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Fiat

Os 10 carros mais importantes dos 50 anos da Fiat no Brasil

Marca lançou ícones de popularidade e inovou em várias categorias

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Vitor Matsubara

15 jul 2026

10 minutos de leitura

Fiat Uno Mille
Uno Mille foi pioneiro dos populares

Cinco décadas. Foi em 9 de julho de 1976 que a Fiat iniciou suas atividades no Brasil. Desde então, a empresa que fincou suas raízes em Minas Gerais cresceu, apareceu e virou líder absoluta de vendas.

Esse domínio foi construído com carros feitos para o brasileiro. Muitos deles, inclusive, conquistaram o consumidor pela inovação – uma das marcas registradas da Fiat desde 1976.

Automotive Business nomeia 10 dos carros mais importantes dos 50 anos da Fiat no país.

147

Fiat 147
147 revolucionou segmento de compactos

O 147 foi o primeiro carro da Fiat no Brasil. O projeto derivava do 127 europeu e se tornou o primeiro carro fabricado em série movido exclusivamente a etanol – que lhe rendeu o carinhoso apelido de “cachacinha”.

O pequenino Fiat tinha espaço interno surpreendente e inovações como o estepe posicionado no cofre do motor. O 147 deu origem a uma família de produtos que incluía picape, perua e sedã. Só se despediu nos anos 80 com a chegada de outro futuro ícone popular.

Fiorino

Fiat Fiorino
Fiorino foi lançado em 1980

O Fiorino é um dos produtos mais antigos da Fiat no Brasil. Nasceu em 1980 como uma versão picape do 147 e ganhou fama como furgão. Seja qual for a carroceria, o Fiorino foi e ainda é um dos utilitários mais vendidos do país e companheiro de muitos trabalhadores.

Acompanhou a estreia do Uno nos anos 80 e resistiu até 2014, quando ganhou uma nova geração baseada no novo Uno. Curiosamente, o furgão só veio às ruas cinco anos depois do hatch.

O furgão não só está à venda até hoje como ganhou uma discreta reestilização e até deu origem ao seu “clone” Peugeot Partner Rapid.

Uno

Fiat Mille ELX
Uno teve vida longa no Brasil

O Uno estreou em 1984, apenas um ano após o debute na Europa. O projeto de Giorgetto Giugiaro (renomado designer italiano que também concebeu o Volkswagen Golf) tinha linhas retas que priorizavam o espaço interno.

Em 1990, o Uno Mille foi o primeiro carro popular do Brasil. No mesmo ano, o compacto teve sua primeira reestilização. O Uno seguiu sua trajetória de sucesso com inovações como o Uno Turbo, primeiro carro nacional equipado com turbocompressor de fábrica.

O veterano projeto resistiu firme e forte aos anos 2000, quando ganhou motorização Fire e assumiu a nomenclatura Mille. Seguiu como carro de entrada da Fiat até 2013, quando saiu de linha pela impossibilidade de vir com airbag duplo e freios ABS de fábrica.

Antes disso, em 2009, o Uno teve uma nova geração. Apesar do nome, ele era completamente diferente do projeto original. O novo Uno também vendeu bem e só saiu de cena em 2021. Independente da geração, o Uno foi um dos carros mais importantes dos 50 anos da Fiat no Brasil.

Tempra

Fiat Tempra

O Tempra representou uma quebra de paradigmas para a Fiat. Até então conhecida por seus carros de entrada, a marca trouxe o que tinha de mais avançado em sedã médio na Europa, onde o modelo estreara apenas 18 meses antes.

O estilo moderno bebia na fonte do Tipo, que servia de base para o elegante sedã. O Tempra foi o primeiro carro nacional com motor 16V e também virou alvo de cobiça com o Tempra Turbo, que vinha na bela carroceria de duas portas e passava dos 200 km/h.

Mesmo sendo moderno e bem equipado, o Tempra não foi um grande sucesso de vendas. Foi substituído em 1999 pelo Marea, que teria trajetória semelhante à de seu antecessor.

Tipo

Poucos carros viveram o auge e o declínio tão rapidamente como o Tipo. O hatch foi lançado em 1993 e, mesmo importado da Itália, tinha preço bastante competitivo.

O bom pacote de equipamentos e o design atraente conquistaram muita gente e as vendas do modelo explodiram. O Tipo conseguiu a proeza de superar, ainda que por um mês, o Volkswagen Gol, líder absoluto de vendas no Brasil há 10 anos.

O hatch virou nacional em 1996 e foi o primeiro carro com airbag para motorista de série, primazia obtida apenas um dia antes do Chevrolet Vectra.

Só que o sucesso do Tipo virou, literalmente, pó da noite para o dia. Em junho de 1996 surgiram os primeiros casos de incêndio, que motivaram dois recalls. O problema estava no vazamento do fluido da direção hidráulica, que pingava no escapamento e causava o fogo.

Tudo foi resolvido, mas a imagem do Tipo já havia sido arranhada. O hatch médio saiu de linha em 1997.

Palio

Fiat Palio 96
Palio substituiu o Uno com louvor

O Palio foi um divisor de águas na história da Fiat. O primeiro “carro mundial” da marca foi lançado mundialmente no Brasil em abril de 1996. Moderno, o hatch tinha carrocerias de duas e quatro portas combinadas a três opções de motorização: 1.0, 1.5 e 1.6 16V.

