
Além de ampliar a participação no mercado de automóveis, as chinesas também tem conquistado espaço entre as máquinas agrícolas. De janeiro a setembro de 2026, as importações de tratores agrícolas vindos da China cresceram 117%, registrando 5,2 mil unidades. Ao mesmo tempo, as vendas de tratores no mercado interno brasieliro caíram 14,1% até agosto. Os dados são do levantamento da Anfavea, divulgado nesta quarta-feira, 21.
Segundo a Anfavea, esse movimento de aumento de importações chinesas ocorre diante de um mercado que vem encolhendo desde 2021. As vendas domésticas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto, queda de 15,8% em relação ao ano passado. As colheitadeiras, por sua vez, tiveram um recuo de 39,4%.
Por outro lado, as importações gerais de máquinas agrícolas subiram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades, mais que o dobro das unidades exportadas no período, que somaram 5 mil. As importações de tratores também cresceram 42% no mesmo período.
Licitações de máquinas vindas da China somaram R$ 960 milhões
De acordo com o levantamento, as compras públicas tiveram um papel relevante na ampliação da presença de máquinas importadas, com 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 sendo importados. Os dados são baseados no Portal Nacional de Contratações Públicas.
Entre as 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas também em 2025, as de origem chinesa ficaram com 33,5% das unidades. O valor das licitações somaram R$ 3,7 bilhões e, desse total, cerca de R$ 960 milhões foram destinados à compra de máquinas vindas da China.
Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, os critérios para a compra devem considerar fatores além do preço. “Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição”, defende Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Crédito elevado e endividamento são fatores que limitam compras de máquinas
Segundo os dados da Anfavea, o aumento das importações ocorre em um cenário de dificuldades para o agronegócio, com aumento da inadimplência, menor rentabilidade diante da queda dos preços das commodities e custo elevado do crédito.
No segmento de construção, no entanto, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por máquinas rodoviárias, ou seja, as escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.
Dentro do meio rural, o endividamento elevado e a baixa rentabilidade do produtor são fatores que desestimulam a compra de máquinas novas, segundo a entidade. Em setembro, a Selic estava em 13,75% ao ano. Um mes antes, em agosto, a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7%, segundo dados do Banco Central.
Ao mesmo tempo, montadoras instaladas no Brasil enfrentam aumento dos custos de produção, de acordo com a entidade. Um dos fatores elencados pela Anfavea é o encarecimento dos componentes plásticos, influenciado pela alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e por medidas antidumping aplicadas a determinados produtos. Segundo estimativas das associadas da entidade, medidas como essas podem elevar até 7% o custo dos componentes plásticos utilizados.