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Toyota garante que fábrica de Indaiatuba ficou parada para ajustes

Após greve, montadora diz que fez adequações internas na unidade, mas paralisação afetou Porto Feliz e Sorocaba
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Fernando Miragaya

27 abr 2024

3 minutos de leitura

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Parada desde o dia 16 de abril, a fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) retoma as operações nesta segunda, 29, após ficar inativa por quase duas semanas. É o que garante a montadora japonesa sobre a unidade, que recentemente encarou uma greve de funcionários.

Na sexta, 26, reportagem do jornalista Júlio Cabral publicada no UOL revelou que, devido à greve, a Toyota teria antecipado a transferência de maquinário da unidade para Sorocaba (SP). No anúncio do investimento de R$ 11 bilhões, em março, a empresa confirmou o fechamento da fábrica de Indaiatuba. 


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Procurada pela reportagem da Automotive Business neste sábado, 27, a assessoria da Toyota emitiu comunicado em que confirma apenas a “movimentação” do ferramental da linha de montagem. Também assegura que a transferência das operações só se dará no ano que vem e que o Corolla sedã segue em produção em Indaiatuba.

“A Toyota confirma a movimentação de alguns ferramentais entre suas fábricas e reforça que o início da transferência das operações de Indaiatuba para Sorocaba acontecerá a partir do segundo semestre de 2025, conforme anunciado anteriormente”, diz a nota.

Porto Feliz e Sorocaba também foram afetadas

Fontes ouvidas pela AB dizem que a paralisação em Indaiatuba afetou outras linhas de produção da Toyota no interior paulista. Porto Feliz (SP), onde são montados motores, e Sorocaba, que produz as linhas Corolla Cross e Yaris, também estão paradas desde o dia 18.

Isso porque em Indaiatuba, além do sedã Corolla, são feitas peças que abastecem as demais fábricas. Uma fonte de dentro da montadora, porém, garante que a unidade segue parada por estratégia da própria Toyota.

“A greve acabou e Indaiatuba segue parada por opção. A Toyota está fazendo alguns remanejamentos internos, mudando linhas e processos”, afirma a fonte. As operações estão previstas para serem retomadas nesta segunda, 25.

Sindicato conseguiu vitória na justiça

A reportagem da AB tentou contato com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região por e-mail e telefone neste sábado, 27, mas não obteve retorno. Segundo a reportagem do UOL, a entidade denunciou a transferência de máquinas, que teria ocorrido na madrugada do fim de semana entre os dias 13 e 14 de abril.

Ainda conforme a matéria, o sindicato local entrou com uma liminar na justiça contra a retirada de mais maquinário da fábrica e conseguiu decisão favorável no último dia 19 de abril.

Veja como é a proposta da Toyota para os funcionários 

No mesmo comunicado enviado à nossa redação, a Toyota disse que segue com a negociação com o sindicato da região tanto para transferência, como para Programa de Demissão Voluntária (PDV). 

“O principal objetivo da fabricante é levar todos os colaboradores de Indaiatuba para esse novo momento de expansão. Para isso, reforça que está comprometida com a manutenção de 100% dos empregos e condições salariais, período de estabilidade e auxílio transferência, além de um robusto pacote para aqueles que decidirem não acompanhar a empresa na mudança para Sorocaba”.

A reportagem da AB teve acesso aos planos propostos pela Toyota aos funcionários. Para os que optarem por se transferir teria sido oferecido pagamento de dois salários nominais mais R$ 10 mil no ato da transferência. E para os que quiserem mudar de cidade, pagamento adicional de 2,4 salários.

Em ambos os casos, a Toyota teria oferecido estabilidade de emprego em Sorocaba até julho de 2029. Já para os funcionários que aderirem ao PDV, a montadora teria acenando com 35 salários nominais mais um salário por ano trabalhado.

“Diversas propostas já foram apresentadas, mas até o momento todas foram rejeitadas pelo sindicato. A companhia segue aberta ao diálogo e espera que ambas as partes cheguem a um acordo justo e realista”, completa a nota oficial da Toyota.

A fábrica da Toyota de Indaiatuba reúne quase 1.500 funcionários e opera atualmente em dois turnos.