
Em junho, mês do Orgulho LGBTQIA+, empresas do setor automotivo reforçam ações voltadas à diversidade e inclusão. Nos últimos anos, a pauta avançou em visibilidade e ganhou espaço nas estratégias corporativas.
Mas os dados mostram que ainda há desafios. Enquanto 61% dos colaboradores avaliam os esforços de suas empresas em diversidade e inclusão como ótimos ou excelentes, entre profissionais LGBTQIA+ o índice cai para 47%, indicando uma percepção menos positiva sobre o ambiente de trabalho.
A seguir, reunimos 10 fatos da pesquisa “Diversidade e ESG no Setor Automotivo 2026“, realizada pela Automotive Business e MHD Consultoria com 3.047 profissionais.
A coleta de dados considera a percepção dos funcionários sobre o ambiente de trabalho, com base em metodologia derivada do Employee Net Promoter Score (eNPS) e indicadores adicionais de diversidade. Com isso, são analisados aspectos como inclusão, pertencimento, oportunidades, respeito, saúde mental e bem-estar nas empresas do setor.
Fato 1: 9,4% dos profissionais do setor automotivo são LGBTQIA+
Em 2026, o número de profissionais do setor automotivo que se autodeclaram subiu para 9,4%. Apesar de pouco, mostra uma evolução significativa desde 2023, quando eram apenas 1% do setor.
Atualmente, 3,8% dos talentos são bissexuais, 3,2% são gays e 2% são lésbicas. Pessoas pansexual e assexual somam 0,2%, cada.
Mulheres e homens trans também somam 0,2%, cada, assim como as pessoas não binárias.
Fato 2: Apenas 1% da liderança é LGBTQIA+
Com a baixa presença de profissionais LGBTQIA+ no setor automotivo, a presença desse grupo na liderança é quase nula, apenas 1%.
O que mais preocupa é que apenas 14% das empresas têm metas e contratação exclusivamente para esses profissionais, o que dificulta a entrada e promoção desses talentos, apesar dos esforços em grupos de afinidade e de outras ações voltadas para esse público.
Fato 3: Profissionais se sentem menos respeitados
No setor automotivo, 9 em cada 10 profissionais do setor automotivo se sentem tratados(as) com dignidade e respeito.
No entanto, profissionais LGBTQIA+ apresentam menor proporção de respostas “sempre” (55%) e são o grupo com maiores percentuais de respostas negativas como “ocasionalmente, raramente ou nunca me sinto respeitado”, com 14%.
Fato 4: Com isso, 23% não se sentem à vontade para ser quem realmente são no trabalho
Na amostra geral, 8 em cada 10 profissionais se sentem à vontade ou muito à vontade para serem plenamente quem são no ambiente de trabalho.
Já a população LGBTQIA+ tem menor senso de pertencimento. Apenas 23% dizem se sentir meio, pouco ou nada à vontade para serem totalmente quem são no ambiente de trabalho.
Fato 5: Opinião e voz de talentos LGBTQIA+ são menos valorizados
Apesar de se sentirem respeitados e tratados com dignidade, os profissionais LGBTQIA+ sentem que suas vozes e opiniões não são sempre ouvidas – o que contribui para diminuir o senso de pertencimento.
Os profissionais LGBTQIA+ registraram o pior percentual quando perguntados se sua opinião é valorizada no ambiente de trabalho: 27,3% responderam que ocasionalmente, raramente ou nunca têm suas opiniões valorizadas. Enquanto 72% disseram que sempre ou frequentemente.
Todos os profissionais percebem altos níveis de respeito e dignidade, acima de 86%. No entanto, a diferença entre ter respeito e dignidade versus ter sua opinião valorizada é maior para pessoas LGBTQIA+, indicando menor percepção de voz, influência e participação nas decisões.
Fato 6: Profissionais LGBTQIA+ são mais expostos a preconceito e desrespeito
Outro fator que dificulta o senso de pertencimento e se sentir à vontade para ser quem é dentro do trabalho são as violências que ainda acontecem dentro do ambiente corporativo.
Os talentos LGBTQIA+ são mais expostos a situações de preconceito ou risco (38%), mais que o dobro da média geral de colaboradores (21%).
Há ainda um agravante: os profissionais LGBTQIA+ também são os que menos se sentem seguros para comunicar problemas ao RH ou outro canal de denúncia, apenas 61%, enquanto a média de confiança geral dos colaboradores chega a 74%.
Fato 7: Profissionais LGBTQIA+ percebem maior impacto do trabalho na saúde mental
No setor automotivo, 7 em cada 10 profissionais percebem fatores que podem impactar sua saúde mental no trabalho.
Os profissionais LGBTQIA+ também têm uma percepção de fatores que impactam a saúde mental no trabalho acima da média, chegando a 78%.
Cerca de 34% deles relatam perceber esse impacto com maior frequência ou de forma constante, bem acima da amostra geral de 24% dos colaboradores do setor.
O impacto na saúde mental dos colaboradores LGBTQIA+ está relacionado aos fatores já mencionados, como maior incidência de situações de discriminação e preconceito, menor senso de pertencimento, voz e valorização, além da dificuldade de sentirem à vontade para serem quem realmente são no ambiente profissional.
Fato 8: Falta de oportunidades de crescimento afeta mais profissionais LGBTQIA+
9 em cada 10 profissionais conseguem visualizar oportundade de crescimento profissional em suas empresas.
No entanto, os profissionais LGBTQIA+ são os que mais percebem falta de oportunidades e restrições profissionais, com 31% dos respondentes impactados por barreiras ao desenvolvimento de carreira, enquanto na amostra geral a média é de 19% para os demais colaboradores.
Esse cenário pode estar relacionado ao fato de que apenas 14% das empresas do setor têm metas para a contratação e promoção desses talentos.
Fato 9: Profissionais percebem maior desengajamento das lideranças na agenda LGBTQIA+
A falta de oportunidades está ligada a outra percepção sobre o desengajamento das lideranças com a pauta LGBTQIA+.
No setor automotivo, 61% dos colaboradores LGBTQIA+ avaliam o comprometimento da liderança com diversidade e inclusão como “comprometida” ou “muito comprometida” – esse é o menor percentual entre os grupos analisados, e bem abaixo da média geral, de 80%.
Com isso, os profissionais LGBTQIA+ concentram a percepção mais negativa sobre o engajamento da liderança com o tema, com cerca de 20% avaliando o comprometimento como mediano, pouco comprometido ou nada comprometido.
Fato 10: Agenda LGBTQIA+ é a segunda mais importante para empresas
Para 61% dos colaboradores, os esforços de sua empresa em diversidade e inclusão são ótimos ou excelentes. Para profissionais LGBTQIA+, o percentual é de 47%.
No entanto, apesar de uma percepção mais negativa dos profissionais LGBTQIA+ em diversos quesitos, esse é o segundo eixo de diversidade que mais recebe atenção das empresas automotivas.
O eixo gênero aparece em primeiro (84%), seguido de LGBTQIA+ (79,55%), etnia/raça (79,3%), PcDs (76%), jovens talentos (54%), gerações/etarismo (36%) e refugiados (20%).
Muitas empresas contam com grupos de afinidade, programas estruturados para esse eixo e até compromissos públicos, e algumas com metas. O que falta agora é transformar essas iniciativas em mudanças percebidas no dia a dia dos profissionais, especialmente em oportunidades, segurança psicológica, pertencimento e representatividade na liderança.