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10 fatos sobre a história de 100 anos da Chrysler

Marca que já foi orgulho dos EUA chega ao centenário mergulhada no ostracismo
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Vitor Matsubara

09 jun 2025

9 minutos de leitura

Chrysler 100 anos
PT Cruiser foi um dos modelos emblemáticos da Chrysler

Não é exagero dizer que a Chrysler é um patrimônio dos Estados Unidos. A empresa já foi o estandarte do setor automotivo dos EUA ao lado de Ford e General Motors, com as quais formava o chamado “Big Three” – a trinca das maiores fabricantes de automóveis de Detroit que orgulhava o país.

Só que ultimamente esse símbolo da indústria automotiva norte-americana anda bastante esquecido – para dizer o mínimo. Desde a formação da FCA em conjunto com a Fiat, a Chrysler vem sendo renegada.

A situação se agravou a partir de 2020 com o surgimento da Stellantis, que também vitimou outras importantes marcas do grupo, como a Lancia e a Dodge.

É assim, com uma boa dose de melancolia, que a Chrysler completou 100 anos de vida no último dia 6. Resta, porém, uma esperança: a Stellantis revelou que vai abrir um centro de design na tentativa de, quem sabe, reviver a marca que já foi orgulho norte-americano.

Enquanto o destino da Chrysler não é selado, apresentamos 10 fatos sobre a história centenária da empresa.

1. Fundação e consolidação

Chrysler Six
Chrysler Six foi o primeiro sucesso da marca

A Chrysler surgiu em 6 de junho de 1925 pelas mãos de Walter P. Chrysler, que fundou a Chrysler Corporation a partir da estrutura da Maxwell Motor Company.

Walter era um ex-funcionário da Buick, que assumiu o controle da Maxwell e a reergueu graças ao sucesso de projetos como o Chrysler Six, um modelo com motor de seis cilindros lançado em 1924.

A empresa se consolidou com a aquisição da Dodge Brothers Inc. e a introdução da Plymouth, em 1928.

2. Potência no pós-Guerra

Chrysler 100 anos
Linha 300 foi um dos grandes sucessos da Chrysler em seus 100 anos

Após desempenhar papel de destaque na Segunda Guerra Mundial, quando cedeu suas fábricas para construir mais de 25 mil tanques, a Chrysler viveu décadas douradas nos anos 1950 e 1960.

Houve sucessos como o C-300, que foi lançado em 1955 com um motor Hemi V8 de 300 cv. Este foi um dos primeiros muscle cars da indústria dos Estados Unidos. Na década de 1960, diversos modelos explodiram nas vendas, como a linha Chrysler 300, o Dodge Charger e o Dodge Coronet.

3. A quase falência

A crise do petróleo de 1973 acertou em cheio diversas montadoras dos Estados Unidos. A Chrysler foi uma das que mais sentiram o golpe, especialmente após a ascensão das marcas japonesas, que cresceram nos EUA com modelos menores, mais econômicos e mais baratos.

Em meio a uma grave crise financeira, a Chrysler contratou Lee Iacocca, executivo que fez fama na arquirrival Ford por ser o “pai” do Mustang. Diante da situação alarmante, Iacocca pediu ao governo um empréstimo de US$ 1,5 bilhão para salvar a Chrysler da falência.

Depois de bastante polêmica, a Chrysler conseguiu o dinheiro e Iacocca instaurou uma política rígida de corte de custos. Reduziu seu próprio salário para US$ 1 ao ano e promoveu diversas mudanças na companhia.

Deu certo: em 1983, a Chrysler não só pagou o empréstimo como deu mais US$ 350 milhões em garantia para o governo norte-americano.

4. O sucesso das minivans e dos SUVs

Gerações das minivans Chrysler
Quatro gerações das minivans Chrysler

No mesmo ano em que saldou sua dívida junto ao governo, a Chrysler lançou dois modelos que mudaram sua história.

Dodge Caravan e Plymouth Voyager foram as primeiras minivans da indústria e ditaram as regras do mercado norte-americano, onde lideraram a categoria por 25 anos.

A soberania das minivans só seria ofuscada (parcialmente) nos anos 1990 com a ascensão dos SUVs. De olho nesse segmento, Iacocca adquiriu a American Motors Corporation (AMC), que detinha os direitos da marca Jeep.

Assim, a Chrysler começou a produzir o Cherokee (e posteriormente o Grand Cherokee), que caíram nas graças de milhares de famílias e endinheirados pelo mundo nas décadas seguintes.

5. Acordos com Lamborghini e Mitsubishi

Plymouth Laser
Plymouth Laser era uma versão americana do Mitsubishi Eclipse

Enquanto colhia os louros do sucesso das minivans, a Chrysler firmou dois importantes acordos. Comprou a Lamborghini em 1987 e fechou uma joint-venture com a Mitsubishi para produzir carros compactos em Illinois no fim dos anos 1980.

A relação entre Chrysler e Mitsubishi, inclusive, vinha desde os anos 1970, quando os norte-americanos adquiriram 15% das ações da Mitsubishi.

Na década seguinte, a Chrysler começou a vender alguns modelos japoneses sob as marcas de seu conglomerado. Rapidamente as importações passaram da casa das 100 mil unidades.

