
Pra tudo existe uma primeira vez… Esse dito popular vai bater forte na Honda, que deve registrar um prejuízo histórico. E antes mesmo da divulgação do balanço, que vai ocorrer em abril, já temos culpados por isso: carros elétricos e Donald Trump.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 12, a fabricante japonesa afirmou que espera perdas de até 2,5 trilhões de ienes (o equivalente a US$ 15,7 bilhões). Caso se confirme, será o primeiro prejuízo anual da Honda desde a abertura de seu capital na bolsa de valores, em 1957.
Principais fatores para o prejuízo da Honda
Os custos de reestruturação da divisão de veículos elétricos (BEVs) são uma das principais causas do prejuízo histórico da Honda. A montadora cancelou o plano de produção de três modelos movidos a bateria nos Estados Unidos.
Não só a expectativa de balanço negativo, mas também o cancelamento desses três BEVs pegaram analistas internacionais de surpresa. Havia uma expectativa de que a Honda só iria ajustar e reduzir o volume de produção de tais carros.
“A demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando muito difícil manter a lucratividade”, afirmou o CEO da montadora, Toshihiro Mibe.
Dados de agências internacionais e da consultoria Cox Automotive mostram que, só nos EUA, em janeiro de 2026 a participação de BEVs no mercado foi de apenas 6%. Em setembro de 2025 essa fatia era de 12%. Em relação a dezembro de 2025, as vendas de veículos elétricos caíram cerca de 20%.
Uma das causas apontadas para essa desidratação do mercado norte-americano de BEVs é a política de Donald Trump, que suspendeu o crédito fiscal de até US$ 7.500 para compra de veículos elétricos. Isso teria feito muitos consumidores migrarem para os híbridos ou voltarem para carros a combustão.
Bom lembrar que outras montadoras já botaram a língua para fora em relação aos BEVs. A General Motors espera impacto de US$ 7,6 bil, a Stellantis de US$ 25 bi e a Ford, de US$ 19 bi.
Com o prejuízo da Honda, as perdas das principais montadoras do mundo com elétricos já são estimadas em US$ 67 bilhões.
