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Tecnologia híbrida e conforto serão suficientes para Song Pro desbancar o Corolla Cross?

No primeiro contato com SUV, modelo da BYD surpreende pelo rodar suave e espaço interno, mas lançamento ainda carece de certos refinos
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Fernando Miragaya

12 jul 2024

3 minutos de leitura

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O lançamento do BYD Song Pro mostrou que a marca chinesa elegeu como seus alvos recentes modelos da Toyota. O SUV médio chega em uma faixa de preço e com proposta para encarar o Corolla Cross – o recém-mostrado King, por sua vez, mirou no Corolla sedã.

Só que é preciso muito mais do que preço para disputar vendas com uma marca e um nome que têm muita força no mercado. E em um rápido primeiro contato com o BYD Song Pro, percebe-se que o SUV aposta principalmente no conforto para entrar nesta batalha.


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Ao entrar na cabine do carro uma clara preocupação com acabamento. Apesar de algumas falhas pontuais de encaixes, os materiais usados aparentam bom gosto.

Os revestimentos das portas e de partes do painel e do console central são acolchoados. No tablier ainda há uma superfície texturizada em contraste com o preto brilhante – esse um depósito de marcas de dedos.

Multimídia é marca registrada dos carros da BYD

Os bancos inteiriços na frente têm ótima densidade e recebem bem o motorista – no caso da versão topo de linha GS avaliada, há ajustes elétricos. A posição de dirigir é funcional na maior parte do tempo e a visualização do quadro de instrumentos, em uma telinha tipo tablet, é prática. 

Já a central multimídia é na… telona tipo tablet. Marca registrada dos carros da BYD, o gigante display de 12” tem aquela função giratória como visto em outros modelos da fabricante – Song Plus, Yuan Plus, Tan e Hang.

No banco traseiro, o espaço é generoso. Com mais de 2,70 metros de entre-eixos, sobra espaço ali para pernas, joelhos e cabeças de dois adultos e uma criança.

Rodar suave, mesmo em modo elétrico

O conforto a bordo se repete depois de arrancar com o Song Pro. O híbrido opera só em modo EV quando em baixas velocidades, e no test drive de lançamento, de pífios 5 km e cerca de 20 minutos no trânsito paulistano, não foi possível sentir a combustão. 

Em condução puramente elétrica, o Song Pro chama a atenção pelas respostas ao pedal do acelerador. Em vez daquela reação mais imediata, o motor demora a responder. 

O delay deixa a condução mais suave e o SUV híbrido evolui de forma gradual. No anda e para das ruas de São Paulo, o Song Pro cumpre seu papel de ser um carro eficiente para se mover pela cidade.

Além disso, a bateria marca 30% de capacidade e o computador de bordo sinaliza mais de 900 km de autonomia combinada. O que se aproxima dos números informados no lançamento – 15,2 km/l em ciclo urbano (ciclo PBEV).

Na parte de suspensão, ao passar nos buracos e valetas inevitáveis da capital paulista, o SUV deixa evidente que merece uma calibragem melhor. A filtragem da pista está longe de ser boa.

Ainda é cedo – e o percurso e tempo curtos do test drive – para cravar se o BYD Song Pro vai realmente incomodar o Corolla Cross. Ainda mais quando falamos de um modelo da Toyota, que tem consumidores fiéis e tradicionais. 

Ao menos uma coisa é certa. O novo SUV médio chinês vai movimentar o segmento – para o bem e para o mal. E provavelmente acelerar a hibridização da categoria de utilitários esportivos.