
Pais gostam de repetir o nome em seus filhos. Para muitos, isso é démodé ou falta de criatividade. Para a indústria automotiva pode servir de recurso que economiza tempo e, ao mesmo tempo, homenageia outros veículos do passado.
Só que aqui não falamos de uma segunda geração que mantém o nome da primeira – ou segue em linha sucessória eterna, como o Toyota Corolla ou o Volkswagen Golf. Falamos de modelos que, depois do hiato de até décadas, veem seus registros sendo usados – muitas vezes sem cerimônias ou pudores.
Nomes de carros homenageiam, mas nem sempre repetem a história
Isso porque, muitas dessas homenagens nem sempre são em modelos que têm alguma familiaridade com o original, seja em proposta, motorização e até carroceria. Separamos alguns exemplos recentes de carros que resgatam nomes famosos – em alguns casos – do passado.
Chevrolet Sonic

O recém-lançado SUV da General Motors resgata um nome bem usado pela fabricante. Por aqui, ficou conhecido pelo hatch e sedã inicialmente importados da Coreia do Sul em 2012 – em mercados latino-americanos, foi tratado como a nova geração do Aveo. Em 2013, passou a ser trazido do México.
O Sonic tinha motor 1.6 16V e opções de câmbio manual ou automático, sempre de seis marchas. Apesar de ser um bom carro e do conjunto mecânico bem calibrado, o posicionamento e o design pouco convencional do modelo fizeram-no ter vida curta.
Hoje, o Sonic é o nome do novo SUV de entrada da Chevrolet lançado no primeiro semestre de 2026. Usa motor 1.0 turbo de até 115 cv com caixa automática de seis marchas.

Ford Maverick

Aqui um exemplo de resgate de nome em um carro que nada tem a ver com seu original. Quem viveu os anos 1970 e 1980 tem no Maverick uma espécie de ícone de esportividade – a despeito de o carro ter sido um fracasso em vendas à época e hoje valer seis dígitos no mercado de clássicos.
O Maveco foi um cupê estadunidense vendido e fabricado no Brasil por menos de 10 anos. Décadas depois, o nome do carro foi reaproveitado para batizar uma… picape. Pois é, a primeira picape intermediária da Ford, feita sobre monobloco e com base na plataforma do Focus, foi batizada com o nome famoso.
Hoje, a Ford Maverick é importada do México. Por aqui, é vendida em versões a combustão – nas opções Black e Tremor – e híbrida.

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Ram Dakota

A Stellantis pegou a Fiat Titano para criar uma picape um pouco mais sofisticada e honrar a marca Ram. E foi recorrer a um nome do passado para embalar o novo produto. Sim, a Dakota já tinha sido uma picape, sob o emblema da Dodge, nos anos 1990 e 2000.
De fato, a Dodge Dakota nasceu em 1986 nos Estados Unidos. A segunda geração é que foi montada em Campo Largo (PR) a partir de 1998, com opção de cabine estendida e motores quatro-cilindros e V6.
Seu design, inspirado na então Dodge Ram (a marca ainda não tinha ganhado vida própria) e diferente das picapes médias de então, fez sucesso. A linha ainda teve direito a uma versão R/T com um vê-oitão para ninguém botar defeito.
Só que lá em 1998, poucos meses antes da estreia da Dakota “nacional”, a Daimler (dona da Mercedes-Benz) comprou o Grupo Chrysler (dono da Dodge e da Jeep). A operação local foi afetada. Para se ter ideia, as picapes chegaram a ser vendidas em concessionárias Mercedes, começaram a faltar peças de reposição e os preços de revisões dispararam.
Até a versão Quad Cab da Dakota nasceu em 2001 já ciente do seu destino. Em 2001, a DaimlerChrysler encerrou a linha de montagem paranaense.

