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Lucro do Grupo Volkswagen cai pela metade em 2025

Vendas de veículos crescem, mas resultado é impactado pelas tarifas dos EUA e perda de mercado na China
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Redação AB

10 mar 2026

3 minutos de leitura

O Grupo Volkswagen teve forte queda no lucro operacional em 2025, com resultado de € 8,9 bilhões (US$ 10,4 bilhões), abaixo das estimativas de analistas, que apontavam € 9,4 bilhões. Para 2026, a empresa espera uma recuperação modesta.

Segundo o balanço anual divulgado pela empresa, na terça-feira, 10, a retração é de 53% em relação ao ano anterior, quando o grupo registrou € 19,1 bilhões de lucro. Já a margem operacional da empresa foi de 2,8%.

O balanço compreende todas as marcas do grupo: Volkswagen, Audi, Porsche, Seat, Skoda, Lamborghini, Bentley e Ducati.

Assim como as concorrentes, a Volkswagen tem lidado com pressões em todos os principais mercados, com as tarifas impostas pelos Estados Unidos e o forte crescimento da concorrência na China. O resultado também foi impactado por despesas com mudanças estratégicas na Porsche.

Resultados da Volkswagen em 2025

Apesar disso, a receita de vendas do Grupo Volkswagen permaneceu praticamente estável entre os anos, somando € 321,9 bilhões em 2025.

O resultado operacional antes de efeitos especiais foi de € 14,8 bilhões no ano, com margem de 4,6% já considerando tarifas dos Estados Unidos. Sem esse impacto, o resultado teria alcançado € 17,7 bilhões, equivalente a margem de 5,5%.

O fluxo de caixa líquido da divisão automotiva somou € 6,4 bilhões, alta de 24% em relação a 2024, impulsionado pela redução do capital de giro e maior disciplina de investimentos. O caixa líquido encerrou o ano em € 34,5 bilhões, estável na comparação anual.

No ano, o Grupo Volkswagen vendeu 9 milhões de veículos a mais em relação a 2024, com aumentos significativos na Europa e na América do Sul. A empresa, no entanto, sentiu os reflexos da perda de mercado nos Estados Unidos e na China.

“O ano de 2025 foi marcado por tensões geopolíticas, tarifas e intensa pressão competitiva. Nesse ambiente exigente, lançamos 30 novos modelos, fizemos progressos visíveis com nossa reestruturação, geramos um sólido fluxo de caixa líquido e, assim, mantivemos nossa liquidez líquida estável em um nível sólido”, disse o CFO and COO do Grupo Volkswagen, Arno Antlitz, em nota à imprensa.

Esses foram passos importantes para impulsionar ainda mais a resiliência do Grupo Volkswagen. Mas a margem operacional de 4,6% ajustada pela reestruturação não é suficiente a longo prazo.”

Previsão é modesta para 2026

Para 2026, o Grupo Volkswagen prevê uma recuperação modesta, com crescimento na receita de vendas entre zero e 3% em comparação com o ano anterior. O retorno operacional sobre as vendas deverá ficar entre 4,0 e 5,5%.

A empresa espera um ano desafiador, com fortes incertezas em relação às restrições ao comércio internacional e às tensões geopolíticas, além do aumento da competitividade, volatilidade do mercado de commodities e o aumento das exigências regulatórias sobre emissões.

O conflito no Oriente Médio não está impactando a cadeia de suprimentos da Volkswagen, mas pode afetar a demanda por suas marcas premium Audi e Porsche, disse o CEO do grupo, Oliver Blume, em transmissão ao vivo.

“Estamos simplesmente vendo o quão volátil e frágil é o nosso mundo, com novos problemas surgindo a cada mês”, disse o CEO, apontando para um potencial impacto negativo nas vendas devido ao conflito na região, onde os volumes são modestos, mas as margens são altas.

“Estamos percebendo que o modelo de negócios que nos sustentou por décadas não funciona mais desta forma”, concluiu.