logo

carros usados

Preços dos carros usados estagnam e sugerem desaceleração do mercado

Índice de mercado aponta juros altos e concorrência chinesa interferindo no cenário

Author image

Redação AB

04 set 2026

3 minutos de leitura

Índice do Banco BV para carros usados
Banco BV avalia variação nos preços de carros usados

O preço do carro usado ficou praticamente estável em agosto, com uma queda de apenas 0,01% frente ao resultado de julho.

É o que diz o IBV Auto, índice de preços do banco BV que analisa os valores dos veículos seminovos leves no Brasil.

O resultado de agosto foi o menor número mensal desde abril de 2024, quando houve recuo de 0,51%.

Resultado indica desaceleração nos preços dos carros usados

O índice também reforça a desaceleração iniciada em julho, quando o indicador avançou apenas 0,07%. Segundo o BV, trata-se de um indício de que os preços dos usados estão praticamente estagnados.

No acumulado de 2026, o IBV Auto registra alta de 3,55%, ante 3,74% no mesmo período de 2025. Em 12 meses, a valorização caiu de 6,10% para 5,12%.

Caso os preços permaneçam próximos da estabilidade, a tendência é de nova desaceleração do resultado acumulado em 12 meses.

Preços dos carros usados afetados por juros e marcas chinesas

De acordo com o BV, a variação negativa dos preços dos carros usados pode ser justificada por alguns fatores.

Entre eles estão um cenário de juros ainda elevados, maior comprometimento da renda das famílias e aumento da inadimplência, somados à perda de força da demanda.

“A ligeira queda de agosto confirma a perda de ritmo dos preços dos carros usados. A desaceleração da atividade, a Selic em patamar restritivo e a forte concorrência no mercado de veículos novos ajudam a explicar esse movimento, ainda que com alguma defasagem”, afirmou Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.

Jamil Ganan, vice-presidente de varejo do banco BV, afirmou que a vinda das marcas chinesas também contribuiu para o novo cenário.

“Essa mudança acompanha, ainda que com algum atraso, a forte concorrência entre os veículos novos e a chegada de novas marcas e modelos no mercado nacional. Embora ainda existam diferenças regionais, a tendência é de disseminação da desaceleração”, disse.

Ka e Mobi lideram quedas de preços em agosto

Os modelos de carros usados com maior desvalorização em agosto foram Ford Ka (-2,27%), Fiat Mobi (-2,06%) e VW T-Cross (-1,66%).

Na outra ponta, Fiat Uno (+1,68%), VW Fox (+1,39%) e Toyota Corolla (+0,51%) registraram as maiores altas.

Sul e Sudeste registram queda

A região Sul teve a maior queda em agosto (-0,44%), contrastando com a alta de 0,22% do mês anterior.

O Sudeste também recuou, com variação de -0,11%. Já o Centro-Oeste teve a maior alta (+0,81%), acelerando frente aos 0,29% de julho. Nordeste e Norte também tiveram avanços mensais, de 0,62% e 0,03%, respectivamente.

No total, 19 dos 27 estados tiveram alta e oito apresentaram queda.

São Paulo tem uma das menores altas em 12 meses

No período acumulado de 12 meses, Rio de Janeiro (+6,28%), Sergipe (+6,18%) e Mato Grosso (+6,15%) lideram as altas.

Santa Catarina (+3,20%) e São Paulo (+3,33%) apresentam os menores avanços, com diferença de cerca de três pontos percentuais entre os extremos.

Vale destacar que São Paulo tem peso relevante na composição do IBV Auto, o que explica a maior percepção de queda de preços dos carros usados em comparação ao resto do país.

Elétricos seguem mais depreciados, mas resultado tem poucos chineses

O banco afirmou que os carros elétricos seguem com as maiores perdas de valor de revenda.

Entre os modelos ano 2023, a desvalorização acumulada até agosto chegou a 46,15%, ante 26,36% dos híbridos e 21,72% dos veículos a combustão comparáveis.

Importante destacar, porém, que a amostra de veículos elétricos da safra 2023 ainda tem baixa participação de modelos chineses lançados recentemente no Brasil.

Por isso, o resultado não deve ser interpretado como retrato do comportamento atual dessa nova geração de veículos no mercado de usados.