Logo se criou um desconforto entre as marcas, já que a Mitsubishi se interessou pelo mercado dos Estados Unidos e queria vender seus carros por conta própria.

Assim nasceu a Diamond Star Motors, uma joint-venture de 50:50 para fabricar carros da Mitsubishi no país. Aí surgiram modelos como Plymouth Laser e o Eagle Talon, que eram versões quase idênticas do Mitsubishi Eclipse.

Em 1991, a Mitsubishi comprou a parte da Chrysler, que vendeu sua participação acionária para os japoneses dois anos depois. A Diamond Star Motors foi renomeada como Mitsubishi Motors Manufacturing America (MMMA) em 1º de julho de 1995.

6. Fracasso na fusão com a Daimler

Chrysler Crossfire
Crossfire era um estranho esportivo baseado no Mercedes-Benz SLK

Um novo acordo comercial mudaria novamente o curso da Chrysler – só que, desta vez, sem um final feliz.

Em 1998, Chrysler Corporation e Daimler-Benz AG anunciaram uma fusão que deu origem à DaimlerChrysler AG em novembro daquele ano.

O começo até foi promissor, apesar da extinção da marca Plymouth. Porém, logo os conflitos culturais entre executivos norte-americanos e alemães prejudicaram a gestão da empresa. Houve projetos bem sucedidos, como o Chrysler 300C (que aproveitava a base do Mercedes-Benz Classe S), e alguns fracassos – caso do Chrysler Crossfire, um estranho cupê derivado do Mercedes-Benz SLK.

Após um prejuízo de US$ 1,6 bilhão em 2005, a Daimler acabou com a fusão e vendeu a Chrysler para o grupo de investidores Cerberus Capital Management em 2007. A “nova” empresa foi rebatizada como Chrysler LLC.

7. Governo volta a salvar a Chrysler da falência

Chrysler 100 anos
PT Cruiser simbolizou a Chrysler nos anos 2000

Em dezembro de 2008, após a crise financeira global de setembro, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou um plano emergencial de ajuda à “Big Three”, já que Ford e General Motors também passavam por sérias dificuldades financeiras.

A decisão foi a saída para impedir o colapso da indústria automotiva do país. Foram disponibilizados US$ 13,4 bilhões de forma imediata para salvar as montadoras da falência.

Inicialmente, o dinheiro foi destinado à General Motors e Chrysler, já que a Ford garantiu a existência de recursos próprios para sobreviver – a empresa se desfez das marcas Volvo, Jaguar e Land Rover meses antes do estopim da crise.

8. A compra pela Fiat

Em 2009, a Fiat surgiu como compradora da maioria das ações da Chrysler. Enquanto isso, os credores se negaram a financiar as dívidas da empresa norte-americana, que entrou com pedido de concordata pelo Capítulo 11 (legislação de falências dos Estados Unidos) em abril de 2009.

Dois meses depois, o acordo com a Fiat foi concluído e a fabricante italiana adquiriu 20% das ações da Chrysler, que foi rebatizada como Chrysler Group LLC. Nos primeiros anos, a empresa voltou a ter resultados positivos e pagou uma dívida de US$ 7,5 bilhões aos governos dos Estados Unidos e Canadá.

Em janeiro de 2012, a Fiat assumiu 58,5% das ações da Chrysler, sendo que, dois anos depois, comprou os 41,5% restantes da United Auto Workers. Em outubro de 2014, a Fiat SpA e o Chrysler Group LLC se fundiram na FCA Fiat Chrysler Automobiles.

9. Fusão com PSA

Chrysler 300
Segunda geração do 300 foi um dos poucos lançamentos recentes

A Chrysler até ganhou atenção da FCA nos primeiros anos. O sedã 300 foi lançado em 2014, dois anos antes da estreia da Pacifica, minivan que aposentou a Town & Country.

Uma reviravolta começou em outubro de 2019, quando a FCA manifestou a intenção de se fundir com a PSA Peugeot Citroën no regime de 50:50. Os termos vinculativos foram aprovados no fim de 2020 e, em janeiro de 2021, a fusão foi aprovada. Nascia aí a Stellantis.

10. O auge da decadência e a possível ressureição

Chrysler Halcyon
Conceito Halcyon pode marcar a volta da Chrysler

A Chrysler não lançou nenhum produto novo desde o começo da “era Stellantis”. A nova gestão deixou a marca completamente de lado, a exemplo do que ocorre com Lancia e Dodge.

Este é o pior momento dos 100 anos da Chrysler. Porém, o cenário pode mudar em breve. Em entrevista à revista “Road & Track”, o chefe de design da Stellantis, Ralph Gilles, revelou que a Chrysler vai ter um centro de design para chamar de seu.

Novos funcionários estão sendo recrutados para trabalhar nos times de marketing e design exclusivamente com a marca Chrysler.

No começo desta semana, a CEO da Chrysler, Chris Feuell, afirmou que um modelo será lançado para substituir o sedã 300, que saiu de linha em 2023. Esse novo produto seria inspirado no carro-conceito Halcyon. Um SUV também estaria nos planos da empresa.