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Única brasileira em categoria criada pela Fórmula 1 inspira meninas que sonham com as pistas

Rafaela Ferreira está no segundo ano de F1 Academy e busca consolidação de carreira internacional

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Vitor Matsubara

11 jul 2026

5 minutos de leitura

Rafaela Ferreira, pilota da Racing Bulls
Rafaela Ferreira está no segundo ano de F1 Academy

A vida de Rafaela Ferreira mudou radicalmente desde 2023, quando a piloto catarinense falou com Automotive Business pela primeira vez.

De lá para cá, ela iniciou sua carreira internacional ao entrar na F1 Academy, categoria exclusivamente feminina que acontece juntamente com o calendário da Fórmula 1. Uma oportunidade de ouro para a brasileira se firmar em um cenário ainda tão restrito e, por que não, machista para as mulheres.

Brasileira defende time que também disputa a Fórmula 1

Rafaela Ferreira, brasileira na categoria feminina criada pela Fórmula 1
Brasileira compete pela Racing Bulls na F1 Academy

Os laços entre Fórmula 1 e F1 Academy vão muito além do nome ou da logística.

Cada equipe da Fórmula 1 mantém um time na F1 Academy. Rafa defende as cores da Racing Bulls, conhecida como o “segundo time” da Red Bull.

Por isso não é raro vê-la ao lado de nomes de ponta da Fórmula 1, como o tricampeão mundial Max Verstappen e seu companheiro de time, Isack Hadjar.

Diante de tantas novidades, ela reconheceu os desafios de enfrentar um cenário completamente diferente ao que estava habituada no Brasil.

“No meu primeiro ano achei que estava andando num nível alto, mas foi um ano de evolução e aprendizado. Tive a oportunidade de entender o funcionamento do carro e a rotina da equipe para colocar tudo em prática no segundo ano”, ponderou.

Rafa fez uma boa temporada de estreia e renovou contrato para o segundo ano na Racing Bulls. Pelas regras da F1 Academy, uma piloto pode disputar até duas temporadas consecutivas antes de dar espaço a novos talentos.

“Até agora tem sido um ano de evolução constante porque cheguei mais bem preparada do que estava (no ano anterior) e ciente dos meus pontos fracos na temporada passada. Trabalhamos em cima deles para melhorar e agora estou chegando no top 5, lutando para chegar no pódio e quase ganhando corridas. Sei que preciso ser bem constante para ir bem no campeonato, então estou animada pelo que vem à frente”.

Rafaela agradece carinho dos fãs

A piloto conversou com Automotive Business durante as 6 Horas de São Paulo, etapa do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) que acontece neste fim de semana no Autódromo de Interlagos.

A brasileira aproveitou uma brecha no calendário da F1 Academy para acompanhar a corrida de perto, algo que raramente a rotina lhe permite fazer.

“É um pouco complicado (assistir outras categorias), pra falar a verdade. Nem sempre tenho tempo de acompanhar a Fórmula 1, que é a minha categoria preferida, mas procuro ficar por dentro dos resultados. Acompanho de verdade mais as categorias de Fórmula 4, Fórmula 3 e Fórmula 2 porque estão mais dentro do universo onde estou e também porque tenho muitos amigos correndo nessas categorias também”.

Rafa também celebrou o fato de estar perto de seus fãs e até “estranhou” o fato de ser tão assediada pelos fãs de velocidade.

“Quando venho para cá eu tenho um pouco dessa noção. Aqui (na WEC), por exemplo, muita gente vem me pedir foto e autógrafo e eu nem estou correndo (risos)! É legal ter essa proximidade com o público brasileiro, que sempre dá muito apoio. De vez em quando eu encontro alguns torcedores lá fora, mas estar aqui perto deles é muito legal”.

Pilota é inspiração, mas diz que chave ainda não virou

Rafaela pertence a uma geração de pilotas que se inspirou em Bia Figueiredo.

A primeira mulher a vencer uma corrida de Indy Lights é, até hoje, a brasileira mais bem sucedida no automobilismo internacional. Bia, inclusive, foi grande incentivadora da carreira de Rafaela.

Por ironia do destino, hoje Rafa é uma dessas referências para milhares de meninas que amam velocidade. Algo que ela admite não ter se acostumado.

“Para falar a verdade nem tenho noção de quanto sou uma inspiração para as meninas. Essa chave ainda não virou, mas recebo muitas mensagens de meninas, principalmente do Brasil. Sempre que consigo tento apoiá-las porque, quando a Bia me mandava mensagem, eu achava muito legal e hoje tento fazer a mesma coisa”.

Como é ser embaixadora da Ford no Brasil

Rafa Ferreira é embaixadora da Ford no Brasil
Rafa Ferreira é embaixadora da Ford no Brasil

Tamanho sucesso nas pistas chamou atenção da Ford, que nomeou Rafaela como embaixadora da marca no Brasil.

Embora defenda uma equipe (Racing Bulls) patrocinada pela montadora, a catarinense reconhece que não esperava estreitar os laços tão rapidamente.

“Nunca imaginei que estaria junto com a Ford de uma forma tão natural e legal. Ser embaixadora é mais uma diversão do que trabalho para mim. Afinal, quando tenho um dia de gravação eu vou andar de Mustang, e isso é muito massa! É legal levar o nome deles aqui no Brasil e lá fora também porque a Ford sempre apoiou o automobilismo no geral”.

Quando não está rodando o mundo, Rafa se diverte com sua Ranger Raptor, que lhe rendeu até um novo hobby.

“Fui apresentada ao mundo off-road por causa dela. Comecei a fazer trilhas e me aventurar em muita coisa diferente. A areia é um universo que eu ainda não domino, então preciso aprender tudo de novo e está sendo muito legal”.