
Promover um intercâmbio social, diverso e duradouro. De forma bem resumida, este demonstra ser o intuito do Grupo BMW com o Intercultural Innovation Hub (IIH) nas palavras de Ilka Horstmeier, membro do Conselho de Administração da fabricante. Há 20 anos o projeto reconhece ações inclusivas em nível mundial, com parceria com a ONU e premiações nos últimos oito anos.
Além de membro do Conselho, Ilka é diretora de Recursos Humanos, Instalações e Relações Trabalhistas da BMW e uma das patronas do IIH. Durante a cerimônia de premiação de 2023, em Berlim (Alemanha), ela conversou com a Automotive Business sobre o caráter e os propósitos da iniciativa.
A executiva destacou as mudanças recentes do IIH, não só de nome (se chamava Technological Innovation Award), mas também no sistema de investimento. O reconhecimento do hub vai além do dinheiro para as organizações escolhidas, que recebem também orientação de profissionais e são estimulados a se integrarem com outros projetos.
“Todas essas pessoas mostram muita criatividade nas suas iniciativas e na forma como impactam suas comunidades, além de grande liderança, e não é so questão de rankings e titulos. É uma questão de atitude e comprometimento”, afirma Ilka.
Automotive Business: Como surgiu a ideia do hoje Intercultural Innovation Hub?
Ilka Horstmeier: Começamos há cerca de vinte anos e a ideia original era encorajar pessoas a terem mais engajamento em conversas interculturais, sobre diversidade e problemas de tolerância. Hoje, estamos no oitavo prêmio e, com isso, vamos somar 81 prêmios. E com tudo que essas organizações impactam, ajudamos cerca de seis milhões de pessoas.
Como vocês chegaram a esse número?
Esse número é estimado, porque quando fazemos algo, fazemos por um longo período de tempo. Então, nossas ações sociais são de longa duração e temos de fazer a análise do impacto como um todo. E fico muito feliz por termos essa organização em parceria com a aliança das Nações Unidas, o que mostra que essa parceria tem a chance de reunir boas organizações. Nesta última edição foram 900 organizações que se candidataram e foi uma tarefa difícil para os jurados chegarem aos dez vencedores.
Como se dá o apoio e investimento aos projetos escolhidos?
Para nós é muito importante ajudar essas organizações, não somente com os prêmios. Isso foi uma coisa que mudou. No começo nós dávamos apenas o dinheiro para essas organizações. Essa não é a intenção do prêmio. A ideia é que possamos apoiar essas organizações por muito tempo. As vencedoras desta edição vão entrar em um programa de um ano conosco em nossa central, onde vamos focar nas suas necessidades. Até porque cada organização é diferente: uma está iniciando, outra precisa de aprimoramento, outra precisa de financiamento. São diferentes tópicos que temos que abordar, então fazemos uma análise de necessidades com eles, e, baseado nessas análises, eles ganham a ajuda necessária de nós naquela parte específica. No nosso engajamento social nós não damos só dinheiro, nós queremos compartilhar nosso conhecimento, queremos engajar todo o pessoal e, claro, queremos compartilhar nossa network.
Isso também explica a mudança do nome?
Mudamos o nome, pois isso não é somente um prêmio com uma cerimônia, mas muito mais. O trabalho que vamos criar junto com os premiados e, no futuro, conseguir conectar todos os pontos. Esses foram os motivos de mudarmos o nome do prêmio. E é muito bom termos organizações conectadas por todo mundo. Como disse, são 81 organizações que se beneficiam mutuamente, se beneficiam pelo network de líderes globais e da BMW e, claro, podem se beneficiar agora do programa de um ano. Nossos premiados vão ter dez bolsas de estudos para esse ano e nós já temos as dez do ano passado, para que eles multipliquem conhecimento e construam uma comunidade mais forte.
Quais são os critérios para a escolha dos melhores projetos?
Avaliamos muitas coisas das organizações. Há quanto tempo eles atuam, o impacto que geram e, ainda, não só o que eles já conseguiram, como também o que eles pretendem para o futuro, uma ideia do que eles almejam nos próximos cinco ou dez anos. É importante também a análise do processo em geral e como a nossa iniciativa beneficiaria as ações. Um outro tópico é que vamos empoderá-los, ajudá-los a passar dessa iniciativa e, além disso, exportar essa iniciativa, incrementá-la em outro contexto, por exemplo, em outros países, ou, se no mesmo país, em outra região. Todas essas informações são importantes na candidatura. E, claro, o principal problema tratado: entendimento intercultural, igualdade de gênero e a criação de uma sociedade inclusiva.
E quais áreas essas instituições devem atender?
Como eu disse, duas coisas que mudaram ao longo dos anos: em vez do prêmio em dinheiro, investir o dinheiro em capacitação. Segunda coisa, mudar o nome, transformando realmente em um Hub. E a terceira coisa, que é muito importante para nós, é que focamos um pouco mais nos tópicos e a BMW está realmente focada nas responsabilidades sociais. Temos quatro campos em que atuamos. Responsabilidade social, educação, diversidade e entendimento intercultural e esportes e cultura. Todas essas pessoas mostram muita criatividade nas suas iniciativas e na forma como impactam suas comunidades, além de grande liderança, e não é só questão de rankings e títulos, é uma questão de atitude e comprometimento.
O papel da ONU é fundamental neste objetivo de integração do IIH?
As nações unidas nos oferecem o network deles, então é totalmente global, está aberto a todos. Veja que temos dez países diferentes aqui entre os vencedores, que são verdadeiramente diversos em questão de originalidade do projeto. Temos Africa do Sul, Austrália, Indonésia, Jordânia, Israel, Brasil, Colômbia, Guatemala, México e Alemanha. É importante para nós que eles trabalhem juntos, por isso nós temos esse trabalho de conectá-los para que, no futuro, trabalhem juntos e colaborem entre si.
Dentro desta visão a longo prazo, no que o IIH pode melhorar?
Acho que sempre temos de evoluir e cada ano pensamos em como podemos impactar ainda mais. Eu penso que seis milhões de pessoas já é muito, em mais de cem países, mas claro que nossa intenção é crescer ainda mais para usar essa ideia do Hub ainda melhor no futuro. Porque somos uma organização muito forte e, por exemplo, quem nós premiamos lá no começo ainda está ativo e planejando para o futuro. Então, a ideia do Hub realmente significa não só ajudar no que necessitam agora, e sim ajudar na criação de uma organização ou projeto duradouro.
