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Vendas: autos em alta e crise dos caminhões segue em 2026

Emplacamentos registrados até setembro mostram uma indústria tentando salvar as vendas de pesados e bater a meta projetada para o ano
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Bruno de Oliveira

08 out 2025

4 minutos de leitura

O mercado do veículos no país vai começar o último quarto do ano com os mesmos cenários vistos nas demais porções do ano: os emplacamentos de modelos leves sobrevivendo na parte azul do gráfico graças às vendas diretas e ao programa Carro Sustentável, e uma crise cada vez mais acentuada nas vendas de caminhões, principalmente os pesados.

Falando especificamente sobre o assunto mais grave, a expectativa das montadoras é a de que o quadro se mantenha como está, em declínio, pelo menos até o início do segundo trimestre do ano que vem. Até lá, acredita a Anfavea, que a associação que as representam, o cenário de juros será mais favorável do que o atual, levando empresas à renovarem suas frotas.

O patamar da Selic, que é a taxa básica de juros que regula o humor dos financiamentos – e investimentos – no mercado, deverá ser algo em torno de 15% em dezembro, muito acima dos 10% ou 12% que, segundo as próprias fabricantes, já poderiam movimentar as vendas de caminhões no país.

Os juros são vistos como única barreira ao processo de renovação de frota. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, há demanda reprimida por caminhões uma vez que a safra de commodities deverá ser recorde mais uma vez na atual temporada e, portanto, induzir os transportadores a investir em caminhões mais novos.

Ninguém se arrisca a apostar se os juros, de fato, vão cair na primeira metade do ano que vem. O que se espera, por outro lado, é que algo precisa ser feito para aquecer as vendas de caminhões no mercado local.

O que poderia salvar as vendas de caminhões?

A Anfavea tem mantido conversas com o governo federal em busca de soluções, dentre elas a busca por recursos para se custear um programa nacional de renovação de frota – esse, um sonho antigo de todo a indústria – e também a costura de acordos internacionais que abram as portas para os veículos pesados brasileiros no mercado externo.

Não é uma tarefa fácil e a Anfavea concorda com isso, o que confere a todos os esforços feitos um caráter mais de expectativas do que de concretudes.

Enquanto nada acontece de fato, as vendas de caminhões chegaram a setembro com um total de 84 mil unidades, um volume cerca de 8% menor do que aquele visto no acumulado dos nove meses do ano passado. Apenas em setembro foram emplacadas 9,8 mil unidades no país, um resultado que representou queda de 14,5% ante o mesmo período em 2024.

Quando isolamos os dados referentes ao desempenho das vendas no segmento de pesados – a outrora galinha dos ovos de ouro dessa indústria – a queda é ainda maior no acumulado do ano até setembro: 20,5% menos emplacamentos na comparação com o volume registrado no mesmo período no ano passado, com cerca de 37 mil unidades.

O quadro só não é mais grave porque as exportações, por ora, vão representando a pouca tração que existe nas linhas de produção de pesados no país, linhas que, inclusive, já perderam postos de trabalho por conta dessa crise.

Vendas de automóveis no azul

Agora, pelo lado dos modelos leves, os volumes encerraram o terceiro trimestre no azul- ainda que longe do ideal, segundo a indústria. Os emplacamentos cresceram 3,3% no acumulado do ano ante o mesmo período no ano passado, somando 1,8 milhão de unidades.

As vendas diretas, nesse caso, seguem como principal pilar das vendas, ao passo que no varejo o programa Carro Sustentável tem movimentado de alguma maneira as vendas entre os clientes pessoa física. O clima na indústria a respeito disso é o de que as coisas poderiam ser piores, considerando alta inadimplência no país, fora a questão do crédito caro.

A ver ser até o final do ano as metas de vendas projetadas pela indústria vão se cumprir em meio a esse turbilhão de fatores que tem dificultado as coisas. Pelas contas da Anfavea, a média de crescimento para que as prognósticos se confirmem é de algo em torno de 10% de crescimento nos próximos três meses. Há confiança nas montadoras. Mas também há um inevitável, e incômodo, temor.