
O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gera expectativa na indústria automotiva global. As tarifas de 25% sobre importações de veículos passaram a valer nesta quinta-feira, 3, e o cenário ainda é nebuloso.
As consequências a longo prazo se mostram incertas. O que sim, é certo, é que a medida de Trump afetará o cotidiano de muitas montadoras e fornecedores de peças, sobretudo a indústria automotiva instalada na Ásia e no México.
Dentre os reflexos mais imediatos está uma possível redução dos volumes de vendas das fabricantes de lá que têm – ou tinham – os EUA como principal mercado.
Trump mira indústria automotiva mexicana
Com o tarifaço do Tio Sam, o preço dos veículos importados para os EUA tende a aumentar, o que os levará a perderem competitividade no mercado estadunidense ante as montadoras locais.
As empresas japonesas devem sofrer um baque grande, uma vez que, além de exportarem veículos produzidos no Japão, mantêm parque industrial no México.
Em 2024, de acordo com dados da agência nacional de estatísticas do México, as principais montadoras japonesas exportaram quase 880 mil veículos do México para os Estados Unidos.
Projeções do banco de investimento Goldman Sachs indicam queda nos lucros da Toyota (6% menor), Mazda (59%), Nissan (56%) e Honda (8%) em 2025.
Só a confirmação das tarifas, anunciada nos últimos dias de março, já tinha feito um estrago. Várias destas montadoras japonesas tiveram queda no valor de suas ações.
As seis regiões mais afetadas pelo tarifaço:
1. União Europeia
- Automóveis e autopeças: 25%
- Países mais impactados: Alemanha, França, Itália e Suécia
2. China
- Automóveis: 25%
- Peças automotivas: até 25%
A China já aplicava tarifas retaliatórias sobre veículos dos EUA, tornando a disputa comercial ainda mais intensa.
3. Japão
- Automóveis: 25%
- Peças automotivas: até 10%
O Japão exporta milhões de veículos para os EUA anualmente, tornando-se um dos mais impactados.
4. Coreia do Sul
- Automóveis: 25%
- Peças automotivas: até 10%
A Coreia do Sul tem acordos comerciais que reduziram algumas tarifas, mas ainda enfrenta desafios no setor automotivo.
5. México
- Automóveis: até 25%
- Peças automotivas: até 10%
Como grande parceiro comercial dos EUA, o México depende da indústria automotiva para exportação.
6. Canadá
- Automóveis: até 25%
- Peças automotivas: até 10%
O Canadá, assim como o México, tem algumas isenções, mas ainda há impacto em certos segmentos.