
A Honda renovou o compacto City, que chega maior e com novidades no seu design na linha 2027, apresentada ao mercado na sexta-feira, 30. O modelo parte de R$ 117.700 nas opções de carroceria hatch ou sedã.
Esta foi a primeira grande mudança de estilo do modelo, cuja geração atual foi lançada no final de 2021, com início de vendas em janeiro de 2022.
A Honda enxerga que os hatches e sedãs seguem com espaço cativo no mercado, ainda que os números de emplacamentos indiquem uma predominância dos modelos SUVs entre os consumidores.
“A gente vê que clientes que buscam um hatchback às vezes o fazem por ser compacto, por realmente caber na sua vida ou até mesmo pela preferência da carroceria em si”, disse o gerente de planejamento de produto Douglas Giatti.
“E a mesma coisa no sedã. A gente conversa com os clientes e, quando perguntamos se existe uma intenção de mudar para o SUV, fica muito claro que existe uma lealdade à carroceria sedã”, completou.
A Honda não enxerga o City sedã como um substituto natural do Civic. Porém, é fato que o tamanho do modelo foi ampliado ao ponto de invadir a seara dos sedãs médios.
“Pelas dimensões, o City dessa geração tem exatamente o mesmo tamanho da nona geração do Civic”, explica Giatti. O Civic, hoje, é um modelo importado pela Honda.
Como é o novo City

As mudanças de estilo estão concentradas principalmente na dianteira. Enquanto o City trazia uma barra cromada logo acima dos faróis, o novo investe em uma peça plástica na cor da carroceria.
É um toque mais agressivo que vem do cupê esportivo Prelude. Os faróis de LED agora trazem projetores. Na versão Touring, os faróis são interligados por um filete de LED.
Os para-choques dianteiros investem em lâminas, mas com formato diferente para a entrada de ar. Atrás, o sedã tem um novo para-choque com formas mais agressivas. Já o hatch se diferencia, sobretudo, na versão RS, que traz imitações de extratores de ar.
Por dentro, a maior novidade é a oferta de uma central multimídia de 10 polegadas nas configurações Touring e RS.
A mecânica é a mesma em todas as configurações. O motor 1.5 16V flex aspirado gera 126 cv de potência a 6.200 rpm e 15,8/15,5 kgfm a 4.600 rpm (etanol/gasolina). O câmbio é automático do tipo CVT com sete marchas simuladas. A suspensão é MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.
O que muda de fato são as medidas. O City hatch tem 4,36 metros de comprimento, 1,49 m de altura, 1,74 m de largura (sem retrovisores) e 2,60 m de distância entre-eixos. Por sua vez, o porta-malas leva 268 litros. Já o City Sedan se difere em comprimento, atingindo 4,57 m de uma ponta à outra, altura, com 1,47 m, e porta-malas, cujo volume é ampliado para 519 litros. O tanque de combustível comporta 44 litros.
Em relação ao consumo, os números não mudam entre as versões. Na cidade, o City hatch faz 9,1 km/l com etanol e 13,2 km/l com gasolina; na estrada, atinge 10,7 km/l e 15,1 km/l, respectivamente. Já o City Sedan registra 9,1 km/l no circuito urbano e 10,8 km/l no rodoviário com etanol, passando a 12,9 km/l e 15,3 km/l com gasolina.
City hatch
O City hatch parte de R$ 117.700 e tem cinco versões, incluindo uma que o sedã não tem: a RS, que substitui a antiga Touring Sport e traz pacote visual esportivo, mas sem alterações mecânicas.