Chevrolet Spark

O Spark original foi apresentado globalmente no Salão de Genebra de 2009, inspirado no conceito Beat que deu as caras no Salão de Detroit dois anos antes. Era um projeto de compacto urbano de origem sul-coreana e baseado no Daewoo Matiz (a GM era dona da fabricante).
Uma geração anterior do hatch já rodava com esse nome em mercados sul-americanos e asiáticos. Mas foi essa fase global do Spark que chegou à Europa em 2010, com motores 1.0 e 1.2 e a nova identidade visual da marca estadunidense.
Corta para 2025 e a GM resolveu trazer para o Brasil o jipinho elétrico Baojun Yep Plus, fruto de sua parceria na China com a Saic. Com o nome original pouco inspirador, a montadora optou por batizar o carro aqui com o nome Spark, além de botar a gravatinha da Chevrolet e iniciar a montagem em SKD no Ceará.

Mitsubishi Eclipse Cross

Se teve um carro que fez a cabeça de endinheirados, jogadores de futebol, celebridades e entusiastas naquela overdose de importados dos anos 1990 foi o Eclipse. O belíssimo cupê foi um dos primeiros carros a chegar por aqui após a abertura das importações.
Usava plataforma da Chrysler (parceira da Mitsubishi) e tinha motor aspirado e turbo – de 192 cv. A segunda geração foi lançada por aqui em 1995 ainda mais arisca: 213 cv, mas o ápice veio nos anos 2000.
A terceira geração do cupê da Mit carregou motor V6 de 203 cv. Tinha freios a disco nas quatro rodas, suspensão traseira multibraço, câmbio automático de quatro marchas e fazia o 0 a 100 km/h na casa dos 7 segundos.
O mais potente dos Eclipse que o Brasil conheceu surgiu na quarta geração, em 2007. Agora sob arquitetura própria da fabricante japonesa, usava um 3.8, também V6, aliado a um câmbio manual de seis marchas e com 267 cv de potência. Mas durou dois anos por aqui.
De olho nessa trajetória, dá para entender por que os puristas torceram o nariz quando a Mitsubishi resolveu pegar o termo Eclipse e colocar um sobrenome Cross para batizar seu novo SUV médio. O modelo foi lançado em 2017 e passou a ser montado em Catalão (GO) dois anos depois.
Não tem nada a ver com o antigo Eclipse, obviamente. Nem mesmo no conjunto mecânico, já que o SUV usa um motor 1.5 turbo pacato de 165 cv aliado a um comportado câmbio CVT. Lá fora, o nome Eclipse ainda é usado para um crossover elétrico.

Chevrolet Blazer

Olha a GM mais uma vez resgatando nomes aí! Desta vez, não é uma adaptação da filial, não. Nos Estados Unidos a fabricante lançou o Blazer em uma versão elétrica. Ao menos, é um SUV como o original que marcou época aqui e lá fora nas décadas de 90 e 2000.
Vale lembrar que quando a S10 ganhou a segunda geração no Brasil, em 2012, sua derivação utilitário esportivo deixou de se chamar Blazer para ser batizada de Trailblazer. O que facilitou a vida do Blazer, agora elétrico, que começou a ser importado para cá em 2024 em versão única RS com 347 cv e alcance de 481 km.

Ford Mustang Mach-E

Mais um elétrico, e outro que fez muito purista revirar os olhos. Em 2019, a Ford teve a ousadia de usar o nome de seu carro mais icônico em seu primeiro SUV puramente movido a baterias.
Assim nasceu o Mustang Mach-E no Salão de Los Angeles de 2019. E a Ford conseguiu o que queria: chamar a atenção para um elétrico com nome de um modelo emblemático na história da indústria automotiva, independentemente da saraivada de críticas.
De fato, ele não é um Mustang. Nem mesmo um SUV. Porém, é um crossover que pôs a Ford em evidência no universo da eletrificação. É vendido no Brasil desde 2023 em versão GT Performance com 487 cv de potência.

