
A frota de veículos das locadoras associadas à Abla, a entidade que representa parte do setor no país, deverá encerrar o ano 6,5% maior do que aquela registrada no acumulado do ano passado. O volume segundo a projeção divulgada na terça-feira, 26, é de 6,3 milhões de unidades.
O resultado mostra que os tempos de pandemia ficaram para trás, quando as locadoras se viram na obrigação de tocar o barco com uma frota envelhecida, uma vez que as montadoras, com produção oscilante, não tinham como atender às suas demandas por modelos novos.
O apetite por veículos zero quilômetro, portanto, voltou no setor. As projeções da Abla mostram também que até dezembro devem ser emplacados 620 mil veiculos novos, um volume que superou em 5% aquele visto no acumulado do ano passado.
Ainda que o cenário seja de crescimento, contudo, as locadoras representadas pela associação demonstram preocupação acerca de 2025.
Isso porque automóveis e comerciais leves ficaram cada vez mais caros nos últimos anos, e a tendência deverá seguir no ano que vem. Isso implica na captação de mais recursos para que o processo de renovação de frota, tão estratégico para esse setor, se torne mais oneroso.
“O preço dos veículos aumentou seguindo a inflação, e isso obviamente exerce pressão nos nossos investimentos”, disse Marco Aurélio Gonçalves, presidente da Abla.
Investimentos crescem, já o faturamento…
De acordo com ele, desde 2018 o faturamento do setor é menor do que o volume de investimentos despendido pelas empresas de locação. O que mostra, de certa forma, que há um certo descolamento entre os recursos aportados e as possibilidades de receitas maiores.
Ao longo do ano as locadoras deverão desembolsar R$ 68,7 bilhões na compra de novos veículos, 4,2% a mais do que no ano passado.
Como o volume de dinheiro que sai é menor do que aquele que entra no caixa, as locadoras, portanto, precisam recorrer ao mercado financeiro para angariar os recursos necessários para renovarem suas frotas – já mencionei aqui, mas nunca é demais repetir o quão importante é isso a esses frotistas.
O problema é que o custo do dinheiro no mercado está alto, segundo o presidente da Abla, que citou o patamar atual da taxa Selic como algo que chama a atenção do setor. Se o dólar ficar mais caro do que já está, disse Gonçalves, o custo financeiro ficará ainda maior.
“Nesse caso não terá como não passar o custo para o preço final”, projetou o presidente da associação.
O veículo mais caro levou as locadoras a aumentaram a participação dos modelos compactos em suas frotas, um movimento contrário ao processo de “SUVização” pelo qual passou o setor nos últimos anos. A medida ocorre por conta dos custos de aquisição dos modelos.
A entidade não precisou qual é o tamanho atual da fatia que diz respeito aos modelos compactos na frota total das suas associadas.
