
Tecnologias de IA, conectividade e eletrificação são as principais tendências do setor automotivo para 2035. É o que aponta o novo relatório “#Imersão ABX Cenários para a Indústria Automobilística Brasileira 2026”, feito por Automotive Business, em parceria com a Roland Berger.
O documento foi lançado nesta quarta-feira, 20, e apresenta tendências para seis categorias: visão do setor; cadeia de suprimentos; ambiente regulatório; eletrificação; transformação digital e IA; e inovação e talento.
Leia o relatório completo aqui.
Setor prevê ambiente mais competitivo e megatendências
Para os próximos cinco anos, a projeção para o setor automotivo é de crescimento moderado, mas com otimismo cauteloso entre os executivos. Com um ambiente significativamente mais competitivo, eles preveem a aceleração de fusões e aquisições e maior integração entre os players.
As megatendências que vão impactar o setor para 2035 são as tecnologias de IA, conectividade e eletrificação. Temas como sustentabilidade e mobilidade compartilhada aparecem com menor importância.
Híbridos plug-in e leves devem liderar eletrificação
A eletrificação é uma das principais megatendências do relatório. Apesar do avanço nas vendas de eletrificados no Brasil, a transição para os eletrificados ainda não é prioridade estratégica consolidada nas empresas e não ameaça as margens atuais.
Até 2035, a rota que deve dominar o Brasil são os modelos híbridos plug-in (PHEV), apontados por 39% dos respondentes, e os híbridos leves (MHEV), com 22%.
Para os executivos, essa transição é impulsionada principalmente pela concorrência chinesa (51%) e o custo total do veículo (TCO), com 21%.
Os clientes apontam interesse por tecnologias mais sustentáveis, mas as preocupações com o custo de revenda (37%) e o consumo (32%) ainda pesam mais e limitam a compra.
Além disso, os consumidores estão adiando a compra de eletrificados. Entre as principais barreiras para a adesão estão a falta de infraestrutura de recarga (41%), custo para o consumidor (20%), incluindo crédito e juros altos, e tecnologia de baterias (17%).
IA e digitalização avançam na jornada do cliente
O relatório de tendências aponta também a digitalização no setor automotivo, ainda em fase de maturidade média (52% das empresas), mas com alto potencial para 70% dos respondentes.
As vendas online não são o foco do setor, mas a jornada do cliente está cada vez mais digital e inclui elementos de IA, principalmente para melhorar o atendimento do cliente, relatado por 47%.
Entre as iniciativas bem-sucedidas implementadas por empresas estão, por exemplo, uso do WhatsApp como principal canal de atendimento para se aproximar dos clientes, aplicativo para centralizar o pós-venda, simulador de financiamentos e catalogação virtual.
Cadeia de suprimentos e regulação preocupam executivos
Além disso, o relatório aponta como os principais desafios da cadeia de suprimentos as tensões comerciais globais que afetam a estratégia de produção e fornecimento e as tarifas comerciais que limitam a competitividade internacional. Por isso, 83% apontam que a regionalização da produção é parte da estratégia.
Outro ponto é o ambiente regulatório imprevisível pressionando a competitividade e condicionando o planejamento estratégico do setor automotivo. Para os próximos três anos, as principais ameaças apontadas são reforma tributária e impostos (40%), emissões e sustentabilidade (27%) e importação e concorrência chinesa (16%).
Já em inovação, o modelo de carros por assinatura é apontado como a área com maior potencial até 2030 por 42% dos respondentes.