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Do Brasil para o mundo: 5 fatos sobre a ascensão de Antonio Filosa à liderança global da Stellantis

Executivo, que assumirá posição mais alta dentro da montadora, passou parte da sua carreira na operação da empresa na América do Sul
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Bruno de Oliveira

28 mai 2025

5 minutos de leitura

Antonio Filosa foi indicado para o cargo máximo da Stellantis, o de CEO global da companhia, um feito que marca definitivamente a trajetória de um executivo que foi forjado no mercado da América do Sul.

Seu desempenho na região já o havia credenciado para assumir, no ano passado, a posição de chefe global da marca Jeep, passando a dar expediente a partir de uma base nos Estados Unidos. Em seguida, subiu mais um degrau e tornou-se diretor de operações para as Américas e diretor global de qualidade.

Mais uma vez, os ventos que sopram no mundo corporativo moveram as cadeiras na alta cúpula da organização, de modo que a principal delas, à época ocupada pelo português Carlos Tavares, acabou por ficar vazia.

Os fatores que levaram o conselho de administração da empresa a indicar o seu nome para o posto estão claros no comunicado divulgado na abertura do mercado europeu na quarta-feira, 28.

“O conselho selecionou com base em seu histórico comprovado de sucesso prático durante mais de 25 anos na indústria automotiva, na profundidade e amplitude de sua experiência ao redor do mundo, em seu conhecimento inigualável da empresa”, diz a nota.

No que diz respeito ao conhecimento da empresa, vale destacar que boa parte dele foi adquirida abaixo da linha do Equador, no sul global onde a Stellantis é protagonista com a marca Fiat.

1. Argentina, allá me voy

Tudo começou quando, em agosto de 2016, o executivo italiano, que desde 2006 ocupava cargos administrativos na estrutura da montadora em Betim (MG), foi indicado para o seu primeiro cargo de liderança em uma operação, no caso, o braço argentino da FCA.

“Meu foco será a crescente integração da FCA na América Latina. A Argentina é uma importante plataforma de produção e exportação, que deve operar em estreita sinergia com o Brasil, compartilhando processos e a mesma estratégia”, disse o executivo à época.

2. O bom filho à casa torna

A passagem pela Argentina ficou marcada por um forte processo de corte de custos e negociação para produzir novos modelos na região, como foi o caso do sedã compacto Fiat Cronos, que entrou em linha da fábrica de Ferreyra, em Cordoba, em 2018.

O desempenho administrativo chamou a atenção da matriz e, tempos depois, seu nome foi o escolhido para comandar a operação da empresa na América do Sul.

Filosa, então, retorna ao Brasil como nome forte da empresa para liderar um processo que, anos mais tarde, culminaria na ascensão da companhia como líder do mercado brasileiro.

Mas, antes, era preciso preparar o terreno.

O que foi feito, à princípio, foi um forte movimento de localização de componentes no país, o que proporcionou à empresa o fornecimento de produtores locais de mais de 90% das peças utilizadas nas linhas de Betim (MG), por exemplo.

3. Consolidação da Stellantis e liderança no Brasil

Esse movimento permitiu à empresa ter margem de manobra para negociar os preços dos seus veículos. Essa espécie de vantagem competitiva, aliada à uma nova oferta de veículos desenhada para o mercado local, levou a empresa à liderança do mercado.

Uma liderança que, inclusive, perdura até os dias atuais. Mesmo com o avanço de marcas chinesas na América do Sul, a Stellantis, com todas as suas marcas, responde por quase um quarto do mercado na região.

Essa forma de buscar redução do custo operacional era vista em sua gestão como a chave do sucesso da empresa na região. Filosa carregou essa estratégia ao consolidar a operação da Stellantis localmente, que surgiu a partir da fusão da FCA com a PSA, em 2021. Na época, ele foi nomeado para seguir à frente do conglomerado no continente.

4. Negociação pela renovação de incentivos fiscais

Para manter o ritmo, a empresa julgou que era preciso renovar o regime automotivo do Nordeste, um programa federal que concedeu incentivos fiscais às empresas que se instalassem na região. Antonio Filosa esteve praticamente na linha de frente das negociações com o governo federal para que o programa fosse renovado até 2032.

Em meio às fortes pressões das concorrentes instaladas em estados no Sul e Sudeste, e também da opinião pública, contrária a mais uma remessa de isenções fiscais, a empresa conseguiu a renovação pouco depois de ele já ter deixado o país para atuar nos Estados Unidos.

A empresa tinha uma boa moeda de troca para negociar com o governo: o maior investimento já feito por uma fabricante de veículos no Brasil, de R$ 30 bilhões, prometido em 2024 pelo sucessor local de Filosa, Emanuele Cappellano, já com a confirmação de que os incentivos da região Nordeste seguiriam em vigor.

Antes de arrumar as malas para os Estados Unidos, Filosa deixou a empresa em uma espécie de nova etapa no Brasil, com um programa de atração de mais fornecedores para o Nordeste, além da chegada da linha de veículos híbridos BioHybrid.

5. A ida aos Estados Unidos

Em 2024, veio a indicação para assumir a direção global da Jeep nos Estados Unidos, respaldado pelos resultados que obteve na operação na América do Sul.

A meta da vez seria alavancar as vendas da marca no mercado norte-americano. Apesar dos bons resultados no fim da década passada, quando chegou a vender quase 1 milhão de veículos em 2018, a Jeep jamais repetiu o desempenho comercial desde então.

Antes de assumir o cargo de CEO global, Filosa estava debruçado na renovação da oferta de SUVs da Jeep nos Estados Unidos, processo que deverá seguir adiante pelo seu sucessor.