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Bridgestone cobra providências contra cenário desigual no mercado de pneus

Empresa diz que rivais recebem benefícios para importar pneus e não seguem regras do setor
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Vitor Matsubara

13 mar 2026

4 minutos de leitura

Fábrica de pneus da Bridgestone em Santo André
Fábrica de pneus da Bridgestone em Santo André (SP)

A Bridgestone cobrou providências das autoridades brasileiras para barrar a concorrência desleal, sobretudo das importadoras que seriam beneficiadas em alguns aspectos. É o que destacou Lafaiete Oliveira, country manager da Bridgestone Brasil.

“Não podemos deixar que o mercado seja desigual. Somos uma empresa muito competitiva globalmente, mas o mercado brasileiro requer equidade no ambiente de negócios. Hoje não temos um ambiente de negócio sustentável para quem cumpre as regras do jogo”, complementou.

Situação fez Bridgestone parar produção de pneus agrícolas

Este cenário não é novidade para a Bridgestone. A fabricante afirma que esse foi um dos motivos para paralisar a produção de pneus agrícolas no começo de 2025, mesmo após um investimento de US$ 26 milhões para atualização do maquinário na fábrica de Santo André (SP).

Os 150 funcionários foram transferidos para a linha de pneus comerciais pesados, já que há demanda por conta de um acordo de exportação firmado com os Estados Unidos.

“Ficou muito difícil competir no mercado de pneus agrícolas com produtos que entram com preços muitas vezes abaixo do nosso custo de matéria-prima”.

Lafaiete ressaltou que, mesmo quase após um ano de paralisação, existe estoque suficiente para abastecer revendedores e clientes. E que é possível retomar a produção sem demora.

“Mantivemos os trabalhadores, que fazem um produto muito específico e tecnológico e estão em outras linhas. Se for novamente viável podemos rapidamente voltar a produzir. Todos os cenários ainda estão na mesa”.

Concorrentes não seguem regras e ainda recebem benefícios

Lafaiete mencionou alguns casos de concorrência desleal.

Segundo o presidente da Bridgestone, a empresa não recebe incentivos fiscais mesmo produzindo pneus no Estado de São Paulo. Entretanto, alguns importadores recebem incentivos para desembarcar produtos em alguns portos pelo Brasil.

O executivo também ressaltou que toda associada da ANIP recicla um pneu para cada um fabricado, algo que os importadores não fazem. E pior: não existe fiscalização.

“Houve anos em que o Reciclanip superou a meta e os importadores não chegam nem perto”, disse Lafaiete.

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) está ciente da situação que afeta todo o setor de pneus. Tanto é que enviou um manifesto endossado por 15 entidades ao MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – pedindo providências. O governo prometeu estudar o caso.

Novos pneus da Bridgestone são mais duráveis e eficientes

Novos pneus Bridgestone
Novos pneus têm a tecnologia Enliten

Lafaiete esteve na apresentação de três novos pneus da Bridgestone com aplicações em automóveis de passeio, utilitários e caminhões.

Todos utilizam a tecnologia Enliten, que, segundo a fabricante, proporciona níveis superiores de conforto e ruído, além de desempenho superior em piso molhado.

O Turanza 6 tem novidades como ranhuras para proporcionar melhor estabilidade da banda de rodagem e composto para aumentar a durabilidade.

Sua aplicação é recomendada em automóveis de passeio, incluindo sedãs e SUVs compactos – segmento este que ganhou atenção da Bridgestone pela grande participação de mercado.

O Dueler A/T Ascent foi projetado para SUVs e picapes com aros 16 a 19. O composto oferece ombro mais fechado para reduzir o nível de ruído ao rodar e maior ângulo de ataque para resistir melhor a arrancamentos e picotamentos.

A Bridgestone alega que o Dueler A/T tem aderência em piso molhado até 18% melhor, performance 14% superior e eficiência energética 9% melhor do que seu antecessor.

RS289 tem aplicação para segmento rodoviário

Por fim, o R289 é um novo pneu para o segmento rodoviário, que representa 70% do mercado de pneus para caminhões.

A empresa destacou que o R289 oferece até 5% mais quilometragem ante a geração anterior (R269). O uso é indicado para eixos direcionais, livres e de tração moderada em caminhões e ônibus rodoviários.

Entre os diferenciais do produto estão o desenho otimizado da banda de rodagem e novos compostos, além de maior resistência ao desgaste ao longo da operação.

O R289 possui a tecnologia Cooling Fin que reduz a temperatura de operação na região do talão. Ademais, o novo pneu tem garantia de até três recapagens.