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A voz da razão: 7 fatos sobre o Honda City hatch

Avaliamos uma das versões mais baratas do compacto da marca japonesa que se vale da reputação de carro inquebrável

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Fernando Miragaya

22 set 2026

9 minutos de leitura

Honda City Hatchback
City Hatchback na versão EX, uma das mais baratas do modelo. Foto: Fernando Miragaya/AB

Se eu te disser que tive uma dose extra de entusiasmo para avaliar o Honda City Hatchback EX você vai achar que fiquei louco. Calma, eu explico por quê.

Jornalista que cobre setor automotivo invariavelmente tem a oportunidade de avaliar carros por alguns dias. Contudo, é comum as fabricantes enviarem só as versões mais completas dos modelos. Sem falar que oito em cada dez veículos que recebemos são SUVs.

Por isso, a animação em poder conviver por mais de uma semana com o Honda City hatch EX, um carro tão racional e usual, quanto necessário. Até porque o exemplar que veio era na cor vinho para quebrar a mesmice de cores neutras – sim, até esses detalhes pueris animam o escriba aqui.

Veja agora sete fatos sobre o Honda City Hatchback na versão EX

Desempenho do Honda City Hatchback EX

Honda City Hatchback
Hatch segue com motor 1.5 aspirado e com injeção direta. Foto: Fernando Miragaya/AB

Nada de turbo. Na linha City a Honda segue fiel à sua tradição de motores aspirados e eficientes. O hatch usa o 1.5 16V que é montado na fábrica de Sumaré (SP), enquanto o carro é produzido na planta de Itirapina (SP)

O propulsor tem injeção direta de combustível e comando variável na admissão e no escape, e trabalha com o câmbio do tipo continuamente variável (CVT) desenvolvido pela própria Honda e com montagem final em Itajaí (SC). O resultado é um desempenho bastante confortável para validar a proposta do hatch.

O motor de 126 cv (com etanol ou gasolina) proporciona acelerações graduais e suaves. A caixa CVT mantém uma boa linearidade, sem aquela sensação de segurar giros “ad eternum” em algumas situações.

No ambiente urbano, o Honda City Hatchback é aquele pacato cidadão competente e perfeitinho, seja em baixas velocidades, em pequenos trechos de ladeiras ou no engarrafamento. Entrega força suficiente sem qualquer dose de brutalidade.

Na estrada, na hora das retomadas, é preciso se acostumar ao seu comportamento. Ao pisar forte, o câmbio vai segurar um pouco mais as rotações e o torque de 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm, com gasolina, só aparece nas 4.600 rpm.

Agrada bastante o consumo. Pelo ciclo PBEV/Inmetro, o City Hatchback EX tem as seguintes médias:

  • Consumo etanol cidade: 9,2 km/l
  • Consumo etanol estrada: 10,5 km/l
  • Consumo etanol combinado: 9,7 km/l
  • Consumo gasolina cidade: 13,2 km/l
  • Consumo gasolina estrada: 15,0 km/l
  • Consumo gasolina combinado: 13,9 km/l

Porém, durante a avaliação de mais de 200 km, com mais gasolina no tanque e uso ⅔ urbano e ⅓ rodoviário, o computador anotou 14,6 km/l de média.

Dirigibilidade

Honda City Hatchback
Honda City agrada na dirigibilidade e estabilidade. Foto: Fernando Miragaya/AB

O City usa a plataforma Honda Global Small Car, mesma base usada pelo sedã, pelo HR-V e pelo recém-lançado WR-V. A primeira impressão que se tem é de uma construção sólida como na maioria dos carros da fabricante japonesa.

A direção não é tão direta, mas aponta bem. Na hora de manobrar, o diâmetro de giro de 10,6 metros é satisfatório.

Nas curvas a carroceria torce o mínimo. Em altas velocidades não se percebe sinais de flutuação. E nas frenagens mais bruscas, os freios a disco nas quatro rodas e a boa rigidez do City deixam o carro bastante obediente em sua trajetória.

Espaço e conforto

Honda City Hatchback
Quadro de instrumentos é analógico com uma pequena tela TFT digital. Foto: Divulgação

Difícil você achar um carro da Honda em que este quesito não seja sempre elogiado e com o City hatch não é diferente. A começar pela posição de dirigir, com bancos com boa densidade e abas firmes.

O espaço para pernas e joelhos é interessante para um compacto, e a ergonomia agrada na maior parte do tempo. O volante oferece regulagens de altura e profundidade, mas a pegada não é das melhores e é preciso tempo para se acostumar com a infinidade de botões.

Já os comandos principais – do ar-condicionado, dos vidros elétricos e dos retrovisores – estão dispostos para o motorista de forma intuitiva. O quadro de instrumentos predominantemente analógico é uma bênção em tempos de painéis que mais parecem relógios digitais dos anos 1980.

A visibilidade lateral e frontal é boa, enquanto a traseira é limitada. Na frente, condutor e carona ainda têm no console central dois porta-copos, entradas USB do tipo A, tomada 12V e um porta-objetos integrado ao descansa-braço.

