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Transportadores seguram compras e vendas de caminhões caem pelo segundo mês seguido

Anfavea se mostra preocupada, especialmente com o recuo na categoria de pesados, enquanto ônibus têm números positivos mais uma vez
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Fernando Miragaya

05 jun 2025

3 minutos de leitura

A expectativa dos grandes frotistas com o panorama econômico do país puxou para baixo as vendas de caminhões em maio. Pelo segundo mês consecutivo, os licenciamentos do segmento recuaram.

Segundo balanço da Anfavea, entidade que reúne as fabricantes, as vendas de caminhões atingiram 9,2 mil unidades em maio. Com isso, o mercado encolheu 4,2% em relação a maio de 2024 e caiu 2,1% na comparação com abril.

Queda nas vendas de caminhões pesados foi de dois dígitos

Apesar do aumento da produção total de caminhões, que atingiu 12,3 mil unidades em maio (10% a mais que o mesmo mês do ano passado e 12% superior a abril), uma nova queda, de 11% na categoria de pesados, acendeu o alerta de vez na Anfavea.

“Caminhões pesados são sinônimo em larga medida de PIB e há uma questão de algo como tendência que queremos reverter. Pesados cair 10% é algo preocupante”, comentou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

De volta aos emplacamentos, a queda só não foi maior por causa de outros segmentos. Os caminhões médios registraram alta de 18%, os semipesados de 15,7% e os leves, de 10%.

Desta forma, os pesados, que representaram metade das vendas de caminhões em 2024, tiveram essa participação reduzida para 41% em 2025.

Para Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, o custo de financiamento e menor oferta de crédito podem ser as razões para essa queda na venda de caminhões.

“Apesar da safra recorde, começa-se a perceber que o transportador está em um momento de espera, ele não está fazendo a sua renovação de frota neste momento”, afirmou.

No acumulado do ano, os números também são díspares. Enquanto a produção de caminhões chegou a 55 mil veículos, 5,6% a mais que o mesmo recorte de 2024, as vendas chegaram a 46,3 mil, recuo de 1,2% na mesma base de comparação.

Renovação de frota e Caminho da Escola puxam setor de ônibus

Já o mercado de ônibus segue com números positivos. Em maio foram 2,9 mil unidades, 7% a mais que em igual mês de 2024 e 1,6% a mais que abril.

Nas vendas foram 1,9 mil chassis entregues, 51% de alta em relação a maio do ano anterior. Deste volume do mês passado, apenas 40% foram de ônibus urbanos e 15% puxados pelo Caminho da Escola.

A Anfavea chamou a atenção para o fato de que o maior mercado de ônibus urbanos do país, São Paulo, não tem adquirido veículos devido à legislação, que proíbe a aquisição de modelos a diesel.

“Esse número poderia ser melhor. O setor está vivendo de outros mercados, que são frotas menores, mas que estão sendo renovadas”, analisou Saltini.

No acumulado, a produção beira os 13 mil chassis, 7,8% a mais que os cinco meses de 2024. Enquanto as vendas somam mais de 9,6 mil unidades, 35% de alta antes igual período do ano passado.

“Temos o impulso do Caminho da Escola, um programa importante que ajuda a produção e emplacamento de ônibus”, concluiu Saltini.