
Se há uma lição da estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar massivamente importações, é mostrar ao resto do mundo que está é uma estratégia ineficiente.
A análise é de Marcelo Godoy, presidente da Abeifa, associação que representa importadores e fabricantes de veículos.
“Tivemos esse movimento no setor automotivo no Brasil, de pedir aumento das tarifas para carros eletrificados importados. Trump deixa claro que o importante não é a tarifa em si, mas a previsibilidade sobre esse tipo de mudança”, diz.
Abeifa acha que Brasil abre precendentes na indústria
Ele lembra que calcular a eficiência desse tipo de medida com base na geração imediata de receitas aos cofres públicos é ineficiente.
“Precisamos lembrar que, no fim, quem paga essa conta é o consumidor e uma parcela deixa de comprar por causa de um eventual aumento de preços.”
Na visão do executivo, ao ceder à pressão de um determinado segmento para elevar proteção contra a concorrência importada, o governo abre precedente para que esse tipo de pedido surja em diferentes indústria.
“O que precisamos fazer é garantir condições justas de competição entre a produção nacional e importada e melhorar a eficiência da produção local”, defende
Setor automotivo brasileiro precisa estar pronto
Godoy admite que outra consequência das medidas intempestivas de Donald Trump é um apetite maior de algumas marcas por destinar volumes maiores de carros para o Brasil, já que o mercado dos Estados Unidos está mais fechado. “As empresas vão aumentar alocação de veículos para o país”, resume.
Ele destaca, no entanto, que, fora do segmento de luxo, 50% dos carros vendidos no Brasil são financiados.
Com a taxa básica de juros tão elevada, o mercado local terá dificuldade de absorver volumes tão elevados.
“Agora, deveremos focar em fazer a lição de casa, em ganhar produtividade para aumentar os volumes de vendas internas e elevar o volume de vendas tanto de veículos importados, quanto de nacionais”, diz o presidente da Abeifa.
Segundo ele, neste momento, a frota circulante brasileira tem a maior idade média da história. O executivo calcula o potencial de substituir um milhão de veículos para promover renovação.
Com medidas como redução dos juros e investimentos em produtividade, Godoy entende que o Brasil poderia voltar ao mercado de 3 milhões de carros por ano – um bolo maior para dividir entre modelos nacionais e importados.
