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Tarifaço deixa fábrica de Santo André da Bridgestone em compasso de espera

Planta no ABC paulista recebeu investimentos para exportação de 600 mil pneus para os Estados Unidos
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Fernando Miragaya

03 out 2025

3 minutos de leitura

Fábrica de pneus da Bridgestone em Santo André recebeu investimento para exportação

O tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros pegou em cheio a fábrica da Bridgestone em Santo André (SP). A unidade do ABC paulista recebeu investimentos para modernização e ampliação dentro de um plano de produção que previa a exportação de até 600 mil pneus para os Estados Unidos.

Com as tarifas decretadas pelo governo Trump, a fabricante de pneumáticos está em um momento de apreensão. Isso porque o mercado estadunidense começa a estudar se compra os equipamentos de outras plantas da Bridgestone no mundo, enquanto a filial brasileira tem de justificar os investimentos.

Bridgestone em Santo André encomendou quatro máquinas

Vale lembrar que a fábrica da Bridgestone em Santo André recebeu aportes, dento de um pacote de R$ 1 bilhão, para compra de novos equipamentos, já vislumbrando as exportações para os EUA.

“Fizemos uma base de planejamento a longo prazo focando em exportação e o tarifaço traz incerteza grande em relação ao futuro. O mercado de pneus tem três pilares para uma fábrica ter escala: mercado original, de reposição e exportação”, diz Lafaiete Oliveira, que foi nomeado country manager da Bridgestone Brasil em setembro.

Segundo o executivo, os pedidos de pneus já encomendados seguirão para os EUA até dezembro com a tarifa adicional. Para 2026, o panorama é incerto.

Ele ressalta que dentro do pacote de investimento da Bridgestone em Santo André, fora adquiridas quatro máquinas para produção de pneus de carga. Duas já foram instaladas e estão em operação, enquanto uma está no navio a caminho do Brasil e a outra ainda em montagem.

“O que eu faço? Suspendo a vinda da máquina? Vivemos um momento dos negócios em um ambiente de muita Incerteza”, afirma Lafaiete.

O diretor das operações da Bridgestone no Brasil diz que a empresa busca alternativas. Inclusive, já existem negociações com outros mercados, como o da África do Sul. Ao mesmo tempo, a empresa trabalha junto à Anip (associação que reúne os fabricantes do setor) e ao Governo Federal em busca de uma solução.

“Temos uma fábrica extremamente competitiva. Vamos brigar por ela”.

Bridgestone lança pneu para ônibus e caminhões elétricos

Pneu Bridgestone R167E pode ser usado em ônibus elétricos

Enquanto vive a expectativa do tarifaço, a Bridgestone lança um pneu para ônibus e caminhões urbanos que promete maior durabilidade e permite aplicação em veículos elétricos. 

O modelo R167E pode ser usado em qualquer um dos eixos e tem foco em ônibus urbanos e caminhões de lixo  betoneiras. O pneu usa carcaça com a tecnologia LRR, para baixa resistência à rolagem. 

Segundo a Bridgestone, esse método dissipa melhor o calor. Além disso, o pneu recebe novo pacote de cintas e reforços no talão para o maior torque exigido por veículos elétricos.

A promessa da empresa é de maior proteção contra danos na carcaça para diminuir o índice de sucateamento, maior índice de recapabilidade e 20% a mais de vida útil da peça.

Com esse pneu, a Bridgestone está de olho na renovação das frotas de ônibus dos principais municípios do país. E também na eletrificação do transporte coletivo, especialmente a anunciada recentemente em São Paulo (SP).

A linha R167E será vendida nas medidas 295/80 22,5 e 275/80 22,5. Os pneus têm dois tipos de garantia: uma complementar que cobre danos por seis meses e a chamada R3, que garante até a terceira recapagem via Bandag – divisão da Bridgestone.

“O mercado de ônibus tem comportamento distinto, não depende do cenário econômico do país. Por isso fizemos esse investimento entendendo que a mobilidade urbana é crescente, que ainda tem um gap de atendimento ao público e que a eletrificação é um caminho sem volta”, explica Lafaiete.