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Para driblar Trump, Bosch cogita nacionalizar componentes no Brasil

Presidente da empresa nos EUA afirmou que se estuda a produção local de componentes que teriam como destino fábricas na Ásia
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Redação AB

09 jan 2025

2 minutos de leitura

Ao que tudo indica, a agenda política do próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve girar em torno das barreiras tarifarias para reduzirem ou bloquearem a entrada de produtos importados no país, sobretudo aqueles de origem chinesa.

A medida, que promete intensificar a batalha comercial com a China e demais países asiáticos, poderá deixar a indústria automotiva brasileira em evidência nesse contexto global, podendo servir como uma espécie de ponte ou atalho seguro em termos fiscais para a entrada de peças e partes nos EUA.

A possibilidade de utilizar esse fluxo comercial está sendo cogitada dentro da Bosch, gigante sistemista de origem alemã que praticamente atende a todas as montadoras de veículos do planeta.

À agência Reuters, Paul Thomas, presidente da operação norte-americana da Bosch, disse que a empresa já estuda cenários em diversos níveis de tributação de produtos importados nos EUA.

Disse também que um controlador eletrônico produzido na Malásia, por exemplo, poderia acabar sendo produzido no Brasil.

“Estamos pensando em fazer isso no México ou no Brasil, áreas onde já temos uma presença”, comentou o executivo à agência na quinta-feira, 9, durante a feira CES, que acontece em Las Vegas.

Exportações de peças Made in Brazil estão menores

Nesse sentido, o momento geopolítico poderá gerar oportunidades para uma série de outras sistemistas – que não tem matriz nos Estados Unidos – que também mantém operação por aqui, como é o caso da Mahle, Continental, Siemens, Valeo, dentre outras.

As exportações de autopeças produzidas no Brasil estavam em queda em novembro, último mês aferido pelo balanço do Sindipeças, a entidade que representa os fabricantes de componentes no país.

Os dados mostram exportações de US$ 7,2 bilhões até novembro, uma queda de 14% em relação ao mesmo período em 2023.

Os principais compradores de peças produzidas no Brasil são Argentina, que tem participação de 34,6%, com US$ 2,5 bilhões adquiridos até novembro, Estados Unidos (17,5%) e México (12%).

A Bosch tinha como projeção no ano passado aumentar o faturamento da sua operação na América Latina em até 12%, segundo o CEO local, Gastón Diaz Perez.

A projeção, caso tenha se concretizado em dezembro, vai representar uma espécie de virada: o faturamento registrado em 2023 na região, R$ 9,8 bilhões, havia sido 5% menor do que o visto em 2022.

De acordo com o executivo, os negócios realizados no setor automotivo são aqueles que devem impulsionar a receita da empresa neste ano. O segmento representa uma fatia de 65% da receita total da Bosch.