- City LX — R$ 117.700
Itens de série: seis airbags (frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina), controles eletrônicos de estabilidade e tração, ar-condicionado, direção elétrica, vidros elétricos com função um-toque para todos, retrovisores e travas elétricas, multimídia de 8 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto, quatro alto-falantes, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, duas portas USB Tipo-A no console, abertura e fechamento dos vidros pela chave, banco traseiro bipartido (60/40), rodas aro 15 com calotas, pneus 185/60, estepe temporário 135/80 R15 e faróis e lanternas de LED. - City EX — R$ 137.400
Itens de série: adiciona pacote de segurança Honda Sensing (controle de cruzeiro adaptativo com função de trânsito, sistema de frenagem semiautônoma com detecção de pedestres, automóveis, motocicletas e ciclistas, sistema de permanência em faixa com correção e ajuste automático de faróis), freio de estacionamento com função Brake Hold (aciona o freio de serviço automaticamente em paradas), borboletas no volante para troca de marchas simuladas, lembrete de esquecimento de objetos no banco traseiro, rodas de alumínio aro 16 com acabamento diamantado e fundo cinza, pneus 185/60, entrada e partida sem chave, carregador sem fio para smartphone, duas portas USB (Tipos A e C) para as fileiras dianteira e traseira, porta-revistas no encosto do banco do carona, ar-condicionado automático digital, saídas de ar para o banco traseiro, revestimento em couro no apoio de braço dianteiro e nas portas, seleção de modo de condução Econ e painel digital com tela de 4,2”. - City EXL — R$ 144.800
Itens de série: adiciona assistente para redução de ponto cego (uma câmera no retrovisor direito amplia a imagem do lado na central multimídia), sensores de estacionamento traseiros, espelhos retrovisores com rebatimento automático ao trancar as portas, bancos, volante e alavanca de câmbio revestidos em couro, painel digital de 7” e seis alto-falantes. - City Touring — R$ 153.300
Itens de série: ar-condicionado digital duas zonas, limpador de para-brisa com sensor de chuva, sensores de estacionamento dianteiros, espelho retrovisor interno eletrocrômico e central multimídia de 10”. - City RS — R$ 156.400
Itens de série: para-choques exclusivos, teto, retrovisores e rodas pintados de preto, costuras internas em vermelho, teto interno revestido em preto e logotipos RS. A configuração está disponível nas cores Cinza Titanium e Vermelho Supernova, ambas perolizadas.
City sedã
Já o sedã parte dos mesmos R$ 117.700, porém, tem apenas quatro configurações, todas compartilhadas com o City hatch, com o qual também divide os itens de série. A diferença está no sedã Touring, que pode ter revestimento interno cinza-claro associado às cores externas Branco Topázio, Cinza Basalto ou Azul Cósmico, todas metálicas.
- City Sedan LX — R$ 117.700
- City Sedan EX — R$ 138.400
- City Sedan EXL — R$ 145.800
- City Sedan Touring — R$ 154.300
City ficou maior por dentro
Foi possível dirigir o City hatch e o sedã na versão Touring. A bordo, a sensação de espaço é superior à da maioria dos concorrentes. Embora o painel não tenha revestimentos macios ao toque, uma faixa revestida confere um acabamento mais refinado, material replicado também nos apoios das portas.
O casamento entre o motor 1.5 16V e o câmbio CVT já completou algumas bodas e não será desfeito para a adoção de um conjunto turbo. Mesmo assim, o desempenho tem respostas rápidas. É claro que câmbios de variação contínua fazem com que os giros do motor fiquem elevados em situações de aceleração mais pesada ou retomadas. No entanto, é algo passageiro, uma vez que o propulsor responde rapidamente.
O acerto de suspensão e a calibração da direção trazem firmeza nas retas e curvas, demonstrando um equilíbrio que é repetido também nas frenagens, sem embicar muito a dianteira.
Todas as salvaguardas eletrônicas foram testadas e aprovadas, incluindo o controle de cruzeiro adaptativo, que se tornou um aliado no tráfego pesado na cidade de São Paulo e no percurso até São Roque. O assistente de tráfego exigiu um pequeno toque no acelerador para retomar a marcha.
Porém, o sistema de câmera no retrovisor direito poderia dar lugar a um sensor de ponto cego em ambos os lados. Quando a seta é acionada para o lado correspondente, a imagem surge na central multimídia e bloqueia a visualização da navegação, algo que pode incomodar em situações em que é necessário visualizar o percurso a ser tomado.
Se não mudam muito em termos dinâmicos, o hatch e o sedã se diferem na cabine. O três-volumes pode ter revestimento mais claro em algumas combinações de cores. O entre-eixos é o mesmo, mas o dois-volumes tem o sistema Magic Seat,que permite rebater para cima o assento do banco traseiro e levar objetos elevados e volumosos — uma herança do antigo Fit. Por outro lado, o porta-malas do hatch é reduzido para a categoria, o que não acontece no sedã.
No geral, o City continua a ser um ótimo compacto. Ele pode ser mais caro do que a média do segmento, mas oferece um pacote amplo de assistências à condução, espaço interno acima da média e solidez de rodagem.