O projeto tinha itens de segurança raros na categoria, como barras de proteção lateral nas portas e opção de airbag duplo e freios ABS. Assim como no Uno, o Palio deu origem a uma família de modelos, incluindo o sedã Siena, a perua Palio Weekend e a picape Strada – esta se tornaria um dos maiores sucessos da história da Fiat.

A família Palio teve versões inusitadas, como a Citymatic, que tinha câmbio manual sem pedal de embreagem; e a 6 Marchas, que combinava o motor 1.0 aspirado a um câmbio manual de seis velocidades. A linha Adventure, que estreou na Palio Weekend em 1999, trouxe o conceito de aventureiro urbano ao Brasil.

Novas reestilizações vieram em 2000 e 2003. Naquela década, o Palio também ganhou motor 1.8 de origem GM, graças a um acordo firmado entre as marcas. A última renovação veio em 2007, já assinada pelo time de Peter Fassbender, nome forte do atual centro de design da Stellantis na região.

Um novo Palio viria em 2011 com venda limitada à América do Sul e apenas um derivado – no caso o sedã Grand Siena. O antigo Palio, porém, seguiu à venda como Palio Fire. Curiosamente, o modelo que seguiu em linha era o da “geração 3” (lá de 2003) e não o da última reestilização.

A segunda geração do Palio sofreu com rivais modernos, como Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. Mesmo assim, ele foi o carro mais vendido do Brasil em 2014, quebrando a hegemonia histórica de 27 anos do VW Gol. A Fiat manteve o hatch em linha até o fim de 2017, quando foi aposentado pelo Argo.

Strada

Fiat Strada LX
Strada é soberana desde 2001

Dificilmente a Fiat imaginava o tamanho do sucesso que seria a Strada quando a picape surgiu em 1998. O projeto robusto aproveitava as virtudes da Fiorino em uma carroceria mais moderna e com as motorizações mais potentes do Palio.

Logo a Strada virou líder de vendas na categoria de picapes leves em 2001 – posto que não abandonou até hoje. O sucesso foi tamanho que nem a chegada de uma Volkswagen Saveiro bem mais moderna em 2009 ameaçou o reinado da Strada.

Ao longo dos anos, a picape trouxe inovações como a carroceria de cabine estendida e posteriormente cabine dupla, inicialmente com três portas e depois com duas portas adicionais. Embora não fossem soluções muito práticas, elas caíram no gosto do consumidor – tanto é que a própria Volkswagen admitiu o sucesso da rival ao lançar a Saveiro Cabine Dupla vários anos depois.

A segunda geração da Strada estreou em 2020 com um projeto mais atual e opção de carroceria de cabine dupla “de verdade”. As vendas do modelo explodiram de vez e hoje a Strada é o carro (incluindo automóveis de passeio e comerciais leves) mais emplacado do país desde 2021.

Hoje, a picapinha é um dos carros mais bem sucedidos nos 50 anos da Fiat no mercado brasileiro.

Argo

Fiat Argo 2026
Argo 2026 vem com mudanças bastante discretas

O Palio já pedia descanso quando a Fiat lançou o Argo em 2017. O novo hatch teve a dura missão de aposentar, de uma só vez, Palio, Punto e Bravo. Para tanto, a Fiat trouxe uma variedade de versões e motorizações, desde o 1.0 Firefly até o 1.8 que mais tarde estaria até no Jeep Renegade.

O hatch agradou em pontos importantes, como a conectividade, graças à moderna central multimídia com tela de sete polegadas.

Algumas mudanças na gama de versões ocorreram nos anos seguintes. A versão aventureira Trekking estreou em 2020 e, três anos depois, o Argo ganhou câmbio CVT associado ao motor 1.3. Pouco antes, em 2022, o Argo teve uma discreta reestilização frontal.

Se por um lado o Argo nunca repetiu o sucesso dos antigos compactos da Fiat, por outro ele sempre esteve entre os 10 carros mais vendidos do Brasil. E mais: faz bonito até hoje no ranking de emplacamentos.

Toro

Fiat Toro Volcano 2026
Toro é líder absoluta da categoria

A Toro não inaugurou o segmento de picapes intermediárias no Brasil, primazia que coube à Renault Oroch. Porém, a Toro, que está entre nós desde 2016, popularizou a ideia e fez a concorrência correr atrás do prejuízo. Prova disso são as iminentes estreias de Renault Niagara e Volkswagen Tukan em 2027, além da futura picape da Toyota baseada no Corolla Cross.

Ao reunir virtudes de SUVs em uma picape menor do que as médias, a Fiat agradou em cheio um público que curtia o estilo das picapes, mas não as compravam por serem grandes demais para o uso urbano.

Ao longo dos anos, a Toro se manteve atual. Passou por duas reestilizações, trouxe mais inovações como a capota rígida da versão Ultra e, mais recentemente, ganhou motorização híbrida leve. Esses são alguns motivos que justificam a supremacia da Toro no país.

Pulse

O Pulse não é um carro importante como outros modelos desta lista. Porém, ele merece um lugar no hall dos 50 anos da Fiat.

Seu lançamento em 2021 mostrou, mais uma vez, o poder de antecipação da Fiat, que sempre esteve ligada nas tendências de mercado. Afinal, depois do Pulse, outros concorrentes surgiram para disputar o mesmo espaço. Renault Kardian, Volkswagen Tera e Chevrolet Sonic não me deixam mentir…

Entre os méritos, o Pulse foi o primeiro SUV da Abarth no mundo. Mais recentemente, em 2024, ele lançou o sistema híbrido leve na motorização 1.0 turbo da linha T200 juntamente com seu “primo” Fastback.