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Mercado

“Tenho preocupação com estoque de veículos premium”, diz presidente da Fenabrave

Arcelio Junior alerta para pressão dos chineses sobre preços de modelos premium e risco de desvalorização de seminovos e usados

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Bruno de Oliveira

19 ago 2026

2 minutos de leitura

O Congresso Fenabrave abriu as portas ao público na manhã da terça-feira, 18, no SP Expo, em São Paulo (SP), em solenidade na qual lideranças de diversos setores coirmãos ao de distribuição de veículos discursaram sobre velhas e mal resolvidas bandeiras da indústria e do mercado, como alta dos juros, crédito caro e escasso e o avanço das importações de veículos asiáticos no país.

O que parecia ser mais um grande conjunto de discursos de praxe em eventos setoriais tomou contornos mais sérios na parte da tarde do evento, quando o presidente da entidade, Arcelio dos Santos Junior, mostrou que o varejo automotivo nacional não está tão à vontade assim com o avanço do carro chinês no mercado doméstico. Há algumas preocupações.

Se por um lado o boom de automóveis importados da China tem proporcionado oportunidades de negócios para os concessionários – chegando a promover o aumento da participação de lojas de marcas chinesas no total de concessionárias do país, hoje em 16% -, por outro o movimento exerce pressão sobre as vendas de veículos de alguns segmentos.

“Tenho preocupação com o estoque de veículos premium”, disse o presidente da entidade durante o evento. “O tíquete desses modelos hoje está muito próximo de carros chineses similares em porte, sejam eles novos ou usados”, completou.

Arcelio disse, ainda, que de fato há uma guerra de preços ocorrendo no mercado brasileiro, mas que isso de alguma forma é superado pelos varejistas nas relações comerciais com a montadora. No entanto, essa briga no futuro vai erodir o preço dos carros seminovos e usados no mercado, o que vai tornar algo desafiadora a operação de um braço de negócios importante das concessionárias.

O presidente da Fenabrave também mostrou preocupação com a longevidade das marcas no mercado local. “As tradicionais com mais tempo de mercado, com produção local e bilhões em investimento eu acho difícil de saírem [do país]. Mas não há como negar que o bolo do mercado não cresceu, aumentaram as suas fatias. Eventualmente não tem espaço para todos.”

Por ora, operam comercialmente no Brasil 15 marcas chinesas, todas disputando um mercado que, no ano passado, registrou 2,6 milhões de licenciamentos, segundo dados do Renavam divulgados por outra entidade de classe, a Anfavea. O número contabiliza os emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus.