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Honda City Sedan LX entrega o básico com competência

Versão de entrada tem as virtudes de um típico Honda a um preço surpreendentemente baixo para o padrão da marca
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Vitor Matsubara

04 mai 2026

5 minutos de leitura

Honda City Sedan LX
City Sedan LX tem preço atraente – Foto: Vitor Matsubara/AB

Se você não esteve em Marte nos últimos anos, sabe que as marcas chinesas estão tomando conta do Brasil. Mesmo assim, algumas montadoras ainda têm um público fiel que dificilmente migraria para uma concorrente novata. Quem compra Honda é assim, e é para essas pessoas que existe o City Sedan LX.

Obviamente, não são apenas elas que compram o sedã de R$ 117.500, valor surpreendentemente baixo para os padrões da Honda, que costuma cobrar um pouco a mais do que a média do mercado.

Só que essa versão de entrada agrada em cheio o cliente da marca japonesa (e quem sonha em ter um Honda) por oferecer o básico que se espera nesta categoria com competência.

City Sedan LX tem lista de itens de série dentro do esperado

Vejamos a lista de equipamentos de série: não há nada que faça o City Sedan LX se sobressair diante dos rivais. O modelo tem itens como seis airbags, chave presencial, assistente de partida em rampas e botão de partida do motor.

A câmera de ré tem diferentes ângulos, mas não projeta a imagem do veículo na tela, como fazem os carros chineses de entrada, que hoje estão na mesma faixa de preço na qual se encontra o representante da Honda.

Faltam sensores de estacionamento traseiros e a versão mais acessível do City Sedan não vem com as assistências à condução (o famoso ADAS), como alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, piloto automático adaptativo e assistente de permanência em faixa de rolamento. Estes itens são oferecidos apenas nas opções mais completas (e caras) do modelo.

Cara de carro mais caro e nova atualização no radar

Honda City Sedan LX
Visual não parece de versão de entrada – Foto: Vitor Matsubara/AB

O City Sedan LX não parece ser uma versão de entrada. Não existem peças sem pintura na cor do veículo nem calotas. As rodas de liga leve têm aros de 15 polegadas e acabamento diamantado. Os faróis são halógenos com luzes diurnas de LED e um bem-vindo acendimento automático, enquanto as lanternas são de LED.

O visual repaginado em 2024 ainda está atual, mas curiosamente mudará novamente em breve. A Honda prepara uma nova atualização com foco no exterior do carro. Faróis, grade frontal e para-choques devem ser trocados. Essa nova reestilização, inclusive, é exclusiva para o Brasil.

Cabine tem acabamento simples e trata bem os ocupantes

Não espere por requinte no interior. Bancos e painéis das portas são revestidos de tecido cinza que se suja com bastante facilidade. O plástico encontrado no painel é de qualidade apenas regular, mas ao menos as peças da cabine são bem montadas.

O quadro de instrumentos tem mostradores analógicos de velocímetro e conta-giros, devidamente acompanhados por uma tela de TFT de 7″. O visual é simples, mas facilita muito a leitura das informações. Ou seja, funcionalidade acima da forma – do jeito que o fã da Honda gosta.

A central multimídia tem uma tela de 8″ (poderia ser maior, claro) e interface relativamente simples, mas pouco atraente de se ver. Há também poucos recursos além do trivial, embora o volante tenha controles de som e demais funções. O sistema suporta Android Auto e Apple CarPlay sem o uso de fios.

A posição de dirigir é confortável e quem está atrás do volante tem boa visibilidade. Essas virtudes fazem com que seja fácil se “encontrar” dentro do City Sedan.

A distância entre eixos de 2,60 metros não é ampla como em alguns projetos mais modernos (inclusive fora da categoria de sedãs), mas proporciona bom espaço interno para quem viaja atrás. O assoalho praticamente plano é um alívio para o quinto passageiro, que não desfruta de tanto espaço para os ombros. Em contrapartida, o porta-malas generoso comporta 519 litros e está entre os maiores do segmento.

Motor turbo? Aqui não!

A Honda se mantém quase uma rebelde ao ignorar os motores turbo nas versões mais acessíveis de seus modelos. O motor 1.5 aspirado do City Sedan LX entrega até 126 cv com etanol ou gasolina e 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm, se o combustível for a gasolina.

O câmbio do tipo CVT simula sete marchas. Esse conjunto não inspira esportividade e migra para o lado do conforto, algo dentro do esperado para um carro com perfil pacato. A caixa atua de forma eficiente, mas não foge de algumas características como o funcionamento ruidoso nas acelerações que irrompe na cabine com gosto.

O City Sedan LX tem médias de consumo de 9,3 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada com etanol. Se o proprietário decidir pela gasolina, esses números vão para 12,8 km/l e 15,5 km/l, respectivamente. No “teste da vida real”, consegui me aproximar dessas médias, lembrando que o veículo avaliado foi abastecido com gasolina.

Vale a pena comprar um City Sedan LX?

Sim. A versão mais acessível do sedã da Honda entrega o pacote básico que o cliente precisa. Inclui também alguns itens raros em versões de entrada, como o acendimento automático dos faróis, chave presencial e lanternas em LED.

A ausência do pacote de ADAS pode ser lembrada por alguns, mas é um deslize perdoável por se tratar da porta de entrada da linha City Sedan. Especialmente pelo preço mais camarada, que o coloca como uma opção interessante dentro e fora de sua categoria. Inclusive por toda a reputação (justificada, diga-se) e confiabilidade da marca Honda no país.