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Por culpa de elétricos e EUA, Honda deve ter o primeiro prejuízo da história

Demanda fraca e altos custos do mercado de BEVs fazem montadora cancelar produção e amargar inédito balanço negativo
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Fernando Miragaya

12 mar 2026

2 minutos de leitura

Imagem de fábrica de baterias da Honda: montadora vai amargar prejuízo histórico
Planta de baterias da Honda no Japão

Pra tudo existe uma primeira vez… Esse dito popular vai bater forte na Honda, que deve registrar um prejuízo histórico. E antes mesmo da divulgação do balanço, que vai ocorrer em abril, já temos culpados por isso: carros elétricos e Donald Trump.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 12, a fabricante japonesa afirmou que espera perdas de até 2,5 trilhões de ienes (o equivalente a US$ 15,7 bilhões). Caso se confirme, será o primeiro prejuízo anual da Honda desde a abertura de seu capital na bolsa de valores, em 1957.

Principais fatores para o prejuízo da Honda

Os custos de reestruturação da divisão de veículos elétricos (BEVs) são uma das principais causas do prejuízo histórico da Honda. A montadora cancelou o plano de produção de três modelos movidos a bateria nos Estados Unidos.

Não só a expectativa de balanço negativo, mas também o cancelamento desses três BEVs pegaram analistas internacionais de surpresa. Havia uma expectativa de que a Honda só iria ajustar e reduzir o volume de produção de tais carros.

A demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando muito difícil manter a lucratividade”, afirmou o CEO da montadora, Toshihiro Mibe.

Dados de agências internacionais e da consultoria Cox Automotive mostram que, só nos EUA, em janeiro de 2026 a participação de BEVs no mercado foi de apenas 6%. Em setembro de 2025 essa fatia era de 12%. Em relação a dezembro de 2025, as vendas de veículos elétricos caíram cerca de 20%.

Uma das causas apontadas para essa desidratação do mercado norte-americano de BEVs é a política de Donald Trump, que suspendeu o crédito fiscal de até US$ 7.500 para compra de veículos elétricos. Isso teria feito muitos consumidores migrarem para os híbridos ou voltarem para carros a combustão.

Bom lembrar que outras montadoras já botaram a língua para fora em relação aos BEVs. A General Motors espera impacto de US$ 7,6 bil, a Stellantis de US$ 25 bi e a Ford, de US$ 19 bi.

Com o prejuízo da Honda, as perdas das principais montadoras do mundo com elétricos já são estimadas em US$ 67 bilhões.