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Mercado

Produção de motocicletas no semestre é a maior desde 2011

Alta demanda impulsiona setor que avança nas vendas e exportações e projeta 2 milhões de unidades fabricadas até o fim de 2026

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Karen Sousa

13 jul 2026

4 minutos de leitura

Fábrica de motos da Honda em Manaus (AM)

A produção de motocicletas no Brasil bateu recorde no primeiro semestre de 2026, apresentando o maior volume para o período desde 2011. Com 1.063.397 unidades produzidas nos seis meses, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) registraram uma alta de 6,3% em comparação com o primeiro semestre do ano passado.

Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), na segunda-feira, 13.

Segundo o presidente da entidade, Marcos Bento, o resultado é explicado pela alta demanda por esses veículos no país, com os usuários abrindo mão do trasporte público ou fugindo dos preços dos automóveis, por exemplo.

No entanto, em relação ao mês de junho de 2026, foi observada uma retração da produção de 30% em comparação com o mês de maio e de 15% em relação a junho do ano passado. Segundo o presidente da associação, a queda tem como fator principal as férias antecipadas nas fábricas, motivadas pelas folgas geradas com os jogos do Brasil na Copa do Mundo.

Aumentou produção de motos de alta cilindrada

Analisando os resultados das montadoras por categorias, as de baixa cilindrada registraram a maior produção nos primeiros seis meses de 2026. Com 831.213 unidades fabricadas, o número corresponde a mais da metade do volume total e teve um crescimento de 5,5% em comparação ao primeiro semestre do ano passado.

O segundo maior volume de produção foi o das motocicletas de média cilindrada, com 199.899 unidades produzidas no primeiro semestre. O resultado representou alta de 5,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já as de alta cilindrada registraram o maior crescimento percentual em comparação a 2025, crescendo 37,2%. Nesse segmento, foram produzidas 32.285 unidades.

Vendas de motos aumentaram em 14%

Os emplacamentos de motocicletas também seguem o movimento de alta. Entre janeiro e junho, foram licenciadas 1.174.344 unidades, um volume 14,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com 1.029.549 unidades comercializadas.

Em junho, foram emplacadas no mercado 194.249 unidades, um resultado 1,8% inferior ao mês de maio. Em comparação a junho de 2025, no entanto, o número representa uma alta de 8,3%.

Por região, o varejo de motocicletas teve destaque no Nordeste e Sudeste do país, que registraram um total de 384,4 mil e 383,6 mil vendas, respectivamente. A região Sul foi a terceira no ranking de varejo, com 155 mil vendas, seguida pelo Norte, com 141,3 mil vendas de motos, e pelo Centro-Oeste, com 110 mil.

Exportações registraram aumento de quase 30%

De janeiro a junho deste ano, as fabricantes de motocicletas instaladas em Manaus exportaram um total de 24.084 unidades, 29,4% a mais em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 18.611 motocicletas.

Somente em junho, os embarques para o exterior alcançaram 4.990 motocicletas, um crescimento 19,7% em comparação a maio e de 62,8% em relação a junho de 2025.

Dentre os países para onde o Brasil exporta as motocicletas, a Argentina é o principal deles sendo responsável por 41,9% das exportações somente no acumulado de 2026. Os Estados Unidos é destacado como segundo país que mais compra motos do Brasil, com 19,7% de participação, seguido pela Colômbia, que compra 4,8% das motocicletas exportadas.

Setor projeta crescimento ainda maior até o final de 2026

Com os destaques positivos na produção e comercialização de motocicletas, as projeções do setor são otimistas. As fabricantes esperam que a produção total do ano seja de 2.070.000 unidades.

“Depois de um longo tempo vamos superar a marca de 2 milhões de unidades. No primeiro semestre já superamos 1.063.397 e estamos prontos para atender a expectativa de crescimento do mercado”, disse Marcos Bento.

O presidente destacou que o setor também se prepara para uma alta de vendas, especialmente com o programa Move Brasil para a categoria de motos. “Estamos nos preparando para receber esses clientes, lembrando que após o cadastramento, cada cliente deve passar pela aprovação de crédito das instituições financeiras”, completou.