos chips por aqui, parando linhas de produção e aumentando o gargalo por automóveis na rede de distribuição.
A falta de componentes parou fábricas por meses a fio e provocou uma onda de reajustes de produção, com aplicações de lay-off e redução do quadro de funcionários como nunca antes.
No entanto, nem tudo foram perdas: foram anunciados investimentos no País e houve, ainda, a chegada de uma nova montadora, a Great Wall, fatos que renovam as esperanças acerca do ano novo que se avizinha.
A seguir, listamos 8 acontecimentos para entender o 2021 do setor automotivo e que tendem a ecoar em 2022:
1 – Ford encerra produção no Brasil ao custo de US$ 4,1 bilhões e 5 mil demissões
A Ford anunciou em janeiro o fim da produção no Brasil, após mais de um século de manufatura industrial no País, o que resultou na demissão de 5 mil empregados e custos de US$ 4,1 bilhões. A empresa informou que o impacto da pandemia de coronavírus aumentou sua ociosidade industrial em níveis considerados inaceitáveis, o que motivou a decisão para reduzir perdas.
2 – Mercedes-Benz confirma venda da fábrica para Great Wall
A Mercedes-Benz confirmou em agosto a venda da sua fábrica desativada em Iracemápolis (SP) para a chinesa Great Wall Motors (GWM), que ainda não tem uma operação oficial de comércio de veículos no País. De acordo com o comunicado divulgado para a imprensa, a negociação incluiu o terreno de 1,2 milhão de metros quadrados, juntamente com todos os prédios e os equipamentos de produção.
3 – Semicondutores afetam 14 fábricas no Brasil, com perda de produção de 220 mil veículos
O tamanho do estrago resultante da falta de semicondutores na produção de veículos cresceu no Brasil. Segundo acompanhamento regular da consultoria Auto Forecast Solutions (AFS), o país teve em julho oito fabricantes com 14 fábricas afetadas de alguma maneira pela escassez de chips desde março, que já levaram a reduções ou paralisações das linhas de 41 modelos, com perdas somadas até agora de quase 200 mil unidades.
4 – BMW investe R$ 500 milhões no País para produzir novos X3 e X4
A BMW anunciou em novembro que produzirá novos modelos na fábrica de Araquari (SC). Sem revelar quando, a montadora fabricará na unidade a nova geração dos modelos X3 e X4, além de um terceiro modelo que ainda está mantido em segredo. O desenvolvimento e os ajustes na linha de montagem demandam R$ 500 milhões, que serão aplicados ao longo dos próximos três anos.
5 – Volkswagen retoma lucro e confirma investimento de R$ 7 bi na América Latina até 2026
Com a volta à lucratividade confirmada em 2021 na América Latina, após quase uma década de prejuízos, a Volkswagen anunciou em novembro um novo ciclo de investimentos na região, de R$ 7 bilhões até 2026, que sucede o programa anterior também de R$ 7 bilhões aplicados de 2017 a 2020. Desta vez os aportes serão divididos entre as operações no Brasil e na Argentina.
6 – Renault investirá R$ 1,1 bi até 2022 para renovar produtos e introduzir motor turbo
A Renault divulgou em março um programa de investimento de curto prazo no Brasil, de R$ 1,1 bilhão até o primeiro semestre de 2022 para renovar cinco dos seus veículos produzidos no País, introduzir versões com novo motor turbo, que num primeiro momento será importado, e trazer mais dois veículos elétricos ao mercado brasileiro.
7 – Vendas sofrem efeito negativo de oferta e demanda, diz Anfavea
Sob efeitos negativos combinados de demanda retraída e falta de oferta de produtos a entregar, abril fechou com a venda de 175 mil veículos, em retração de 7,5% sobre março, foi um resultado considerado “bom diante das circunstâncias”, segundo classificou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes instalados no Brasil, durante a apresentação dos dados de desempenho da indústria em maio. A queda mensal é atribuída ao número menor de dias úteis do mês passado (20 contra 23), porque média de emplacamentos diários de 8.757 foi 6,3% maior do que a registrada em março.
8 – Montadoras temem prejuízo com nova lei de emissões, que pode ser adiada
A falta de componentes que tem provocado paradas de produção nas montadoras acendeu mais um sinal de alerta na Anfavea, a entidade que representa as fabricantes. Afora a questão do abastecimento, o tema da vez que preocupa está ligado à transição das fases L6 para L7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), que deverá ocorrer a partir de 1º de janeiro no segmento de automóveis e comerciais leves.