
Com a Argentina ainda em meio a uma gangorra econômica e política, as exportações de veículos encontravam um porto seguro (sem trocadilhos) no México. Só que o país latino-americano oscilou e fez as vendas externas brasileiras despencarem no trimestre.
Segundo balanço da Anfavea revelado nesta terça, 8, as exportações de veículos no acumulado de 2024 chegaram a 82,2 mil unidades, 28% a menos que nos três primeiros meses de 2023.
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Detalhe que março teve o melhor resultado nos embarques dos últimos sete meses. Mesmo assim, foram 32,7 mil unidades mandadas para fora do país, número também 28% menor que o de março de 2023. Já em relação a fevereiro houve aumento de 6,5% nas exportações de veículos.
México oscila e afeta exportações de veículos
O grande culpado desta vez pela queda nas exportações foi o México. Na comparação março 2024 x 2023, as exportações para o país despencaram 54%. Foram 4,6 mil unidades enviadas para lá no mês passado.
“O México vinha sendo o principal destino das exportações, é um mercado que continua crescendo, mas teve queda por questão de sazonalidade”, afirmou Marcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, em coletiva on line..
“Sempre temos volatilidade em toda América Latina e a maioria dos mercados estão piores. O México é um importante mercado, mas não está conseguindo compensar todos os volumes dos outros mercados”, fez coro o presidente da Renault, Ricardo Gondo, presente na coletiva.
Já a Argentina, segundo a Anfavea, retomou sua média histórica de participação nas exportações de veículos brasileiros. Em março de 2024, o parceiro foi o destino de 44% dos embarques, frente aos 17% de mix do México – no mesmo mês de 2023, foram 32% e 24% de share, respectivamente.
Mesmo assim, os 11,7 mil veículos mandados para a Argentina em março representaram recuo de 13% em relação às exportações anotadas para o país vizinho no terceiro mês de 2023.
Demora nas importações impacta Mercosul
Não bastasse a queda nas vendas e a instabilidade argentina, o estado de greve dos funcionários do Ibama pode arrefecer ainda mais as exportações. A demora nas liberações de veículos importados do principal parceiro do Brasil já gera um desconforto.
Segundo Marcio de Lima Leite, o tempo maior resultou em uma queda de exportações de veículos da Argentina para o Brasil. Para o executivo, isso impacta a relação comercial entre os dois país na esfera automotiva.
Apesar de não mensurar o tamanho desse impacto, Marcio reconhece que questionamentos já partem do lado argentino. E é categórico ao afirmar que, se a questão afeta as exportações da Argentina para cá, afeta também o fluxo contrário.
“Recentemente fomos acionados porque o Mercosul começa a discutir essa maior lentidão na liberação das importações do lado do Brasil. Nossos parceiros começaram a fazer um questionamento: se isso impacta as exportações da Argentina, isso agride a regra do Mercosul”, disse Marcio.
Hoje, estima-se que de 20 mil a 30 mil carros importados – de vários países – estejam na fila de espera de liberação.
“Vamos buscar entender uma forma de termos uma liberação mais ágil, principalmente no âmbito do Mercosul”, garantiu o presidente da Anfavea.
