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Semicondutores

Para evitar parada na produção de veículos, governo tenta importar chips da China

Montadoras podem ter linhas paralisadas em duas semanas e MDIC vai pleitear que Brasil fique de fora do embargo chinês
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Redação AB

28 out 2025

2 minutos de leitura

Alckmin se reuniu com o presidente da Anfavea Igor Calvet (à esquerda do vice-presidente) e outros representantes da indústria – Foto: Júlio César Silva/MDIC

O fantasma da crise dos chips automotivos voltou com força e representantes do Governo Federal e da cadeia automotiva tiveram uma reunião de urgência nesta terça, 28. No encontro, o vice-presidente e ministro da indústria Geraldo Alckmin afirmou que já iniciou um diálogo com a China para tentar reverter o embargo chinês na produção de semicondutores.

Com a presença de representantes da Anfavea, Sindipeças, sindicatos de metalúrgicos e sistemistas, a reunião foi marcada devido à iminência de uma parada na produção de veículos do país, já em novembro, por causa da escassez de chips.

Falta de chips pode parar produção de veículos

A crise no fornecimento do componente voltou a bater à porta após a China impor restrições à exportação de semicondutores em represália ao fato de o governo holandês ter assumido o controle da chinesa Nexperia. O motivo: a empresa foi acusada de fazer transferência de tecnologia para a China,.

Segundo Uallace Moreira, secretário de desenvolvimento industrial do Ministério da Indústria (MDIC), o Governo Federal tenta um diálogo com as autoridades chinesas para que o Brasil fique de fora dessas restrições no fornecimento de chips para veículos.

“O vice-presidente Geraldo Alckmin já ligou para o embaixador chinês aqui no Brasil para poder fazer o início da negociação das conversas. Ao mesmo tempo, já ligou para o embaixador brasileiro na China para tratar do Brasil nessa crise de caráter geopolítico que não tem nada a ver, absolutamente nada com o Brasil”, explicou.

Chips da Nexperia servem a veículos flex

O secretário explicou que a Nexperia responde por 40% do mercado global de semicondutores. E que é um importante fornecedor para os veículos flex feitos no Brasil.

Neste contexto, o governo e os representantes da indústria automotiva afirmam que se não houver uma solução em um curto espaço de tempo, podem ocorrer paralisações em algumas montadoras dentro de duas a três semanas.

“A gente está falando de um setor que corresponde a 20% da indústria de transformação, que é o setor automotivo, incorporando aí toda a cadeia. A paralisação desse setor significa impactar diretamente mais ou menos 130 mil empregos diretos e 1,3 milhão indiretos”, ressaltou Uallace Moreira.

Ainda de acordo com o secretário, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, garantiu que vai levar a demanda ao governo chinês.

“O Brasil se compromete na compra do chip para oferta do mercado interno, sem interesse nenhum em exportar para outros mercados. Ou seja, o Brasil se compromete em assumir a rastreabilidade da compra desse chip. E isso é fácil de ser feito”, afirmou o secretário do MDIC.