
A 99 está usando telemetria para analisar o comportamento de motociclistas parceiros e tornar a condução mais segura por meio de dados e educação. Os dados coletados geram um relatório com nota de pilotagem que precisa estar acima de 60%, sob pena de restrições para maus condutores.
Com isso, os motoristas estão melhorando sua condução no trânsito para não serem restritos da plataforma. No Rio de Janeiro, houve redução de 53% dos pilotos com mau comportamento entre janeiro e março.
Incentivada por um programa da prefeitura do Rio, a cidade é pioneira nessa coleta de dados e os resultados do primeiro relatório de direção foram apresentados em evento nesta quinta-feira, 21. A tecnologia já está funcionando também em outras cidades do país.
Como funciona o relatório de direção
A partir de sensores no celular, a 99 detecta cinco aspectos da pilotagem: limite de velocidade, aceleração, frenagem, curvas acentuadas e mudança de faixa.
Esses dados geram um relatório para os motociclistas com recomendações personalizadas do que melhorar e uma nota de direção, que precisa atingir no mínimo 60%. Aqueles que não atingem essa média, são notificados e têm 15 dias para melhorar sua condução no trânsito, sob pena de restrição temporária da conta ou até exclusão.
Dados mostram melhora na condução dos pilotos
Com as recomendações e os alertas preventivos da 99, até 82% dos condutores cariocas conseguem corrigir comportamentos de risco. Já a nível nacional, a média é de 80% na mudança de comportamento.
Só com a notificação, 30% dos pilotos cariocas melhoraram sua nota e evitaram restrição na conta. Já os usuários que foram restritos temporariamente, 64% voltaram para o aplicativo apresentando melhor comportamento, com nota acima da média.
Essa combinação entre tecnologia, educação e monitoramento tem se traduzido em impacto real no trânsito. Os dados da 99 mostram uma queda de 35% nos acidentes registrados no primeiro trimestre deste ano, resultado três vezes melhor do o mesmo período de 2025.
Segurança é estratégia de negócio da 99
O novo relatório de direção da 99 é parte do Programa de Monitoramento de Direção Segura de Condutores, da prefeitura do Rio de Janeiro, que exige a aplicação de um plano de restrições para motociclistas com pontuação abaixo do esperado.
“O intuito é apoiar, dar visibilidade e promover mais educação no trânsito”, explicou a gerente sênior de segurança da 99, Maria Luiza Marcolan. “Segurança não é uma ferramenta isolada, é estratégia do negócio da 99 e faz parte do que a gente entende que é a nossa responsabilidade com os motoristas, os passageiros e as cidades.”
Por isso, em 2026 a empresa está investindo mais de R$ 145 milhões em segurança no trânsito, entre ações preventivas, conscientização, dados e tecnologia, entre outros.
Essa estratégia de negócio se apoia em três pilares: alta densidade de dados, como o relatório de condução; educação dos motociclistas parceiros; e por último, controlar quando a educação não é efetiva, entrando aí as restrições aos maus condutores.
Segundo Maria Luiza, os próximos passos agora são coletar dados sobre onde tem mais curvas perigosas na cidade e locais de frenagem mais brusca para também alertar os motociclistas durante as corridas.
Tecnologia chinesa calibrada para motocicletas
A tecnologia da 99 é inspirada em uma telemetria voltada para quatro rodas da Didi, empresa chinesa controladora da plataforma.
Mas, por conta do maior risco de motociclistas no trânsito, a empresa priorizou desenvolver uma solução para o modal de duas rodas no Brasil, explicou a gerente sênior de segurança da 99, Maria Luiza Marcolan.
Com isso, a 99 criou o algoritmo e o Instituto Mauá de Tecnologia calibrou ele para funcionar em motocicletas através de diversos testes.
Primeiro, criaram um aplicativo teste para gerar os dados. Depois, equiparam várias motos com vários celulares ao mesmo tempo para testes de pilotagem em pista fechada, na qual um motociclista profissional fazia manobras mais arriscadas para ver como o aplicativo reagia e calibrar o algoritmo.