O banco traseiro se destaca pelo túnel central baixo, o que permite um terceiro adulto de estatura mediana viajar ali. Há bom vão para joelhos e pernas e os passageiros ainda têm saídas de ar e duas tomadas USB-C.

Outro ponto que merece elogios é o conforto acústico. Mesmo na estrada, quase não se ouve barulhos de pneus, vento e motor. Deixa a desejar o porta-malas com 268 litros, menor que o do Argo.

Já a suspensão por eixo de torção, na traseira, filtra bem os buracos. É melhor resolvida que a dos antigos Fit, mas na frente o conjunto McPherson ainda reflete as imperfeições.

Herança do Fit

Honda City Hatchback
Porta-malas do hatch compacto não empolga. Foto: Fernando Miragaya/AB

Por falar em Fit, o City Hatchback, que teve a ingrata missão de substituir o famoso e queridinho monovolume compacto da Honda, manteve ao menos um dos diferenciais do seu antecessor. Falamos do sistema Magic Seat.

É aquele esquema de rebatimento de bancos e encostos da cabine que otimizam o espaço interno. Em configurações de rebatimento 2/3 ou total, a superfície desde o porta-malas fica praticamente plana.

Ao mesmo tempo é possível elevar o assento do banco traseiro. Abaixo dele fica disponível ainda uma boa área livre.

Acabamento

Honda City Hatchback
Acabamento é bom, porém o visual é datado. Foto: Divulgação

Mesmo a versão EX mostra a preocupação da marca com o acabamento interno. Os plásticos têm texturas agradáveis e os fechamentos são corretos no painel. O padrão escurecido e o tecido em parte das portas (inclusive traseiras) favorecem a sensação de qualidade.

Contribuem para isso ainda os detalhes em preto brilhante e prata espalhados pela cabine. Já os bancos são de tecido na versão EX do Honda City Hatchback, mas aparentam boa qualidade. Em termos de design, porém, painel, volante e até a tela da multimídia são bem datados.

Equipamentos, posicionamento e vendas

Honda City Hatchback
Faróis halógenos e luzes de condução diurnas de LEDs. Foto: Fernando Miragaya/AB

Um dos destaques do City hatchback EX é que ele já vem com o Honda Sensing, o pacote de itens de assistência ao motorista da fabricante. O kit reúne controle de cruzeiro adaptativo com ajuste de velocidade, frenagem autônoma de emergência, alerta e assistente de saída de faixa e farol alto automático.

Na segurança, ainda recebe seis airbags, alerta de pressão dos pneus, assistente de subida em rampas, câmera de ré (de resolução ruim, diga-se de passagem) com três tipos de visualização e sistema Isofix para cadeirinhas infantis. As luzes diurnas são de LED, mas os faróis são halógenos.

A central multimídia de 8″ tem navegação lenta e interface ruim. Mas conecta Android Auto e Apple CarPlay sem a necessidade de cabos, além de ter tomada USB e conexão Bluetooth.

Completam o pacote ar-condicionado automático com saídas para o banco traseiro, carregador de celular por indução, chave presencial com botão de partida do motor, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, sensor de luminosidade, entre outros.

Por fora, rodas de liga leve diamantadas com aros de 16” e fundo preto em conjunto com pneus 185/55R16. Além de faróis de neblina, antena tipo tubarão e lanternas traseiras de LEDs.

Desta forma, o Honda City Hatchback EX custa R$ 136.300. É o segundo mais barato da linha, acima apenas da LX (R$ 117.500) e abaixo da intermediária EXL (R$ 143.700).

Curiosamente, ele custa bem próximo ao City… sedã. O três-volumes feito sobre a mesma base e na mesma configuração EX tem preço de R$ 137.300 – só R$ 1 mil a mais.

Enfim, o City Hatchback EX briga diretamente com hatches turbinados, como o recém-lançado Hyundai i20 na versão Platinum (R$ 134.990), o VW Polo Highline (R$ 138.690) e o Chevrolet Onix RS (R$ 133.990).

A gama do hatch feito em Itirapina vende, em média, mais de 1 mil unidades por mês. De janeiro a agosto de 2026 foram 8.526 licenciamentos, o que lhe confere uma participação de 2,18% no segmento de hatches compactos – dados do Renavam.

Manutenção e pós-venda

Honda City Hatchback
Hatch custa quase o mesmo que o sedã. Foto: Fernando Miragaya/AB

A Honda oferece seis anos de garantia para o City Hatchback e o carro desfruta daquela fama de veículos “que não dão dor de cabeça” da marca. O plano de manutenção tem preços razoáveis nas revisões com preço fixo. Confira:

  • 10.000 km ou 1 ano: R$ 513,88
  • 20.000 km ou 2 anos: R$ 768,64
  • 30.000 km ou 3 anos: R$ 891,18
  • 40.000 km ou 4 anos: R$ 2.229,42
  • 50.000 km ou 5 anos: R$ 891,18

Os valores foram apurados em setembro de 2026.