
A pandemia pegou em cheio vários setores da economia e também o transporte público. Só o segmento de ônibus urbanos contabilizou uma perda de 8 milhões de viagens diárias nos últimos três anos no Brasil, o que representa queda de 24,4% em relação à demanda antes de 2020.
O estudo foi feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e faz parte do Anuário 2022-2023 da entidade. O documento revela que, em 2019, eram realizadas 33 milhões de viagens por passageiros pagantes por dia no país. Em 2022, essa média caiu para 25 milhões/dia.
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Pelo levantamento, o segmento de transporte público por ônibus não se recuperou da queda em decorrência da pandemia, mesmo com uma reação anotada no ano passado. Em 2022, houve aumento de 12,1% na demanda (número de passageiros transportados) e de 10,3% na produtividade (número de passageiros transportados por quilômetro rodado).
“A demanda atual está muito distante do desempenho observado no início da série histórica. E o setor acumula queda de 30% no índice de produtividade ao longo do tempo”, alega o presidente executivo da NTU, Francisco Christovam.
A NTU diz que a recuperação da demanda de passageiros pós-pandemia já chegou a 84% do transportado em 2019. Mesmo assim, segundo a associação, trata-se de um dos piores cenários na série histórica do setor nos últimos 30 anos.
Perdas de receita e de empregos no transporte público
Pelos cálculos da entidade, a pandemia provocou uma perda acumulada de quase R$ 40 bilhões para o setor de transporte público urbano por ônibus. E o corte de mais de 90 mil empregos diretos. Além disso, a idade média da frota aumentou 4%, e chegou a 6 anos e 4 meses.
“A pandemia provocou a impossibilidade de renovação da frota, devido à baixa da demanda e queda na arrecadação das empresas, que ainda dependem muito da tarifa cobrada do passageiro. O número de cidades que subsidiam seu transporte público cresceu, mas ainda é minoria”, diz o executivo.
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Segundo o anuário, hoje existem 63 sistemas de locomoção urbana que recebem subsídios definitivos. Estes atendem 163 dos 2.703 municípios que têm serviços organizados de transporte público por ônibus em todo o país.
O setor também reclama do aumento do custo por quilômetro percorrido, que oscilava em uma faixa específica até 2021. Nos últimos dois anos, contudo, esse custo teve aumento de 8,2%, decorrente principalmente dos reajustes no preço do diesel (29,8%, em 2022, em relação ao ano anterior).
Como foi feito o levantamento
Os 11 indicadores do Anuário NTU foram calculados com base em nove dos maiores sistemas de transporte público por ônibus, municipais e metropolitanos. Segundo a NTU, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo representam 32,5% da frota nacional de ônibus urbanos e 34,1% da demanda de passageiros transportados em todo o país.
