
Com o avanço da inteligência artificial e da transformação digital, o setor automotivo tem recorrido cada vez mais a pesquisadores acadêmicos para acelerar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).
Uma das principais portas de entrada é o programa Inova Talentos, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), que conecta pesquisadores à indústria para atuarem exclusivamente em pesquisas para solucionar problemas reais de empresas automotivas.
A iniciativa possibilita que as empresas incorporem talentos acadêmicos por meio de bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) ou IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), com duração de 12 até 24 meses.
Pesquisa acadêmica gera resultados significativos na indústria
A Bosch é uma das empresas que utilizam o programa para aproximar a pesquisa acadêmica das demandas da indústria, transformando estudos em aplicações práticas.
Desde 2014, a empresa aprovou mais de 530 bolsas para mais de 390 bolsistas (de graduandos a doutores) dedicados exclusivamente a projetos de P&D de diversas áreas como, produção, processo organizacional, governança, digitalização e, atualmente, inteligência artificial.
Com recorte de diversidade, 27% dos bolsistas são mulheres, sendo maior parte das vagas para a área de engenharia.
Segundo a consultora de inovação da Bosch, Natália Strassburger, que atua com o Inova Talentos há sete anos, os resultados obtidos pelos projetos trouxeram benefícios tão relevantes que a empresa reteve 30% dos bolsistas.
“Tivemos diversos ganhos quantitativos, em processo produtivo, atividades administrativas, projetos de digitalização, ganho organizacional em projetos de governança”, afirmou ela.
Um dos exemplos é na área de remanufatura de componentes a diesel. Com um bolsista dedicado a pesquisar novos conceitos na área de sustentabilidade, a empresa conseguiu desenvolver novos métodos de limpeza de peças.
“A academia tem um perfil muito diferente da indústria, e eles trazem uma visão diferente do que estamos acostumados no dia a dia. Isso oxigena as equipes e traz multidisciplinariedade contribuindo para resolver todos os problemas.”
IA amplia demanda por pesquisadores
A Bosch vai investir R$ 1 bilhão em 2026 para projetos de digitalização, pesquisa, desenvolvimento e expansão industrial.
Nesse sentido, segundo o CEO, Gastón Diaz Perez, em entrevista exclusiva à AB, a formação de talentos é um dos pilares da estratégia da empresa para a transformação tecnológica e uso de inteligência artificial.
A expansão da IA, conectividade e digitalização tem aumentado a demanda pela formação e contratação de talentos. Atualmente, são 1.300 colaboradores atuando na área digital, além da formação contínua de talentos.
No Inova Talentos, atualmente a Bosch conta com um projeto de 15 bolsistas para atuar com IA, o maior grupo de bolsistas na companhia.
“Hoje em dia tem uma demanda muito grande por IA impactando todos os setores. A gente continua tendo bastante demanda pelos serviços relacionados ao aftermarket, mas a priorização das bolsas está nas áreas de tecnologia de software”, afirmou Natália.
Programa reduz custos de contratação para projetos de inovação
Além disso, Natália explica que o Inova Talentos fecha uma ponte entre o perfil corporativo e o acadêmico, além de reduzir os custos de contratação para atividades de pesquisa.
As empresas realizam o contrato, com termos de colaboração com CNPq ou IPT, instituições de pesquisa parceiras do Inova Talentos, por 12 meses, podendo ser estendido por mais um ano.
“É muito atrativo financeiramente para a Bosch porque não tem muitos encargos”, explica a consultora. “Com o Inova Talentos, conseguimos retirar boa parte dos custos, trazendo incentivo e apoio para encontrar essas pessoas.”
Além disso, consultorias como a Piera atuam no fomento à inovação e à captação de recursos para ajudar as empresas a identificarem oportunidades com o Inova Talentos. A consultoria apoia as empresas a identificar o melhor perfil de pesquisador para determinado projeto, submete os projetos e faz todo o acompanhamento até a aprovação.
“A gente dá suporte para as empresas em vários editais de fomento, o programa de bolsas é mais um. As empresas têm utilizado o Inova Talentos como uma forma de dar celeridade nos seus projetos, trazer mão de obra profissional especifica e muito bem qualificada. Com isso, as empresas vão fazendo um pipeline de talentos”, explicou a gerente de novos negócios da Piera, Patricia Fernandes Moreira.