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Volta de Trump ao poder suscita protecionismo, dizem analistas

Aumento das barreiras para deter vendas de veículos elétricos chineses é visto como medida mais iminente da agenda do futuro presidente dos Estados Unidos
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Bruno de Oliveira

12 nov 2024

2 minutos de leitura

A volta de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos reverberou no setor automotivo. Abandono da agenda verde, protecionismo e embates com a China são fatores apontados como possíveis reflexos do seu mandato na indústria de veículos.


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As promessas de restrição aos veículos elétricos produzidos na China feitas em campanha são o que causam uma certa ansiedade no mercado. Joe Biden já havia sobretaxado os modelos de origem chinesa, e Trump sinalizou que iria mais longe.

“As possíveis barreiras tarifárias podem proteger os Estados Unidos e a Europa, mas não o mundo todo. Essa produção de elétricos terá de migrar para outros mercados”, comentou David Wong, da consultoria Alvarez & Marsal.

Como consequência desse ato, seguiu o consultor, a China poderá retaliar da mesma forma que faz com a União Europeia: com as barreiras aos carros chineses, surgiram barreiras proporcionais na China para produtos importados da Alemanha e da França.

“Se a produtividade chinesa for afetada no processo, a situação poderá se complicar em escala global, porque a retração chinesa na produção de insumos, por exemplo, poderá acarretar em certa desaceleração global”, alertou Wong.

Brasil pode se ver obrigado a reduzir negócios com a China

Para Fernando Trujillo, da S&P Global, existe a possibilidade dos Estados Unidos, sob a batuta de Trump, exercerem pressão em áreas de influência a respeito do comércio com a China. Um caso complicado para o Brasil, que mantém laços fortes com o oriente.

“O Brasil deve sofrer pressão para reduzir negócios com a China, o que não deve acontecer por parte do governo Brasileiro, deteriorando ainda mais a relação com os Estados Unidos. Assim, aço e etanol brasileiros podem sofrer com barreiras”, disse o consultor.

A Anfavea, a associação que representa as montadoras, por sua vez, comentou que o retorno de Trump ao poder pouco deverá ser refletido na indústria nacional – no curto prazo.

“Há uma tendência de protecionismo contra a China”, disse o presidente da entidade, Marcio de Lima Leite, na sua última coletiva mensal. “Precisamos ver como isso vai repercutir no nosso mercado em termos de importações”, completou.

“O Trump não é uma novidade para o setor automotivo. Nós conhecemos a linha dele. Ele tem uma característica de protecionismo da indústria americana”, finalizou Leite.