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Proálcool 50 anos: 5 fatos sobre o programa que inseriu o etanol no mapa automotivo

Criado em 14 de novembro de 1975, programa federal estimulou a produção local do combustível e pavimentou a chegada de novas tecnologias de motores
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Redação AB

14 nov 2025

3 minutos de leitura

O ano era 1973 e o mundo estava em meio a uma crise energética sem precedentes, com o preço do petróleo indo às alturas por causa da combinação de uma série de eventos geopolíticos no Oriente Médio, como a Guerra do Yom Kippur e o embargo da OPEP, a organização dos produtores de petróleo.

Enquanto o mundo buscava alternativas aos combustível, eis que em 1975 o Brasil desponta com um programa pioneiro em termos de descarbonização: o Programa Proálcool, que há exatos 50 anos iniciava por aqui a jornada do etanol como combustível de massa e que hoje desempenha forte papel da redução de emissões.

Sem gasolina, o governo federal decidiu investir na produção do biocombustível, transformando um setor tradicionalmente agrícola em uma engrenagem fundamental para a segurança energética nacional. Esse movimento envolveu desde incentivos para expansão das usinas até a reestruturação da indústria automobilística, que precisou adaptar motores e tecnologias.

A criação do Proálcool também representou uma inflexão no modo como o país encarava seu potencial produtivo. Em vez de apenas responder a uma crise imediata, o programa abriu espaço para uma política de longo prazo baseada em recursos renováveis.

A cana-de-açúcar tornou-se protagonista de uma cadeia industrial que gerou empregos, impulsionou o desenvolvimento regional e colocou o Brasil na vanguarda dos chamados combustíveis verdes. Abaixo, listamos 5 fatos sobre como esse programa influenciou a indústria automotiva, sobretudo nos anos 1980.

1. Brasil como líder mundial na produção de etanol

Com os investimentos do Proálcool, o Brasil assumiu rapidamente posição de liderança mundial na produção e no uso de etanol como combustível, criando um setor economicamente robusto e tecnologicamente avançado. Usinas ampliaram sua capacidade produtiva, novas unidades foram construídas e técnicas agrícolas de manejo da cana foram aperfeiçoadas.

A expertise desenvolvida ao longo das décadas consolidou o etanol brasileiro como um dos biocombustíveis mais eficientes do mundo, graças ao alto rendimento energético e ao balanço ambiental favorável. O país passou a exportar não apenas o produto, mas também conhecimento técnico, equipamentos e modelos de produção.

2. Os primeiros carros movidos a etanol

Um dos momentos mais emblemáticos do programa foi o lançamento dos carros movidos exclusivamente a álcool no início dos anos 1980. Incentivos governamentais e preços competitivos fizeram com que esses veículos chegassem a representar mais de 90% das vendas em 1986. A popularização dos carros a etanol transformou hábitos de consumo, reposicionou a indústria automobilística nacional e modificou a infraestrutura de abastecimento, com postos passando a oferecer bombas dedicadas ao novo combustível.

3. Fiat 147, o cachacinha, primeiro veículo movido a etanol

O Fiat 147, apelidado de cachacinha em 1979, foi o primeiro carro de produção em série no mundo fabricado para rodar exclusivamente com etanol. O modelo abriu caminho para toda a indústria automobilística e se tornou um marco histórico. Seu sucesso inicial mostrou que o combustível poderia ser viável em larga escala.

Depois vieram outros modelos clássicos movidos a etanol, como o Volkswagen Gol (1980), o Chevrolet Chevette (1980-81) e o Ford Corcell II (1980).

4. Preparação para o motor flex

O legado tecnológico do Proálcool se aprofundou décadas depois com o desenvolvimento dos motores flex fuel, lançados em 2003. Essa inovação, que permite ao consumidor escolher livremente entre etanol e gasolina ou usar ambos em qualquer proporção, reforçou a presença definitiva do etanol na matriz energética.

5. Legado no meio ambiente

O Proálcool também produziu fortes impactos sociais, econômicos e ambientais. Gerou centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, dinamizou regiões canavieiras e estimulou pesquisas sobre eficiência energética e redução de emissões. Tanto que hoje é praticamente onipresente nos discursos voltados para descarbonização da frota circulante, tamanha é a sua relevância nesse sentido.