
Nunca se vendeu tanto carro elétrico no Brasil como em 2026. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) revelam que, de janeiro a agosto deste ano, foram emplacados 371.306 carros com algum tipo de eletrificação. Destes, os veículos elétricos representam 143.574 unidades – nada menos do que 38,7%.
Se os números atuais são expressivos, grande parte desse feito se deve ao BYD Dolphin. O hatch foi um dos primeiros carros elétricos a fazer sucesso no país, principalmente pelo preço mais acessível em relação aos veículos deste tipo comercializados por aqui até então.
Mesmo com a chegada de (muitos) rivais, o prestígio do Dolphin segue inabalado. Além de ser um dos cinco carros elétricos mais vendidos do Brasil em 2026, o modelo é o vice-líder no ranking de emplacamentos para pessoa física, com 27.706 unidades.
Fica atrás apenas de seu irmão menor BYD Dolphin Mini, que lidera as estatísticas com 41.015 licenciamentos de janeiro a agosto. Os números são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Com vendas tão expressivas, a pergunta que não quer calar é: por que o BYD Dolphin vende tanto assim?
BYD Dolphin SE é espaçoso e confortável
As respostas não demoram a surgir. O Dolphin tem um projeto com foco no conforto. Apesar de ser um hatch compacto, oferece muito espaço interno, principalmente no banco de trás. Mérito da ótima distância entre-eixos de 2,70 metros – a mesma do Toyota Corolla. A largura de 1,77 m e os 1,57 m de altura também contribuem para os passageiros terem uma vida mais confortável.
Assim fica fácil entender por que o Dolphin é o queridinho dos motoristas de aplicativo. A ressalva vai para o porta-malas de 250 litros, pequeno até para um carro compacto. Pelo menos, o Dolphin SE tem estepe, ao contrário da maioria dos carros elétricos chineses – inclusive da BYD – que só oferecem kit de reparo emergencial.
Quem vai na frente também é muito bem tratado. Os bancos vieram dos SUVs mais caros da BYD e, além de envolventes e confortáveis, trazem encostos de cabeça reguláveis – algo que não era possível com os antigos bancos do tipo concha. A posição de dirigir também agrada por ser levemente elevada.
Interior tem novidades bem-vindas

A versão SE avaliada por Automotive Business tem várias mudanças internas em relação à configuração GS, a mais vendida da gama.
A cabine recebeu novidades muito bem-vindas. O quadro de instrumentos digital agora tem 8,8 polegadas, quase o dobro da antiga peça de 5″. Ficou mais bonito e prático de ver as informações.
A tela da central multimídia também cresceu e tem 12,8″. Perdeu a (pouco útil) função rotativa, porém ganhou em usabilidade. Além de muito mais responsiva, a tela exibe imagens em resolução melhor e o hardware tem funcionamento mais ágil.
Por falar nele, agora há integração com o ecossistema Google e é possível espelhar os sistemas operacionais Android Auto e Apple CarPlay sem a necessidade de cabos.
A alavanca do câmbio saiu do console central para a coluna de direção. Essa alteração abriu mais espaço para um porta-objetos e o carregador de celular por indução. O acabamento do painel troca o visual irreverente em duas cores por um estilo mais sóbrio e sofisticado.
Dolphin SE é bem equipado
O pacote de equipamentos do Dolphin SE é bastante completo. Há itens como ar-condicionado digital (de uma zona), carregador de celular por indução (com carga rápida a 50 W e ventilação), chave presencial, bancos com revestimento de couro com ajustes elétricos para o motorista e ventilação para os ocupantes da frente e faróis de LED.
A lista de itens de segurança é reforçada pelo pacote de assistências à condução (o famoso ADAS). Ele inclui piloto automático adaptativo, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa de rolamento e sensor de pontos cegos.
Desempenho de sobra

Há novidades interessantes na motorização. O novo motor elétrico síncrono de ímãs permanentes montado no eixo dianteiro entrega 177 cv e 29,6 kgfm de torque instantâneo. É uma baita evolução frente aos 95 cv e 18,3 kgfm da versão GS, inclusive na aceleração de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos – exatos 3 segundos a menos.
As respostas são muito prontas ao mais leve toque no acelerador e, não fosse a presença do controle de tração nas arrancadas mais fortes, o motorista poderia passar por alguns apuros.
O BYD Dolphin SE também tem suspensão traseira multilink no lugar do eixo de torção. Juntamente com isso há uma nova calibração de molas e amortecedores, que resultou em uma melhoria considerável no conforto a bordo.
O comportamento dinâmico melhorou significativamente e as imperfeições do piso são absorvidas de forma mais competente.
Preço e bateria são defeitos
Certamente você notou que encontrei muitas qualidades no BYD Dolphin SE. Só que o preço não é uma delas. Por R$ 159.990, ele fica entre as versões GS (R$ 149.990) e Plus (R$ 184.800). É verdade que a rede BYD vive dando descontos sobre os preços de tabela, mas o Dolphin SE não é barato.
A bateria de 45,1 kWh é pouca coisa maior do que a de 44,9 kWh do Dolphin GS. A potência máxima de recarga aumentou de 65 kW para 80 kW, permitindo que a bateria vá de 30% para 80% em aproximadamente 25 minutos – ou cinco minutos a menos.
Curiosamente, a autonomia do Dolphin SE é inferior à das demais versões. São 272 km pelo ciclo PBEV, do Inmetro. A versão GS roda até 291 km e a Plus vai até 330 km.
Vale a pena comprar o BYD Dolphin SE?
Sim, especialmente se você encontrá-lo com um bom desconto na concessionária. Caso contrário, pense em outros modelos de segmentos superiores. Com R$ 10 mil a mais, você já compra um SUV, seja da própria BYD (como o Atto 2) ou de outras marcas chinesas (caso do Omoda 5).
