
Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entra em vigor nesta sexta-feira, 1º, criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Do lado brasileiro, a última etapa foi a sanção do documento pelo presidente Lula na terça-feira, 28. Os demais países do Mercosul, Argentina, Uruguai e Paraguai, também já ratificaram o acordo.
Já o Parlamento Europeu solicitou ao tribunal da UE uma análise jurídica do acordo. No entanto, a Comissão Europeia afirmou que ele será aplicado provisoriamente a partir de maio, mesmo antes da decisão judicial.
O que muda com o acordo Mercosul-União Europeia
O acordo Mercosul-União Europeia cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, conectando um mercado de 720 milhões de consumidores e cerca de US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos).
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 80% dos produtos vendidos pelo Brasil ao bloco europeu terão tarifa zero imediata: cerca de 5 mil produtos, incluindo bens industriais e agrícolas.
No setor de máquinas e equipamentos, 96% das exportações para a Europa ficarão livres de tarifas.
A longo prazo, o Mercosul vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já a UE eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos.
No setor automotivo, a abertura para veículos europeus será gradual e pode levar até 30 anos, dependendo da tecnologia. Carros a combustão terão imposto zerado em 15 anos, enquanto os carros eletrificados levarão 18 anos e os modelos a hidrogênio, 25 anos, para proteger a indústria local.