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Ônibus a gás para transporte de passageiros ainda depende de ESG

Vantagem na substituição do diesel só virá com escala e infraestrutura de abastecimento nas garagens
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Mario Curcio

12 jun 2025

3 minutos de leitura

A utilização do gás natural ou biometano no transporte coletivo ainda tem custo mais elevado do que o diesel e, por isso, depende do interesse de empresas e municípios que pretendam reduzir sua pegada de carbono. Foi o que ficou claro durante a apresentação do ônibus rodoviário Scania K340 4×2, que utiliza motor OC09, criado para a utilização de Gás Natural Veicular (GNV) ou biometano. Os ônibus Scania a gás custam entre 20% e 30% a mais que equivalentes a diesel.

“A expectativa é que o TCO [Custo Total de Propriedade] se torne mais próximo ao do diesel a partir do ganho de escala. E o custo do abastecimento também diminuirá no momento em que as empresas operadoras passarem a ter a infraestrutura de recarga na própria garagem, assim como já ocorre com o diesel”, afirma o gerente de vendas de soluções de mobilidade da Scania, Gustavo Cecchetto.

“Nessa condição, o retorno do investimento ocorre a partir do quarto ou quinto ano”, diz o executivo. Ele acredita que tanto as empresas que utilizam ônibus fretados como cidades e estados possam se beneficiar dos ônibus Scania movidos a gás.

ESG dá impulso à nova tecnologia

“As companhias que utilizam fretados se preocupam com o ESG. Prefeitos e governadores também têm compromisso com a descarbonização”, recorda Cecchetto. O diretor das concessionárias Quinta Roda, Roberto Mota, admite: “Hoje, o cliente tem de querer, porque o benefício é para o meio ambiente.”

O ônibus rodoviário Scania movido a gás foi cedido em comodato à empresa Santa Cruz, que vai utilizá-lo em um trajeto de menos de 100 quilômetros entre São Paulo e Campinas, no interior do Estado. Os cilindros de gás instalados no bagageiro (seis) totalizam 170 metros cúbicos e fornecem autonomia aproximada de 450 quilômetros. A carroceria é Marcopolo. Tem 14 metros e transporta 46 passageiros.

O motor utilizado tem cinco cilindros, nove litros e produz 340 cavalos. Ele é de ciclo Otto, assim como motores a gasolina ou etanol. Tem funcionamento mais silencioso e vibra menos que motores a diesel, o que traz uma vantagem adicional para os passageiros, especialmente em uso rodoviário.

A Scania produz motores a gás no Brasil desde o ano passado. Além deste, com cinco cilindros, há também o de seis cilindros e 13 litros.

O CEO da empresa Santa Cruz, Francisco Mazon, tem boa expectativa: “Sempre estamos dispostos a testar coisas novas na Santa Cruz, como tecnologias de pagamento e também de monitoramento. Vamos acompanhar o desempenho do ônibus a gás a partir do Fleet Management System, da Scania. Nos próximos dez dias ele estará em operação nesse trajeto até Campinas”, garante Mazon.

10 novas usinas Comgás de biometano até 2029

Segundo Henrique Penha, gerente executivo da Comgás, a empresa tem um plano voltado ao transporte pesado (caminhões e ônibus) que prevê 20 novos postos de abastecimento e a instalação de infraestrutura em 70 garagens.

“Também prevemos dez novas usinas de biometano até 2029, que permitirão a produção de 400 mil metros cúbicos por dia”, afirma Penha. Atualmente, a Comgás já tem uma usina desse tipo em Piracicaba (SP), que desde o ano passado produz 70 mil metros cúbicos/dia de biometano. O gás é direcionado à rede de GNV da empresa. A Comgás está presente em quase 100 municípios e tem 240 postos. No trajeto de São Paulo a Campinas existem seis postos com alta vazão.