
Antonio Filosa, nomeado CEO global da Stellantis, assume o comando de uma das maiores montadoras do mundo em um momento de transformação profunda da indústria automotiva. Sua gestão já começa com grandes expectativas e também com desafios complexos.
Abaixo, listamos aqueles que podem ser considerados os principais desafios do executivo à frente da empresa que se denomina uma house of brands.
1. Aceleração do processo de eletrificação
A Stellantis tem metas ambiciosas de eletrificação, com planos de lançar mais de 75 modelos eletrificados até 2030 e tornar-se uma empresa livre de carbono até 2038. Filosa precisa liderar essa transição em meio à pressão regulatória e à concorrência intensa com empresas como Tesla e BYD, por exemplo.
O executivo também enfrenta a necessidade de acelerar a nacionalização da produção de veículos elétricos em mercados estratégicos, como América do Sul, Europa e América do Norte, e reduzir a dependência da Ásia em componentes essenciais, como baterias.
2. Reorganizar as estruturar internas
Após a fusão entre FCA e PSA, a Stellantis herdou 14 marcas e fábricas em vários continentes, o que exige um esforço contínuo de integração e otimização.
Filosa terá que equilibrar essa estrutura gigantesca, cortar custos sem prejudicar empregos ou a imagem das marcas. Além disso, enfrenta o desafio de manter a rentabilidade enquanto investe pesadamente em P&D, software automotivo e eletrificação.
A padronização de plataformas e tecnologias é vista como essencial para garantir agilidade na produção e lançamentos aderentes ao mercado.
3. Fortalecimento das marcas nos EUA e na China
Apesar de forte presença na Europa e América Latina, a Stellantis tem desempenho abaixo do esperado na China — maior mercado automotivo do mundo.
Filosa precisará redefinir estratégias para reverter essa tendência, seja por meio de parcerias locais, reposicionamento de marcas ou reestruturação operacional.
Nos EUA, mercado que já conhece bem, o desafio está em manter a liderança da marca Ram e recuperar espaço com as demais marcas do grupo, enfrentando concorrentes como Ford e GM, que têm avançado mais rápido na eletrificação de picapes e SUVs.
4. Gestão de múltiplas marcas e identidades
Com marcas tão diversas como Jeep, Fiat, Peugeot, Citroën, entre outras, o novo CEO terá que preservar as identidades de cada uma enquanto garante sinergia tecnológica e comercial.
Isso exige uma comunicação de marca muito clara, inovação constante e estratégias personalizadas para diferentes regiões – algo que já fez aqui na América do Sul.
Além disso, Filosa terá que tomar decisões difíceis sobre possíveis enxugamentos ou fusões internas de marcas que não apresentam desempenho satisfatório.
5. Liderança em software automotivo
A Stellantis quer se posicionar como líder em software automotivo, inclusive com veículos conectados, direção autônoma e serviços de mobilidade. A parceria com a Amazon para o desenvolvimento da plataforma STLA SmartCockpit é um passo importante, mas Filosa precisa garantir escala.
Ele também enfrentará a competição com empresas de tecnologia e startups que já nasceram digitais, como a Rivian e a Lucid Motors, além da pressão para criar ecossistemas integrados de mobilidade urbana e eletrificação.
6. Relações sindicais e políticas públicas
Como CEO global, Filosa também enfrentará negociações trabalhistas delicadas, principalmente nos Estados Unidos, onde greves e pressões sindicais já afetaram a Stellantis em 2023.
Além disso, ele terá que lidar com políticas industriais e ambientais diferentes em cada continente, o que inclui subsídios, tarifas de importação e exigências locais de conteúdo nacional. A habilidade diplomática será fundamental para preservar competitividade e reputação institucional.
No Brasil, o executivo mostrou habilidade neste expediente à época das negociações que envolviam a prorrogação do Regime Automotivo do Nordeste.
7. Saúde financeira em meio à transformação
Por fim, um dos maiores desafios será garantir que a empresa mantenha sua sustentabilidade financeira enquanto atravessa o processo de transformação tecnológica e energética. O equilíbrio entre investimentos pesados em eletrificação, digitalização e sustentabilidade com a necessidade de lucratividade no curto prazo será um teste crítico à sua gestão.
