
A GWM pretende aumentar a sua gama de motores no mercado global, sobretudo com versões de combustão flex. As razões para isso são o aumento do consumo de etanol na China, expansão comercial no Brasil e, também, questões fiscais.
Durante o Salão de Pequim, a montadora informou que testa três versões de motores flex. Uma 1.0 cilindradas, outra 1.3 e outra 3.0, para aplicações em todos os mercados.
A estratégia por trás dos testes, que estão sendo realizados na China, envolve diversificação e redução tributária. Diversificar para a montadora significa ter mais opções de veículos no mercado sem promover muitas alterações na sua gama atual.
É como ter na concessionária uma ampla linha de Haval H6, por exemplo, sendo que em todas elas o conteúdo de equipamentos seja praticamente o mesmo, diferenciadas entre si apenas pelo tipo de motorização.
Muitas montadoras fizeram isso por décadas no passado. Quem não se lembra da linha Volkswagen Gol com versões 1.0, 1.3, e por aí vai, com o interior dos veículos muito similares?
Ter mais motores também representa pagar impostos menores em regiões como o Brasil, onde o nível de eficiência energética e de emissões estabelecidos por políticas públicas definem a tributação que incide sobre cada modelo vendido no país.
Aplicações no Brasil ainda não estão definidas
A montadora não confirmou aplicações do motor 1.0 flex no mercado brasileiro, ainda que tenha em seu line-up modelos compactos com forte aderência para tal, como é o caso do Ora 3 e o Ora 5, que já está à venda nas concessionárias da marca no Brasil. Um lote composto por 600 unidades importadas desembarcou recentemente no mercado sul-americano.
“A redução que se pode obter por meio da motorização é algo que nos interessa porque proporciona redução de custo expressiva por unidade produzida”, disse Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da montadora.
Ele menciona como exemplo a versão híbrida flex do Tank 300, também anunciada durante o salão na China. A aplicação desse motor proporciona uma redução de cerca de R$ 6 mil por unidade.
“Para um carro que custa R$ 342 mil é um valor de redução grande que também nos ajuda a manter o preço em um bom patamar de mercado”, comentou o executivo.
De acordo com Andre Leite, diretor de produto da GWM, as atuais plataformas sobre as quais são construídos os veículos GWM possuem algumas pequenas restrições que inviabilizam por enquanto a aplicação de motores flex.
De forma que, pelo menos por enquanto, os motores que estão sendo testados pela fabricante estariam distantes dos modelos que a empresa vende no Brasil.
“Tem uma outra questão”, completa Ricardo Bastos. “Ainda precisamos estudar a regulamentação para depois disso escolher quais modelos poderiam ser equipados com motores 1.0 e 1.3”, disse.
China também impulsiona demanda por motores flex
Seja como for, os motores flex dentro do universo GWM são algo também de suma importância na estratégia da empresa em seu mercado doméstico, a China.
Segundo Bastos, existe quase “um Brasil” dentro da China que demanda gasolina com etanol em sua mistura. “Apesar da política de eletrificação total, cada província chinesa tem o seu planejamento e tem um população do tamanho da brasileira que ainda usa veículos com motor de combustão”, contou o executivo.
A importância dessa estratégia envolvendo motores é tamanha que a empresa afirmou durante o Salão de Pequim que terá um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil para testar propulsores. Assim como os motores, pesquisa também dá acesso às montadoras a certos incentivos fiscais.
