
Em meio à tempestade, um raio de sol é o bastante para renovar as esperanças. É mais ou menos o que acontece com as exportações de veículos produzidos no Brasil.
As vendas externas continuam em queda no acumulado do ano. De janeiro a setembro foram mais de 284 mil unidades embarcadas, número 12% abaixo do verificado no mesmo período de 2023.
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Porém, o desempenho no terceiro trimestre empolgou a Anfavea, a associação das montadoras. Nos últimos três meses o país mandou 119 mil veículos para fora. Desempenho superior aos dois trimestres iniciais, quando foram vendidas 86 mil (janeiro-março) e 82 mil (abril-junho).
“As exportações se apresentam como um desafio. Estão abaixo do que foi ano passado, mas têm apresentado reação importante”, disse o presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite, durante apresentação dos números do setor nesta segunda, 7, em Brasília (DF).
Mercados vizinhos ajudam na reação das exportações de veículos
A associação ainda não arrisca novas projeções para as exportações de veículos. Porém, esboça uma esperança de que o número fique próximo às quase 404 mil unidades na totalidade de 2023.
“Vamos conseguir recuperar? Ainda não sabemos. Mas o mercado tem crescido, principalmente o da Argentina, e os da América Latina também têm respondido bem”, afirmou Marcio.
“O desafio permanece, é grande, mas a situação é menos pior do que tinha apresentado anteriormente. É provável que o ano não se encerre com o mesmo número de exportações de 2023, mas também é provável que não fique longe”, completou o executivo.
Apenas em setembro, as exportações de veículos superaram as 41 mil unidades. O número foi quase 9% superior ao de agosto e 51% maior que o total embarcado em setembro do ano passado.
Importações continuam a pedra no sapato
Mais uma vez a Anfavea reclamou do aumento nas importações e do estoque elevado de marcas chinesas. No acumulado do ano, 322 mil veículos foram trazidos de fora, aumento de quase 36% em relação ao mesmo recorte de 2023.
“É um número perigoso porque começa a ter uma balança comercial negativa do setor”, disse o presidente da Anfavea.
Destes, 47% foram provenientes da Argentina. A China, contudo, se estabelece como segundo entre os maiores países exportadores de veículos para o Brasil, com 25% de participação.
Ao todo, mais de 81 mil veículos vieram do país asiático. O que significa 290% a mais do que a China mandou de carros para cá entre janeiro e setembro de 2023.
Marcio de Lima Leite citou novamente o estoque elevado de 80 mil veículos chineses, o que significaria nove meses de vendas com base na média de licenciamentos dos modelos eletrificados vindos do país.
Ele também afirmou que esse volume de veículos parados nos pátios dos portos tem atrasado a entrega de matérias-primas que as montadoras usam na produção nacional. O que elevou os custos para as fabricantes.
“Isso tem retardado em até três semanas as importações de insumos e a alternativa tem sido buscar fretes aéreos e isso acaba resultando em elevação muito considerável de custos para os fabricantes. Temos de perder algumas horas de sono e achar solução para esse gargalo”, completou.
